Friburgo já produz metade das fechaduras fabricadas no Brasil

Opção por investir aqui para competir com a China melhorou processos, qualificou mão de obra e manteve empregos, diz presidente do SindMetal, Cláudio Tângari
terça-feira, 05 de dezembro de 2017
por Ana Borges
Foto de capa
Tângari: “Os próximos tempos serão difíceis e requerem uma grande mudança na mentalidade de empresários e colaboradores” (Arquivo AVS)

O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Nova Friburgo (Sindmetal) está completando 50 anos e comemora a data realizando, em parceria com o Sistema Firjan, o 10º Seminário de Inovação e Competitividade, nesta quarta-feira, 6, e quinta-feira, 7, no Senai. O evento oferece aos participantes, além da troca de conhecimento, experiências e palestras para incentivar a inovação e fortalecer o crescimento do setor.  

Ao longo de sua história, empresários, gestores, colaboradores e estudantes de Nova Friburgo e região, assistiram palestras de especialistas sobre design e os impactos da tecnologia nas produções para grandes e pequenas empresas, promovidas pelo sindicato. Temas como branding, competitividade, estratégias de liderança frente à concorrência chinesa, tecnologia de ferramentas, automação, simulação, técnicas de venda e orçamento para potencializar rentabilidade, palestras técnicas com softwares e equipamentos de última geração, capacitaram e capacitam gratuitamente os profissionais da região. Nesta entrevista exclusiva, o presidente do Sindmetal, Cláudio Tângari, fala desta trajetória de meio século, dos desafios a serem enfrentados e do cenário para 2018.    

 

Como surgiu a indústria metal-mecânica em Nova Friburgo?

​A indústria metal-mecânica em nossa cidade surge inicialmente por demanda de manutenção das indústrias têxteis, pioneiras da industrialização do município, e depois pela demanda da construção civil. Falamos de 80 a 100 anos atrás.​

Como analisa o papel de Frederico Sichel no desenvolvimento do setor no município?

​Sichel teve um papel extremamente relevante. Primeiro, ao dar continuidade à indústria criada por Hans Gaiser [Haga]; depois por atuar como uma verdadeira "agência de desenvolvimento da região", atraindo empresas para aqui se estabelecer, ficando sócio de diversas delas, abrindo mercado em filiais de grandes empresas alemãs estabelecidas no Brasil, e investindo praticamente todos os lucros gerados na própria empresa.     

A Haga teve uma grande fundição de ferro, fabricação de fechaduras automotivas e para construção civil, fabricação de fichas de telefone, etc., enfim, uma grande empresa no interior do estado do Rio com mais de 1.000 empregados, na década de 1960/70.​ ​É oportuno lembrar que, das empresas que atuam no setor metal mecânico hoje em Nova Friburgo, a grande maioria teve como seus sócios fundadores antigos colaboradores da Haga, que lá aprenderam boa parte do ofício.​

Nestes 50 anos, qual período ou década foi mais vantajoso, recompensador? Houve também período de queda na atividade local?

​A indústria é diversificada, e teve, portanto, diversos momentos de crescimento e crise, normalmente associados ao desempenho da economia brasileira.​ É difícil destacar momentos mais expressivos. Claro que o número de empregos na década de 1970 a 80 era maior que os de hoje, mas isso se deve à automação, e maior número de colaboradores qualificados que existem hoje quando comparados ao passado.

Um ponto de destaque para a indústria de fechaduras, cadeados e ferragens para a construção civil foi a opção de nossos empresários por manter aqui a fabricação integral de seus produtos, evitando deslocar sua produção para a China, como fez a maior parte das marcas mais conhecidas do Brasil. Isso requereu das empresas locais forte investimento em melhoria dos processos de fabricação, qualificação de mão de obra, design, de modo a aumentar a produtividade e competir com importações da China. Graças a essa opção, os empregos foram mantidos, e Nova Friburgo produz hoje cerca de 40 a 50% das fechaduras fabricadas no Brasil.

Houve algum momento especialmente difícil, a ponto de deixar os empresários preocupados com a sobrevivência do setor em Friburgo?

​Com certeza, a tragédia de 2011 e a crise econômica que vivemos há três anos desanimam aqueles que têm uma atividade empresarial. Juros extorsivos, carga tributária excessiva, excesso de regulamentação, roubo de cargas, tudo isso faz um empresário pensar duas vezes em manter suas atividades. Mas, por enquanto, a maioria das empresas continua aberta e funcionando, e o mais importante, investindo.​

Qual o maior desafio a ser enfrentado, agora, pela metal-mecânica?

Adaptar-se rapidamente à quarta revolução industrial, a chamada indústria 4.0, para permanecer competitiva a nível global. Os próximos tempos serão difíceis, e requerem uma grande mudança na mentalidade de empresários e colaboradores. O Sindmetal vem se esforçando nos últimos dez anos para trazer essa discussão a seus associados, e é possível afirmar que a indústria metal-mecânica de Nova Friburgo, neste particular, está bem avançada em relação a suas congêneres de outras regiões do estado.

Que cenário você prevê, espera ou anseia para 2018?

​Vamos justamente discutir esse tema no seminário de amanhã e quinta-feira. Em minha opinião, será um cenário muito difícil, não muito diferente de 2017. A crise fiscal do país é enorme, e não se nota melhorias nesse sentido. De outro lado, não se vê um cenário positivo para a crise do estado do Rio. E num ano de eleições gerais. Como se diz, não é um cenário para amadores. ​

O setor tem como se defender, evitar a interferência de fatores externos?

​A maior defesa que temos é trabalhar para ter nossa indústria no cenário da indústria 4.0, de aumento da competividade, de valorização do trabalho intelectual, de manufatura aditiva, de introdução de ferramentas de gestão como o lean (manufatura enxuta), enfim, uma indústria que possa competir globalmente. Isso colocará a indústria de Nova Friburgo na vanguarda quando se iniciar a recuperação econômica. E a recuperação econômica vai se iniciar, mais cedo ou mais tarde, independentemente de vontade ou não do poder governante.

 

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