Intervenção federal: 11º BPM aguarda ordens para o interior

Moradores de Friburgo acreditam que medida pode reduzir violência na capital, mas temem migração de criminosos
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
por Alerrandre Barros
Foto de capa
Militares na Penha na manhã desta terça (Reprodução TV Globo via G1)

Três dias depois do anúncio da intervenção federal na segurança do estado Rio de Janeiro, a rotina no 11º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento em Nova Friburgo e outros dez municípios das regiões Serrana e Centro-Norte fluminense, continua a mesma. Até esta segunda-feira, 19, nenhum plano de ação havia sido divulgado com orientações do interventor para a polícia no estado.

“Não temos informação a respeito. É um fato inédito. Não sabemos o que vai acontecer. Ainda é cedo para dizer ou prever as ações para cá”,  disse o comandante do 11º BPM, coronel Eduardo Vaz Castelano. “A população fica com receosa. É natural. O que posso dizer é que o nosso serviço não parou. Continuamos com o mesmo objetivo: fechar as portas para as coisas ruins, reduzir os índices de criminalidade para garantir a paz que ainda temos no interior”, garantiu o comandante.

Assinado na última sexta-feira, 16, pelo presidente Michel Temer, o decreto, que garante a intervenção na segurança pública ainda depende de autorização do Congresso Nacional, mas os moradores do interior do estado estão apreensivos. Em Friburgo, alguns acreditam que a medida pode conter a escalada da criminalidade, enquanto outros temem a migração de criminosos da capital para cidades próximas.

“Tenho dúvidas sobre essa intervenção”, afirmou o representante comercial carioca Leonardo Mendonça, de 44 anos, que há dois mora em Nova Friburgo. “O governador [do Rio, Luiz Fernando Pezão] jogou a toalha, então, algo precisa ser feito. Mas vi várias ações das Forças Armadas no Rio, nos últimos anos, que não deram em nada. Politicagem”, disse Leonardo.

A secretária Leda Almeida, 51, se diz cética, mas teme o aumento da criminalidade no interior. “Na época das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), houve uma fuga de criminosos para cidades vizinhas. Será que o mesmo vai acontecer com uma intervenção do Exército ainda mais forte no Rio. Ao mesmo tempo que parece bom, assusta”, acredita ela.

Como o decreto deu ao interventor, o general do Exército Walter Souza Braga Netto, do Comando Militar do Leste, o comando da Secretaria Estadual de Segurança, polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e do sistema carcerário, ações para o interior do estado também devem ser anunciadas nos próximos dias, além da capital.

Para a noite desta segunda-feira, 19, estava prevista a primeira votação do decreto na Câmara. Mais cedo, os conselhos da República e Defesa Nacional aprovaram a intervenção. Apesar de não terem poder de veto, os órgãos devem ser consultados pelo presidente nesses casos. Integrantes da oposição que compõem os conselhos, porém, se abstiveram de votar, alegando falta de informações que justifiquem a intervenção no estado.

O deputado federal Glauber Braga (Psol), representante de Nova Friburgo e região no Câmara e oposição ao governo Temer, já se posicionou contra a intervenção, que classificou de “chantagem institucional” e um “factóide” para tentar transmitir a falsa sensação de segurança à população fluminense.

“O estado não pode ficar refém dessa chantagem institucional que não resolve a questão e joga com o medo legítimo de uma população que se encontra desesperada pelo caos que essa mesma turma criou. E qual a solução? Tirar o PMDB e através do voto popular o povo do Rio escolher um projeto que seja sério, estruturante e avance de fato em soluções para a segurança pública, educação, saúde e demais áreas", defende.

Temer decidiu assumir a segurança do Rio após reunião com Pezão na última quinta-feira, 15. Dias antes, cenas de violência no carnaval carioca se espalharam pelas redes sociais e repercutiram no noticiário. O Instituto de Segurança Pública (ISP) do estado, entretanto, divulgou, logo após a assinatura do decreto, balanço preliminar em que mostra, com bases nos registros de ocorrências das delegacias, que o período de folia foi menos violento que em anos anteriores. O 11º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra ainda que há nove estados que estão em situação pior que o Rio.

Polêmica, a intervenção recebeu críticas de vários lados, sobretudo, pela falta de clareza nas ações que serão adotadas, pois o Exército já atua na capital em operações especiais. O próprio general Braga Nunes chegou a dizer que a situação no estado não é tão ruim. “Muita mídia”, afirmou ele no dia do anúncio do decreto. Oposição e analistas viram na medida uma estratégia do presidente Temer tentar elevar sua baixa popularidade. Ele criou, inclusive, o Ministério Extraordinário da Segurança Pública.

 

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