Estudantes da Estácio-NF protestam contra demissão de professores

Crítica é às novas regras da Reforma Trabalhista, sob as quais profissionais poderão ser recontratados, ganhando menos
quinta-feira, 07 de dezembro de 2017
por Guilherme Alt
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Alunos da Universidade Estácio de Sá em Nova Friburgo farão um protesto no campus do bairro das Braunes no fim da tarde desta sexta-feira, 8. Estudantes de diversos cursos estão insatisfeitos com a demissão de 1.200 professores em toda a rede, oito deles em Friburgo. A universidade sinaliza a proposta de recontratar esses 1.200 professores sob as novas regras da Reforma Trabalhista, em vigor desde o mês passado.

Em Friburgo, assim que a notícia das demissões se espalhou, atingindo os professores mais antigos, os estudantes do campus local se manifestaram, principalmente pelas redes sociais. “Queremos não só boas notas, queremos conhecimento e aprendizagem. Nota não irá moldar e qualificar um advogado, conhecimento sim”, disse um estudante de Direito. “Não é friamente por 'corte de gastos'. É pela mudança na legislação trabalhista patrocinada pela mudança de governo em 2016 que permite o 'corte de gastos'. Está em pauta a mudança previdenciária. Fica o alerta: serão todos afetados. Especialmente os jovens de hoje que não conseguirão se aposentar no futuro.”, escreveu outro aluno.

O protesto está marcado para as 17h. Todos os alunos estarão de preto, simbolizando luto pelas demissões. A bateria da Atlética da Estácio também estará presente para “fazer barulho, mesmo”, disse outra aluna.

A Estácio justifica a redução em seu quadro de pessoal nacional sob a alegação que “os professores ganhavam uma remuneração acima do mercado e irá, agora, reajustá-los”. Através de sua assessoria de imprensa, a universidade informou ainda que “muitos professores estavam sem titulação e ganhando mais que professores com doutorado, por isso, resolveu reorganizar o quadro de funcionários”.

Ministério Público do Trabalho

O Ministério Público do Trabalho do Rio (MPT-RJ) anunciou que vai instaurar um inquérito para investigar as demissões na universidade. Segundo o procurador Rodrigo Carelli, a falta de transparência das empresas e a visível falta de respeito aos direitos do trabalho serão investigados. “O que parece é que as empresas acham que vale tudo depois da reforma trabalhista, e não é isso. A reforma não permite nenhuma mágica que permita desaparecer com os empregados para recontratá-los de forma precária. Por isso, vamos abrir um inquérito”, disse Carelli.

 

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