Intercâmbio: na bagagem, experiência; no currículo, vantagem

Especialista fala sobre tipos, benefícios e cuidados na escolha do destino, entre outras dicas
sábado, 24 de março de 2018
por Dayane Emrich (dayane@avozdaserra.com.br)

Viajar, conhecer novos lugares, pessoas, aprender um novo idioma, dar um “upgrade” no currículo e,  de quebra, se divertir. Fazer um intercâmbio é o sonho de consumo de muitos jovens. Mas, apesar da prática ser comum entre os adolescentes e a geração dos 20 e poucos, ela vem ganhando também o gosto de gente mais experiente, até mesmo com carreira já consolidada.

De acordo com dados da  Eduexpo, maior feira de intercâmbio do mundo, realizada recentemente no Distrito Federal, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de países da América Latina que mais procura estudar no exterior. Somente no ano passado, cerca de 40 mil brasileiros iniciaram cursos superiores em outros países, e nem a crise tem afetado o setor, que está em franco crescimento. Em 2016, 247 mil estudantes participaram de programas de intercâmbio, número 14% maior que em 2015.

Em entrevista ao jornal A VOZ DA SERRA, a diretora da agência Genebra Turismo, Ana Cláudia Balsa, falou sobre os tipos de intercâmbio, o perfil do intercambista, as vantagens da experiência para a carreira profissional, além dos cuidados na escolha do destino, os países mais pedidos entre os viajantes da modalidade e, claro, o preço.

AVS: Quais são os tipos de intercâmbio?

Ana Cláudia Balsa: O intercâmbio é uma palavra bem generalista e significa troca de cultura. A CI, que é a empresa que a gente representa no Brasil, possui várias modalidades, entre elas, o High School. Nesse tipo de intercâmbio, o jovem faz o segundo grau no exterior.  Há também o intercâmbio teen, onde o adolescente fica com um líder, um grupo, em torno de três semanas, geralmente nas férias. Depois temos o intercâmbio do tipo trabalho voluntário, em que a pessoa pode, por exemplo, ir para a África cuidar de animais, crianças ou idosos. Outro tipo de intercâmbio é o geral de idiomas. Ele é o nosso carro chefe. Prevemos também o crescimento do intercâmbio que une trabalho e estudo, disponível em cinco países: Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá e Emirados Árabes Unidos. O Au Pair, que em francês quer dizer irmã mais velha, é também uma opção. Ele é um programa tradicional de baixo investimento, que envolve morar em casa de família e cuidar de crianças, especificamente para mulheres entre 18 e 26 anos. Há uma gama muito grande de intercâmbios. Têm para todos os gostos.

É preciso ter algum perfil para fazer intercâmbio?

O intercâmbio abrange todo o tipo de pessoa: aquele que quer trabalhar, estudar, passear. O importante é o indivíduo estar aberto à novas culturas e gostar de estudar outra língua.

Quais benefícios o intercâmbio pode oferecer, especialmente para os jovens?

O intercâmbio é uma experiência fantástica, seja qual for a idade do viajante. No caso dos jovens, ele proporciona amadurecimento, uma vivência diferente, abertura de mente e para o currículo é um grande diferencial. Para muitas empresas, ter uma uma experiência internacional hoje conta mais do que uma pós-graduação, por exemplo. O intercâmbio é muito bacana para quem quer valorizar o currículo.

Sempre que pensamos em intercâmbio associamos a prática como algo quase que exclusivo dos jovens.  Essa realidade está mudando?

Sim. Na verdade, o intercâmbio não tem idade. Existem programas para faixa etárias específicas, mas no geral qualquer um pode fazer. Eu tenho 40 anos e tem muita gente da minha geração, por exemplo, que não deu o devido valor ao inglês na época em que estudava e hoje está correndo atrás do tempo perdido e optando pelo intercâmbio para aprender a língua.

Quais cuidados é preciso ter antes de escolher o destino?

Basicamente é conhecer o clima e a cultura do lugar para onde você está indo. Se você não gosta de frio, você não deve fazer intercâmbio em Toronto, no Canadá, em dezembro, por exemplo. Pois você vai enfrentar temperaturas próximas a 25 graus negativos e, lógico, vai detestar a viagem.  Depois, no caso dos jovens, é importante checar como é a escola ou a universidade onde estudará. É preciso avaliar se a instituição possui o perfil do aluno. Há escolas que são self-study, isto é, onde o aluno passa uma parte do tempo sozinho. Outras tem turma platinum, com menos alunos; e há ainda aquelas que são multiculturais.

Qual a diferença entre intercâmbio e turismo?

De forma geral, apesar de exigirem planejamento e organização da mesma maneira, fazer intercâmbio e fazer turismo envolvem objetivos um pouco diferentes. Quando você faz intercâmbio, consequentemente, você acaba conhecendo aquela cidade, aquele país. Mas o foco é aprender a língua. Existem programas de intercâmbio que você estuda o dia todo e aqueles em que você tem uma aula em part time, ou seja, você estuda uma parte do dia e na outra você pode passear. Já em uma viagem a turismo, é menos provável que o viajante desenvolva habilidades e se aprofunde em certo idioma devido às suas outras prioridades: consumo, passeios, atrações turísticas, entre outras.

Quais países estão na lista de mais escolhidos pelos intercambistas?

Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. A maioria dos viajantes busca lugares onde se fala a língua inglesa.

A partir de quanto é possível encontrar planos de intercâmbio?

Há intercâmbios a partir de duas semanas. Mas, o que a gente mais vende é o de quatro semanas (um mês), que custa em torno de R$ 6.700. Neste programa estão incluídos o curso, o material didático, a taxa de matrícula e a acomodação em casa de família com as refeições. Se antes o intercâmbio era algo impensável para muitos, devido ao preço, hoje ele é mais acessível por conta das formas de pagamento. A gente parcela a partir de dez vezes sem juros. Há modalidades em que se parcela ainda mais, com acréscimo.

O que você diria para alguém que tem vontade, mas por algum motivo ainda não fez intercâmbio?

Eu encorajo todos a fazerem o intercâmbio. É uma grande mudança de mente. Eu acho que, especialmente nesse momento de crise que o país passa e a gente ouve tanta notícia ruim, é bom sair daqui, vê uma nova cultura, estudar, conhecer novas pessoas... Principalmente para o jovem, ter um intercâmbio significa experiência na bagagem e vantagens na busca por uma vaga no mercado de trabalho.

É hora de carimbar o passaporte

O que é possível fazer em 30 dias? Para o friburguense Gabriel Macharet Xavier, de 21 anos (foto), o tempo é suficiente para praticar o inglês, conhecer um país diferente, sua cultura e enriquecer o currículo profissional. O jovem, que sempre sonhou em fazer intercâmbio, embarca no dia 10 de dezembro deste ano em uma aventura na cidade de Toronto, no Canadá, um dos países mais cotados para viajar, estudar e morar.

“O foco, é claro, aperfeiçoar meu inglês. Mas acredito que a experiência vai abrir novos horizontes, farei contatos tanto pessoal quanto profissional, conhecerei a cultura do país, sua gastronomia e os costumes do povo”, disse ele, acrescentando: “espero aprender muito, me surpreender e voltar cheio de coisas para contar para os meus amigos e familiares”.

No  ranking dos destinos preferido dos estudantes, o Canadá ocupa a 1ª posição. Além de ofertar cursos, a nação oferece grande variedade de atividades. No inverno, época em que Gabriel estará no país, a atração são as estações de esqui e as pistas de patinação no gelo. No verão, o sol se põe às 10h da noite e os parques e praias ficam cheios de banhistas, ciclistas e patinadores.

Animado para viver a rotina de um norte-americano, Gabriel conta que, além de estudar, pretende fazer um diário de viagem pelas redes sociais. “Ainda não sei bem se farei um blog, um vlog ou se apenas divulgarei as experiências nas minhas próprias redes sociais. Mas a ideia é dividir com mais pessoas o dia a dia dessa aventura e os desafios que com certeza terei que enfrentar”, pontuou.

Garota, eu fui para a Califórnia

A ideia não era viver sobre as ondas, tampouco virar artista de cinema. Mas, a exemplo de Lulu Santos na canção “De repente, Califórnia”, de 1982, o jovem Bernardo Neuhaus Cariello Marques, de 18 anos (foto), escolheu as belas praias e o clima “Good Vibes” do estado mais populoso dos Estados Unidos para fazer intercâmbio. Bernardo embarcou no dia 25 de janeiro para a a cidade de San Diego, no sul do estado da Califórnia, onde ficou por um mês.

Um dos destinos mais escolhidos pelos viajantes mundo afora, a cidade oferece diferentes opções de restaurantes, baladas e bares; além de parques, praias, zoológico e shoppings. Com cerca de 1,3 milhões de habitantes, ela preza a cultura californiana do bem viver – e combina o estilo de vida litorâneo ao gosto pelas artes, pelos espaços abertos e pela história. Na gastronomia, por conta da aproximação com o México, é comum encontrar nos cardápios os famosos tacos e burritos do país vizinho.

E exatamente por causa do ambiente multicultural, Bernardo garante que foi a melhor experiência que já viveu. “Pela primeira vez eu tive que ser totalmente independente, morar sozinho e me virar com os afazeres da casa, alimentação, roupa e tudo mais. Além de desenvolver o meu inglês, amadureci e passei a ver o mundo de outra forma”, conta ele, revelando ainda que: “Conheci muitas pessoas de diferentes países e culturas. Tive a oportunidade de visitar diversos pontos turísticos de San Diego e desfrutar das belas paisagens do local. Se eu tiver oportunidade, repetirei a experiência”.



 

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