Laboratório Cultural investe no potencial artístico da cidade

Espaço no segundo piso do Teatro Municipal criado pelo secretário Marcos Marins promete impulsionar a cena cultural friburguense
domingo, 10 de dezembro de 2017
por Ana Borges
Para o secretário municipal de Cultura, Marcos Marins, “todo o saber cultural se desdobra a partir do contato de outrem com o saber de um, e vice-versa, ou seja, a partir do conjugar da pluralidade artística encontrada na cidade”. Baseado nesse conceito, foi elaborado o Projeto Laboratório Cultural, considerando as condições do setor cultural da cidade.   

"Nova Friburgo tem um potencial artístico já comprovado"

Marcos Marins

“Nova Friburgo tem um potencial artístico já comprovado, e sua cultura reflete seu nome em todo território nacional. Sua música, artesanato, artes plásticas e visuais, dança, teatro, teledramaturgia, cinema, religião, justificam a continuidade e ampliação do fazer cultural para promover agentes multiplicadores culturais nas mais diversas constituições sociais”, avaliou Marins.

Sobre o recém-lançado Laboratório Cultural, o secretário explicou que “pensar a cultura de forma ampla e continuada é também demandar sobre a produção, gestão e pesquisa da cultura local. Um programa formativo que articule as iniciativas culturais se encontram no Laboratório Cultural”. Localizado no segundo piso do Teatro Municipal Laercio Ventura, na Galeria de Artes (sala multiuso), o espaço foi mobiliado e decorado pelo Instituto Pindorama.

“Sua missão é ampliar, capacitar e promover o desenvolvimento cultural das artes e dos artistas friburguenses, garantindo o equilíbrio, o diálogo e a sustentabilidade cultural do município”, emendou Marins.

Entre seus objetivos, estão, por exemplo: entender a demanda cultural local; captar investimento de outras cidades, bem como do executivo estadual e federal; gerar uma economia criativa e colaborativa para a cultura local; capacitar o artista local na produção dos projetos; organizar um portfólio de artistas friburguenses; articular o encontro de segmentos culturais de forma a promover um coletivo cultural de referência, entre outros.

A aspiração e a vontade de acreditar

Filho de músico, nascido e criado em ambiente frequentado por artistas, produtores e empresários atuantes na área, ao chegar na Secretaria de Cultura, tendo ele próprio formação musical e trabalhando em incubadoras da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcos Marins se sentiu à vontade, em casa, digamos assim, ao assumir o cargo. Aquele era e é seu ambiente natural. “Foi nesse contexto que eu fui criado e trabalhei nos últimos anos”, reiterou.

Aos 23 anos, talvez o mais jovem secretário municipal de Cultura, do país, Marcos Marins é bem articulado e expõe com clareza seus objetivos. Ele tem ideias realistas para o setor. “Sendo músico e tendo convivido com artistas toda a minha vida, pude construir uma visão da cultura como um todo, inclusive em relação à questão empreendedora. Uma das primeiras necessidades que identifiquei em Friburgo, foi criar um espaço de comunicação e de facilitador para os artistas e produtores locais para atuar junto ao poder público e em comum com a sociedade civil. Penso que devemos envolver todo mundo”.

Para o secretário, a cultura de Friburgo é efervescente e forte, porém ainda muito segmentada em seus núcleos. “Tenho consciência da dificuldade de fazer essa ligação abrangendo tudo e todos. Até no próprio Conselho de Políticas Culturais, que estamos tentando resgatar, quando me apresentei como secretário para a classe artística e os demais envolvidos, contei com um grupo forte, mais de 70 pessoas na plateia. Ao longo do processo, durante esse ano, fui percebendo que cada um deles tinha uma aspiração, uma vontade de acreditar e olhar a nossa gestão com esperança. Temos que aproveitar o aniversário de 200 anos do município, porque esse evento em maio de 2018, que vai se estender por todo o ano, é a oportunidade que se apresenta, hoje, como o momento perfeito para que artistas e produtores se exponham e mostrem seus trabalhos”.

Segundo ele, o LC entra como um espaço de comunicação que vai fazer a ponte entre as aspirações das pessoas, de seus projetos e de suas ideias, com a realidade do setor. “Conversamos com o Sebrae, com a UFF, parceiras do Espaço, que esclarecem as questões burocráticas, que geralmente são muito complexas. A maioria das pessoas não sabe como tirar uma nota fiscal, lidar com papelada, participar de editais, contatar empresas. Não basta ter um projeto e não saber como colocá-lo em prática. É preciso contar com um Centro que atenda a demanda da nossa cidade, que é grande e precisa de mais atenção, como a economia criativa, colaborativa, solidária. Tudo isso foi surgindo e ampliando a nossa visão para esse universo multifacetado que o artista friburguense produz, e que o LC quer atender, através de seu espaço físico e virtual”, ressaltou Marins.

Mais espaços

“Quando assumimos, fizemos questão de esclarecer o que encontramos, o que tínhamos e o que não tínhamos, o que podia ser feito ou não. Não escondemos nada, relatamos exatamente qual era a situação da cultura no município. O anfiteatro estava fechado, mas o governo municipal conseguiu reabrir para o Festival de Inverno. A Praça das Colônias estava com as obras paradas, o prefeito [Renato Bravo] foi a Brasília e conseguiu liberar recursos para reiniciar as obras, que estão em andamento, e queremos reinaugurar ano que vem. O Centro de Arte está abandonado e sem dúvida é algo que incomoda a todos nós. É preciso resolver isso e queremos encontrar uma solução definitiva para ele. O Renato já conseguiu uma emenda parlamentar também no Congresso para reabrir o Centro. A Praça Ceu (Via Expressa) foi depredada e invadida, mas ela será reaberta também.”       

Estas são questões que, segundo o secretário, o prefeito quer ver resolvidas no próximo ano, considerando todos os esforços empregados com esse propósito. “O Renato divide comigo as preocupações e decisões que vem tomando para devolver esses espaços à população. O momento é complicado, de muitas dificuldades financeiras, mas ele está atento e sensível à necessidade de restaurar todo esse conjunto de locais. Entendo a nossa missão, nessa gestão, como sendo de resgaste. Se conseguirmos, no período do atual mandato, entregar esses equipamentos prontos para abrir as portas, teremos alcançado um diferencial fundamental para a cultura friburguense. Mais importante do que ter um edital, um projeto que possa financiar meia dúzia de artistas, que é legal também, é a gente conseguir reabrir espaços que atenda a centenas de artistas. Como é o caso do Teatro Municipal, que só este ano teve mais atividades e circulação do que os dois últimos anos somados. É nessa direção que estamos caminhando”, enfatizou Marcos Marins.

As três as etapas do LC:
  • A primeira etapa demandará o levantamento de espaço físico para alojamento do laboratório, equipamentos, papelaria, material de escritório, computadores, internet e oficialização do setor.
  • Após montada a estrutura física e operacional do Laboratório, haverá o chamamento para as atividades dos multiplicadores de cultura de Friburgo, agentes universitários e produtores.
  • Pesquisa, gestão e produção de projetos culturais que envolvam multiplicadores.

Na área de atuação, o LC promoverá o encontro das seguintes áreas:
  • Estágios - secundaristas e universitários de diversas áreas afins à cultura;
  • Economia Criativa - ligado aos coletivos culturais da cidade articulando ações que permitam melhores desdobramentos;
  • Audiovisual - estará compartilhando ações junto com o setor friburguense, indo de encontro com as diversas formas de comunicação;
  • Projetos - compartilhar a promoção de projetos junto aos coletivos da cidade;
  • Cursos - demandará, de acordo com o movimento exercido a sua força de trabalho, cursos afins, com a intenção de promover o melhoramento de multiplicadores culturais bem como a comunidade friburguense;
  • Pesquisa - envolvido com a pesquisa da cultura urbana e rural de Friburgo, promovendo melhor acesso da comunidade ao conhecimento de sua história cultural e mapeando os agentes culturais e artistas do município.

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