Época de prevenção

quinta-feira, 09 de fevereiro de 2017
por Jornal A Voz da Serra
Foto de capa
Estrada Friburgo-Teresópolis (Foto: Arquivo AVS)

A APENAS 20 dias do Carnaval, o noticiário tem sido marcado pelos preparativos da festa em todo o país, porém, as irregularidades continuaram seu trabalho longe das câmeras, situando-se, mais precisamente, nas estradas brasileiras. A dobradinha bebida e direção ainda é destaque na passarela da irresponsabilidade. Notícia que nem sempre aparece, mostra que ela continua fazendo vítimas por todas as cidades.

CRIME PREVISTO NO Código de Trânsito Brasileiro (CTB), dirigir alcoolizado pode resultar, em caso de acidente grave, com vítima, em pena de detenção de seis meses a três anos, além de multa e suspensão da habilitação. Mas pode-se contar nos dedos os motoristas presos no país em decorrência dessa irresponsabilidade criminosa, que provoca mortes e mutilações nas estradas brasileiras, especialmente em feriadões de grande movimentação de veículos como é o Carnaval.

A PUNIÇÃO branda, que em muitos casos beira a impunidade, é certamente uma das causas das mortes no trânsito em nosso país, mas não é a única nem a principal. Antes dela, temos a má formação dos condutores, a falta de educação e de fiscalização, os abusos de toda ordem, a excessiva lentidão das autoridades e até mesmo estradas mal planejadas e mal sinalizadas.

O CONSUMO de bebida alcoólica pelos motoristas tem lugar de destaque nesse conjunto gerador de tragédias. Temos uma Lei Seca, que prevê multas pesadas para quem for flagrado com índices de álcool acima dos limites, mas os condutores que bebem sempre acham que não vão ser flagrados. Pior: acham que manterão reflexos suficientes para dominar seus veículos sem grandes riscos.

POR ISSO ocorrem os acidentes. O álcool - como advertem os especialistas - provoca redução da acuidade visual, da percepção de velocidade e distância. Reduz a coordenação motora e a autocrítica, fazendo com que a pessoa se sinta “poderosa”. Esse combustível da arrogância transforma pessoas comuns em verdadeiros assassinos.

OS INFRINGENTES do trânsito movidos pelo álcool têm muitos cúmplices. Se temos uma legislação suficientemente rigorosa, são cúmplices todos os agentes públicos que deixam de fiscalizá-la e de aplicá-la. Se motoristas irresponsáveis insistem em dirigir alcoolizados, são cúmplices todos que, conhecendo a situação e podendo interferir, deixam de fazê-lo por motivo afetivo ou pela suposição de que nada acontecerá.

A SOCIEDADE, com a presença dos irresponsáveis impunes pelas pistas, se torna cúmplice e vítima, que não consegue criar uma cultura de educação, prevenção e responsabilização para os infratores. Estamos caminhando mal nesta via de mão única, uma estrada que não vai dar em nada.

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