Livros que todo estudante de jornalismo devia ler

Lista traz sete títulos: de Os Sertões, de Euclides da Cunha (1902), a Fama e Anonimato, de Gay Talese (2004)
sábado, 07 de abril de 2018
por Jornal A Voz da Serra
Foto de capa
Gay Talese

Os mestres não se cansam de lembrar: jornalismo se aprende lendo. Assim como a maioria dos trabalhos com a escrita. Concordamos. Então, em homenagem ao Dia do Jornalista, sugerimos alguns títulos importantes não só para jornalistas, mas também para leitores de todas as áreas. Confiram:

Os Sertões – Euclides da Cunha (1902)
Muito antes de existir o termo “jornalismo literário”, o escritor Euclides da Cunha já transformava a Guerra de Canudos em um exemplo do gênero. O autor foi à Bahia cobrir o confronto e terminou por escrever uma das peças máximas da literatura e do jornalismo brasileiro.

Chatô, o Rei do Brasil – Fernando Moraes (1994)
A biografia de Assis Chateaubriand rendeu grande prestígio a Moraes. O jornalista recria o cotidiano pouco ortodoxo de Chatô e suas artimanhas para construir um império que dominou a mídia brasileira por décadas. Não à toa Chatô foi comparado a Charles Foster “Kane”, personagem do filme de Orson Welles.

Abusado – Caco Barcellos (2003)
Obra preciosa do jornalismo literário contemporâneo, o autor remonta o cotidiano do tráfico de drogas no morro Santa Marta (Rio). A percepção de Barcellos vai além da situação que vê pela ótica jornalística, mas percebe também o poder que o Comando Vermelho tem sobre os moradores e a criação de um nova geração de criminosos.

A Sangue Frio – Truman Capote (1954)
Era para ser uma reportagem, mas acabou por se tornar um dos pilares do jornalismo literário. Quando Capote foi convidado para escrever uma matéria sobre o assassinato da família Clutter, no Kansas, em 1959, ele já era um romancista renomado. Aos poucos, o escritor foi se envolvendo no caso e suas “investigações” levaram 5 anos.

Número Zero - de Umberto Eco (2015)
Último livro de Umberto Eco, morto em 2016. Nele, o autor expõe o que considerava uma espécie de ‘mau jornalismo’. O “número zero” do título faz referência ao que é conhecido no meio jornalístico como edição teste, produzida internamente para análise. Ao colocar uma redação de jornal como pano de fundo para os acontecimentos da obra, Eco aproveita para fazer uma crítica às mídias sensacionalistas, à política corrupta e à perda dos valores morais.

Uma História Pessoal - Katharine Graham (1998)
Memórias da falecida publisher do “Washington Post”: uma lição de como se deve dirigir um jornal, de como é vital respeitar as opiniões e posições dos editores e repórteres, desde que estejam certos. Ela defendia profissionais fortes e autônomos — com discernimento e capacidade intelectual. Não impunha que o político “x” falasse só com ela. Não competia com seus jornalistas, não tinha inveja deles e valorizava os mais qualificados. Graham jamais perguntava quais eram as fontes de seus repórteres. Dispensava aduladores, capachos e futriqueiros. O repórter Bob Woodward, que foi decisivo (junto a Carl Bernstein) para a queda de Richard Nixon (Watergate), permanece no “Post” até hoje, aos 75 anos. Entre 1972 e 1974, mesmo pressionada pelo ameaçador presidente republicano, não cedeu um milímetro.

Fama e Anonimato - Gay Talese (2004)
Gay Talese é um dos jornalistas mais influentes do nosso tempo. Aqui, alguns de seus melhores textos, com um quê de literatura, mas, sobretudo, jornalismo de primeira linha. O ensaio sobre Frank Sinatra é uma lição para jornalistas que voltam para a redação de mãos abanando, sem dados para a reportagem porque não conseguiram falar com a fonte básica. Pois bem: Gay Talese não falou com Sinatra, que estava “resfriado”. Mas, ao entrevistar várias pessoas de seu entorno, produziu um perfil irretocável, até hoje apontado como uma grande peça jornalística.

(Fonte: sites de jornalismo)

 

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