Faol estuda redução do tempo de integração dos ônibus

Prazo atualmente é de duas horas. Segundo a empresa, mudanças são para combater a má utilização do benefício
terça-feira, 10 de outubro de 2017
por Dayane Emrich
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Depois de anunciar uma série de mudanças nas linhas que atendem os bairros de Olaria e Conselheiro Paulino, a Friburgo Auto Ônibus Ltda (Faol) informou que está estudando a redução no tempo de integração de algumas linhas. De acordo com a empresa, a reestruturação no sistema de transporte coletivo da cidade têm como objetivo combater a má utilização das integrações.

Em vigor desde fevereiro deste ano, a integração plena pelo cartão Riocard permite que os passageiros embarquem em até dois ônibus, no período de duas horas, pagando apenas uma passagem. A empresa, entretanto, alega que, em alguns casos, este tempo está sendo usado indevidamente, ou seja, para outras atividades.

O conceito básico de integração prevê que o usuário pegue duas linhas de ônibus diferentes, complementares, no mesmo sentido, sem escalas para outras atividades no meio do caminho. Desta forma, segundo a empresa, “não configura integração pegar uma linha, descer em determinado ponto para, por exemplo, fazer compras ou ir ao banco, e depois seguir viagem em outra linha, mesmo que no mesmo sentido, pois contraria o conceito de deslocamento contínuo”.

Para o vigia Paulo Gomes, de 49 anos, é impossível “controlar” o que as pessoas fazem enquanto esperam o ônibus para a integração. “Se venho de Theodoro, desço na Estação Livre para ir ao Jardim Califórnia, por exemplo, e o fiscal me informa que o ônibus só passa dali 15 minutos, não posso ir à farmácia? Ou até a padaria comprar uma água? Por mais que reduzam o tempo de integração, acho difícil e desnecessário evitar que as pessoas façam outras atividades enquanto aguardam o próximo ônibus”, afirmou ele.

A auxiliar doméstica Márcia de Souza Oliveira, de 36 anos, também não esconde a opinião contrária à mudança. “Quando tinha a rodoviária, por mais que o ônibus atrasasse, era garantido fazer a integração. Agora, se o ônibus quebra ou fica preso no trânsito, corremos o risco de ter que pagar outra passagem. No meu caso, trabalho em Olaria e o ônibus para a minha casa só passa a cada 1h10”, contou, explicando que mora no Loteamento Bairro Novo, no Parque das Flores, em Conselheiro Paulino, e usa a linha 210, de Furnas.

Outro caso que não é considerado integração ocorre quando o passageiro vai de seu bairro ao Centro e volta por outra linha do Centro para o seu bairro. “Quando essas linhas são superpostas em seus itinerários/eixos, não pode ser considerado integração, e sim a realização de duas viagens, uma de ida e outra de volta, com o pagamento de apenas uma passagem”, argumenta a empresa.

Segundo o diretor da Faol, Paulo Valente, para evitar estes casos, estão sendo criadas novas regras. “Estamos prevendo a redução do tempo em alguns casos e ampliação em outros. A idéia é manter, na maioria, o tempo de 120 minutos, que é o padrão. A frota das linhas será toda redimensionada de acordo com a demanda existente em cada uma.  Poderemos ter frotas aumentadas ou reduzidas, ou frotas mantidas em padrões mínimos como já ocorre hoje em localidades de baixa demanda”, explicou.

Segundo Paulo, todos os prazos foram dimensionados de acordo com a análise dos dados obtidos através de GPS e dos validadores dos ônibus. Além disso, algumas linhas que têm boa parte de seus itinerários sobreposta não integrarão mais entre si. “Toda mudança pode ocasionar algum transtorno ao usuário, assim a empresa vem analisando caso a caso as poucas ocorrências de integrações que não se alinham às novas regras e prestando toda a assistência para que o direito de seus beneficiários seja mantido”, pontuou.

A equipe de reportagem da VOZ DA SERRA entrou em contato com a prefeitura que, por nota, informou: “O tempo de integração é determinado por decreto e  para que a mudança no tempo de integração de algumas linhas ocorra, uma solicitação deve ser direcionada ao poder concedente. Mas até o presente momento nada foi enviado à municipalidade, que desconhece esta informação”.

 

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