Gestão de técnico friburguense no Botafogo dura só 49 dias

Felipe Conceição não resiste a eliminações na Copa do Brasil na Taça Guanabara
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
por Vinicius Gastin
Foto de capa
Rendimento ruim e eliminações pesaram para a demissão do técnico de Nova Friburgo

Desde o anúncio oficial, em 23 de dezembro de 2017, foram exatos 49 dias como técnico do Botafogo. No entanto, o friburguense Felipe Conceição, de 38 anos, não resistiu às eliminações para o Aparecidense, pela Copa do Brasil, e para o Flamengo na Taça Guanabara. A curta experiência do treinador à frente do alvinegro carioca termina sem muito brilho e diversos questionamentos, uma vez que as atuações da equipe e as escolhas do então comandante não agradaram à torcida do Glorioso. Felipe tentou implantar uma nova filosofia de jogo, alterou o esquema utilizado em 2017, mas não obteve a resposta esperada dentro de campo.

O treinador, já pressionado no início da última semana, foi demitido no último sábado, 10, no vestiário, após a derrota por 3 a 1 para o rival rubro-negro no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, pela semifinal do primeiro turno do Campeonato Carioca. A decisão foi comunicada pelo diretor-executivo do clube carioca, Anderson Barros. Alberto Valentim, que comandou o Palmeiras no final da temporada de 2017, foi apresentado ontem, 14, como novo técnico.

No comando do Botafogo, Felipe Conceição participou de sete partidas: venceu duas, empatou três e perdeu duas - justamente as derrotas que lhe custaram o cargo. Nascido e criado em Nova Friburgo, o ex-atleta profissional foi auxiliar de Jair Ventura em 2017, sendo promovido ao cargo de treinador após a saída de Jair.

Felipe Conceição deixou o município em busca do sonho de jogar futebol com apenas 14 anos de idade. Antes, jogou em escolinhas de Nova Friburgo, como a do Bimba, tradicional no bairro Olaria. Em 1995, foi aprovado para a categoria juvenil do Botafogo. Mesmo na base, teve a oportunidade de acompanhar de perto a campanha do título brasileiro conquistado pelos cariocas, exatamente naquele ano, e teve Túlio Maravilha como parceiro de ataque.

“Para chegar ali foi difícil, pois eu vim de Nova Friburgo, ainda garoto. Falei com meus pais e minha avó que eu queria ser jogador de futebol profissional num clube grande. Eles tomaram um susto, pois era um menino de 14 anos que saía de casa com essa determinação. Sou focado. Fui correr atrás de testes, peneiras, passei por alguns núcleos e, quando via que não me mandariam para equipe da categoria, ia embora. Não tinha tanta condição de sustentar, morava na casa da minha avó. Até que, com 15 para 16 anos, consegui, numa indicação, com um cartão do Luiz Mendes (radialista, morto em 2011) fazer o teste no Botafogo”, relembra.

Felipe subiu de categoria, e na época era considerado como uma das maiores revelações do clube, sendo bi-campeão estadual de juniores, título que o Botafogo não conquistava há 19 anos. Subiu ao profissional em julho de 1998, já com destaque, e em 1999 foi convocado pela seleção brasileira sub-20. Dentre outros craques, atuou com Ronaldinho Gaúcho, Juan (zagueiro atualmente no Flamengo), Júlio César, entre outros. No entanto, uma sequência de lesões graves impediu o seguimento da carreira em alto nível, e em 2003, após pouco mais de oito anos de clube, saiu do Botafogo.

Felipe acabou passando por uma série de pequenas equipes do Rio de Janeiro, e atuou pelo Juventude em 2002, emprestado pelo Botafogo. Foi artilheiro da 1ª Liga Intercalar de Portugal atuando pelo Vitória de Guimarães na temporada 2007/2008. Após passagem pelo Liaoning, da China, abandonou a carreira para se tornar diretor executivo do São Gonçalo Futebol Clube em 2011. Em meados de 2013, assumiu a equipe sub-15 do Botafogo, e no final daquele mesmo ano, foi promovido ao sub-17 do Glorioso.

 Felipe ganhou destaque de fato em 2015, quando levou a equipe sub-17 à decisão da Copa do Brasil da categoria, e foi incorporado à comissão técnica do elenco profissional.

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TAGS: futebol