Friburgo perde Carlos Jayme de Siqueira Jaccoud

Escritor e pesquisador que digitalizou as atas da Câmara de 1820 a 1889 morre aos 95 anos
segunda-feira, 04 de dezembro de 2017
por Jornal A Voz da Serra
Foto de capa

Faleceu no último sábado, 2, o escritor e pesquisador Carlos Jayme de Siqueira Jaccoud, aos 95 anos, em Nova Friburgo, deixando viúva a senhora Alba Caputo, filhos e netos. Era filho de Manoel Aristão Jaccoud e Anna Zalina de Siqueira Jaccoud, descendente de Jean Pierre Jaccoud e Marie Rose Robadey Jaccoud. Em entrevista concedida ao jornal A VOZ DA SERRA em maio de 2015, este descendente de suíços originários de Fribourg, formado em química, lembrou com carinho de várias passagens de seu cotidiano familiar, memórias de uma vida bem vivida e feliz.

Era da infância que ele mais gostava de falar, “o período mais feliz de minha vida, o que mais deixou saudades”. Tanto que se dedicou a descrevê-la e publicar, em maio de 2004, quando completou 82 anos. Falou da casa onde nasceu  - “existe até hoje, na Rua Ernesto Brasílio esquina com a José Eugênio Müller” -, em 1922, do início de sua adolescência, em 1936, quando a família se mudou para o Rio de Janeiro e ele foi matriculado no tradicional Colégio São Bento. Vale a pena transcrever pequeno trecho desta entrevista da jornalista Ana Borges:

“Em 1936, em Botafogo, com 14 anos, eu senti o fim da minha infância... Lembro-me bem. Numa manhã, na Rua Farani, junto com o Raphael e o Renato, eu “garantido” com $1000 réis no bolso, entramos num botequim, perto da nossa casa. Sentamo-nos numa mesa e pedi uma garrafa de cerveja ‘barriguda’. Era uma cerveja fechada com uma rolha amarrada à garrafa com barbante. Serviram-nos, enchemos os copos e bebemos. Achei-a horrível, mas, mesmo assim, bebemos toda ela, que parecia ter mais espuma do que cerveja. Paguei com meus ‘um mil réis’ e recebi o troco de trezentos réis. Naquele dia tive a sensação de que a infância se fora...”  E assim foi lembrando e contando.

Aos 80 anos, Carlos Jayme tomou para si a missão de digitalizar as atas da Câmara Municipal de Nova Friburgo, de 1820 a 1889, empreendimento ao qual se dedicou por mais de seis anos.

À família enlutada, a direção e equipe de A VOZ DA SERRA envia os votos de profundo pesar e sinceros sentimentos.

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