Fazenda em Cardinot investe em bioconstrução, orgânicos e energia limpa

Iniciativa será dedicada às práticas socioeducacionais para jovens carentes, além de receber voluntários do mundo todo para a aprendizagem de métodos sustentáveis e trocas de conhecimentos
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
por Jornal A Voz da Serra
Foto de capa
Voluntários trabalham no projeto (Foto: Divulgação)

Com o objetivo de ser um modelo a ser seguido no Brasil, o Eco Caminhos — criado no início deste ano — é um projeto que quer ir mais além em questões sociais, estilo de vida e construção sustentável. Conviver em harmonia com a natureza e produzir o próprio sustento e energia sustentável são primordiais para o fundador do projeto, o holandês Bart Bijen, que também é engenheiro e mestre em gestão de empresas.

No Brasil há oito anos, Bart escolheu o país para implementar esse projeto por algumas razões:  por possuir riquezas naturais, necessidades sociais a serem sanadas e grandes terras disponíveis (diferente da Holanda, que é um país pequeno comparado ao Brasil). “O Eco Caminhos é uma grande oportunidade para pessoas do mundo todo poderem ser voluntárias e aprenderem sobre bioconstrução, agricultura orgânica e permacultura”, conta o empresário.

Para fomentar o Eco Caminhos e o futuro projeto social que inclui jovens carentes, Bart acredita que investir em ecoturismo é a solução: “O Eco Caminhos pretende gerar recursos com ecoturismo. Queremos convidar pessoas a participarem de um projeto com objetivo de viverem um dia 100% autossustentável em alimentação, energia e materiais de bioconstrução. Por enquanto, estamos em fase de preparação”, revela Bart.

O Eco Caminhos vai se distinguir no mercado de turismo com bioacomodação de alta qualidade, comida orgânica e ter uma vasta gama de educação, diversão e atividades ecoesportivas para todos os clientes. Tudo em paralelo com o trabalho social com jovens carentes, treinados vocacionalmente em todas as áreas da organização.

Voluntariado

O Eco Caminhos começou a ser trabalhado em abril deste ano e recebeu os primeiros voluntários para ajudar na construção da primeira biocasa. O projeto oferece voluntariado de longa duração, podendo se estender de seis meses a um ano, dependendo da sinergia e do interesse nos assuntos da ecofazenda. São 40 horas semanais de trabalho e os fins de semana são livres.

Além de moradia gratuita, que fica próxima à ecofazenda, o Eco Caminhos oferece alimentação básica e internet aos voluntários. Este ano já recebeu pessoas de várias partes do mundo: Holanda, Reino Unido, Estados Unidos, Trinidad y Tobago, México, Portugal, França e do próprio Brasil.

Bioconstrução

A bioconstrução é a construção em que há, em primeiro lugar, muita preocupação ecológica. Os materiais utilizados para a obra não agridem o meio ambiente como, por exemplo, pedras naturais, a terra, o capim, a areia, o esterco e muitos outros que possibilitam a construção de casas que oferecem conforto térmico, além de, muitas vezes, serem de baixo custo se comparadas às construções convencionais — e podem durar até 300 anos, se bem construídas.

A base para uma ecocasa é a fundação feita com pedras, paredes de cob — material feito da mistura de areia, terra, palha de capim e água — e, para completar, o teto verde, que é um telhado feito com grama ou outros tipos de planta. A grande vantagem desta casa é que ela mantém o conforto térmico: no inverno as casas ficam mais quentes e, no verão, mais frescas. Além disso, o cob é resistente a abalos sísmicos e a fogo, e a parede de barro filtra o ar interno da casa, proporcionando a qualidade do ambiente.

A bioconstrução pode ser feita por qualquer pessoa, desde que tenha muita disposição. O Eco Caminhos está em processo de construção de sua primeira casa de cob, proporcionando aos voluntários uma experiência única de poderem trabalhar com materiais sustentáveis, aprender todo o processo e de, no futuro, poderem construir a sua própria casa na comunidade, caso haja interesse em permanecer no projeto.

Visão educacional

O Eco Caminhos será o cenário de mudanças socioeducacionais. Irá fornecer, àqueles que estão motivados, a oportunidade de estar no centro do projeto, onde o objetivo principal será ensinar jovens a aumentar as habilidades, a autoconfiança e incentivá-los a seguir seus sonhos.

Serão construídas casas para os jovens, onde poderão desfrutar de ecoesportes, cursos de línguas, educação sustentável e aprender sobre bioconstrução, agricultura orgânica, energia sustentável, ecoturismo e todo o processo da permacultura que envolve a comunidade.

Com seis anos de experiência na gestão de um abrigo no Rio de Janeiro, Bart Bijen sabe o que é necessário para um projeto social dar certo para crianças, jovens e adultos carentes. Já lidou com mais de 600 voluntários e incentiva um projeto social chamado Mais Caminhos.

Bart Bijen também fundou a escola de português Caminhos Language Centre, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Na escola, crianças das favelas próximas são acolhidas e convidadas a participarem de atividades educacionais elaboradas por voluntários vindos do mundo todo.

LEIA MAIS

Proposta é criar soluções inteligentes relacionadas a resíduos industriais, mobilidade urbana, energia renovável ou utilização da água

Apoio de instituições parceiras garante escolha de práticas sustentáveis nas comunidades rurais

  • Voluntários trabalham no projeto (Foto: Divulgação)

    Voluntários trabalham no projeto (Foto: Divulgação)

  • Primeira casa do Eco Caminhos em construção (Foto: Divulgação)

    Primeira casa do Eco Caminhos em construção (Foto: Divulgação)

Publicidade
Agora Faz
URL da notícia: