Especial professores: “Os amigos são muitos. As lembranças, imensas”

Trabalho de vanguarda é o maior orgulho de Sousinha, que lecionou para gerações de friburguenses
sábado, 14 de outubro de 2017
por Adriana Oliveira
Foto de capa
Sousinha: Todos os nossos sonhos foram testados (Arquivo pessoal)

Numa noite qualquer, um papo descontraído no balcão do América. Perguntei a várias pessoas ali presentes, friburguenses de várias idades, de diferentes  colégios e profissões, quais os professores mais queridos que lhes desafiavam a memória. Sousinha foi unanimidade. O primeiro nome a ser lembrado, o primeiro a ser mencionado, aquele que nunca será esquecido. Todos concordaram.

Perguntamos então ao próprio Heraldo Mesquita Sousa, o Sousinha,  algumas histórias  marcantes que ele vivenciou com seus ex-alunos. Seus amigos. Seu maior orgulho. Quem o inspirou. Se fosse recomeçar a vida, se escolheria outra carreira. O que aprendeu e quais conselhos daria a jovens professores.

Ele respondeu com um sucinto, porém vibrante e emocionado texto, a seguir reproduzido. Com a palavra, Sousinha:

“O CNF me deu uma cancha para ousar na geografia! Trabalhar com projetos! Fazer trabalho de campo. Levar os alunos do Clube de Geografia à Cruz, ao Caledônia, à Pedra do Rosário, onde colocamos uma cruz em 5 de maio de 1966. Aprendendo com a prática! Fazer entrevistas e censos na cidade. Pude fazer 600 excursões com meus alunos. Abrindo os horizontes! Aprendendo a criticar e buscar alternativas!

O professor Castillo me inspirou na prática do ensino. O teatro, a música, o esporte ampliaram meu trabalho educativo. No Ruy Barbosa, no Mercês, no Dores e na Faculdade Santa Dorotéia pude realizar alguns trabalhos de campo em grutas e fazendas do interior. Aprendi muito com os alunos e suas famílias.Tive a maior experiência quando coordenei a AECNF (acima, a foto das Olímpiadas da AECNF). Articulando uma equipe sensacional de professores, realizamos um trabalho de vanguarda na época.

Fizemos grandes amigos! Comemoramos sempre em maio a nossa amizade! Todos os nossos sonhos foram testados. Obtivemos um sucesso digno de elogios. Três reitores! Jornalistas, músicos, médicos,  engenheiros.Trabalhadores admiráveis!

Vivemos momentos memoráveis! Na gincana comemorativa da imigração suíça, quando os alunos desfilaram diante da comissão julgadora com uma cruz de um cemitério abandonado do primeiro navio da imigração suíça… Ou no Festival de Música com a marca da arte de Mário Moreira…

Os amigos são muitos. As lembranças, imensas. O amor à profissão me dá a certeza do dever cumprido. Plantei e colhi. Tenho certeza de que a Nação brasileira em breve valorizará os professores, as lanças do conhecimento! Os guerreiros que se lançam diante da violência para salvar seus alunos.

Tenho orgulho da minha profissão. Amo meus companheiros de jornada. Acompanho as lutas dos ex-alunos em todos os planos. Muito obrigado.”

Mais tarde, continuamos a entrevista. Aos 73 anos, 50 de magistério, hoje morando em Niterói mas sempre vindo a Friburgo, Sousinha se orgulha de ser procurado por alunos que lhe perguntam como eram seus pais. A educação, para ele, é a argamassa de união da família. Há pouco tempo, um trombo o levou ao hospital. Todos os médicos que o atenderam eram ex-alunos. O fundador do libertário curso União, na década de 50, é um ferrenho defensor da música nas escolas: “A música é interdisciplinar, ensina o gosto e o respeito pela diversidade. E, com ela, você nunca fica só”, diz, soltando mais uma de suas simpáticas risadas.

 

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