Fim do sonho: recursos do Hospital do Câncer são devolvidos

Prazo para entrega dos documentos foi perdido pelo governo estadual no dia 14 de dezembro
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
por Marcio Madeira
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Agora é oficial. A VOZ DA SERRA pôde confirmar que os recursos federais empenhados para as obras de construção do Hospital de Oncologia da Região Serrana, no imóvel onde funcionava o
Centro Adventista de Vida Saudável (Cavs), na Ponte de Saudade, serão devolvidos à União. A Caixa Econômica Federal não aceitou o pedido da Secretaria estadual de Obras para que o
prazo do convênio firmado para o repasse de verbas fosse prorrogado por um ano, a fim de que pudesse ser elaborado um novo – e mais modesto - projeto para a unidade.

A notícia desperta Nova Friburgo, da pior maneira possível, de um sonho que já durava muitos anos, e que despontava como o grande presente que a cidade poderia receber pelo seu bicentenário. Um projeto que prometia entregar à população um centro gratuito de referência no combate à neoplasia maligna, numa área tranquila bem no centro do Estado do Rio de Janeiro, mas que, em vez disso, converteu-se em um doloroso exemplo de falta de gestão por parte do Palácio da Guanabara.

Os números otimistas, e possivelmente eleitoreiros, que previam serviços de clínica, diagnóstico, cirurgia, radioterapia, medidas de suporte, reabilitação e cuidados paliativos, e que estimavam que a unidade teria capacidade para o atendimento de 500 mil pessoas por ano, disponibilizando 200 leitos (30 infantis), cerca de 300 consultas por dia e até quatro mil cirurgias por ano, somam-se agora aos rombos bilionários que pontuam a história da gestão estadual nos últimos dez anos.

De acordo com o deputado estadual Wanderson Nogueira, que nos últimos anos converteu-se na principal voz de articulação em favor do Hospital do Câncer na Região Serrana do Rio de Janeiro, o governo do estado mantém o discurso de que irá buscar novos recursos em Brasília para a construção de uma unidade com a mesma finalidade, porém mais modesta e com projeto mais adequado à realidade local.

“O discurso do governo é este, de que seria melhor elaborar um novo projeto do que trabalhar com o que já existia. Dizia-se que seria preciso construir um muro que não estava previsto inicialmente, e que a planta precisaria ser encolhida. Mas a verdade é que este projeto infelizmente se perdeu. Acabou. Os recursos serão devolvidos e voltamos à estaca zero. O que o governo promete é trabalhar por um novo projeto, e não há nenhuma garantia de que tais recursos serão liberados”, sintetizou o parlamentar.

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