Enquanto hospital não sai, câncer aumenta

Pesquisa do Inca indica que haverá cerca de 600 mil novos casos da doença este ano no Brasil
domingo, 04 de fevereiro de 2018
por Ana Borges
Foto de capa
As obras paradas do Hospital do Câncer (Arquivo AVS)

Celebrado anualmente no dia 4 de fevereiro (este domingo), o Dia Mundial do Câncer tem o objetivo de fazer a sociedade discutir o assunto, com a principal missão de ajudar a controlar esta doença que mata milhões de pessoas ao redor do mundo. Instituído pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), em 2005, desde então o Dia Mundial do Câncer trabalha para que o maior número de pessoas tenha informações sobre a doença, para ajudar na sua prevenção.

No Brasil, a programação do Dia Mundial do Câncer é organizada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – Inca, que realizou na sexta-feira, 2, solenidade de lançamento da publicação técnica “Estimativa 2018 – Incidência de Câncer no Brasil”, com café da manhã, palestra e debate, em sua sede na Praça Cruz Vermelha, no Rio.

Considerado a segunda principal causa de morte no Brasil e no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares, o câncer é um problema de saúde pública global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030, podem-se esperar 27 milhões de casos incidentes de câncer, 17 milhões de mortes e 75 milhões de pessoas vivas, anualmente, com a doença.

Próstata e mama, os mais letais

Entre os cânceres mais incidentes, segundo estudo divulgado pelo Inca, no dia 2, estão o de próstata e de mama, seguido de casos no intestino e no pulmão. O Inca e o Ministério da Saúde (MS) prevêem a ocorrência de 582.590 casos novos, sendo 300.140 em homens e 282.450 em mulheres.

Já o tipo de câncer mais incidente em ambos os sexos para cada ano do biênio 2018-2019 será o de pele não melanoma, um tipo de tumor menos letal, com 165.580 casos novos. Depois deste, os 10 tipos de câncer mais incidentes no Brasil serão próstata (68.220 casos novos por ano), mama feminina (59.700), cólon e reto (câncer de intestino, 36.360), pulmão (31.270), estômago (21.290), colo do útero (16.370), cavidade oral (14.700), sistema nervoso central (11.320), leucemia (10.800) e esôfago (10.790).

O estudo também revela o perfil de um Brasil urbanizado, industrializado e com população em processo de envelhecimento, o que o coloca, em termos de incidência de cânceres, no mesmo patamar de países desenvolvidos do ocidente. Revela ainda que o país continua a conviver com o surgimento de cânceres associados a infecções, como o de colo do útero e estômago, que possuem alto potencial de prevenção e costumam ser mais incidentes em países de baixo e médio desenvolvimentos.

Importante destacar que entre as principais causas da doença estão a longevidade, urbanização, globalização e exposição aos fatores de risco ambientais e ocupacionais, bem como fatores reprodutivos e hormonais e o histórico familiar de câncer. Mesmo assim, cerca de um terço desse tipo de doença poderia ser prevenido.

Para Ana Cristina Pinho, diretora-geral do Inca, uma recomendação é crucial: não fume e não se exponha à fumaça de pessoas próximas a você, que fumam. “Faça alguma atividade física de forma regular. Reduza a ingestão de carnes vermelhas e coma alimentos frescos, como frutas, vegetais e hortaliças, e alimentos ricos em fibras. Evite os alimentos processados, gordurosos, defumados e produzidos com o uso de agrotóxicos. Mantenha o peso corporal adequado. Proteja-se da exposição solar excessiva usando roupas, chapéu, óculos escuros e protetor solar. Minimize a ingestão de bebidas alcoólicas”, enfatizou a diretora-geral do Inca.

Mudanças no Brasil

Em um século, o Brasil aumentou consideravelmente sua população. Neste mesmo levantamento, o Inca e o MS destacaram que: os brasileiros saíram das zonas rurais em direção aos grandes centros urbanos; a população envelheceu - resultado do aumento da expectativa de vida e da queda na taxa de natalidade; o problema da fome foi substituído pelo da obesidade. O câncer no Brasil, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste e parte do Centro-Oeste, assumiu um perfil parecido com o dos chamados países do 1º mundo.

Em contraste com o padrão pós-transição epidemiológica, o Brasil continua a conviver com a incidência de cânceres decorrentes de infecções, que poderiam ser prevenidos. O exemplo mais marcante é o câncer do colo do útero, o mais incidente entre as mulheres na Região Norte e o segundo mais incidente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.

A infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV) é responsável por praticamente todos os casos de câncer do colo do útero. O HPV propaga-se por contato sexual. O vírus provoca uma lesão no colo do útero, que, se não tratada adequadamente, pode levar ao desenvolvimento do câncer.

Desde 2014, o Ministério da Saúde oferece vacinação para meninas contra o vírus do HPV, agora ampliada para os meninos, o que poderá reduzir no futuro a incidência de cânceres associados a essa infecção. No curto e médio prazos, a medida mais efetiva para a prevenção e detecção precoce do câncer do colo do útero é a universalização do acesso ao exame de Papanicolaou, biópsia e tratamento.

Estado modifica projeto do Hospital do Câncer

Depois de perder a verba federal, o governador Luíz Fernando Pezão tomou para si a responsabilidade de utilizar verba do próprio orçamento estadual para retomar a construção do Hospital do Câncer de Nova Friburgo. Na quinta-feira, 1º de fevereiro, o deputado estadual Wanderson Nogueira (PSOL-RJ), que vem trabalhando incansavelmente nesse sentido, esteve com o secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira, que apresentou um novo projeto, mais enxuto, para viabilizar a obra.

 A construção da unidade passou por uma série de readaptações para se adequar à realidade dos cofres estaduais. No antigo projeto constava a construção de três prédios, e agora, constam dois, que já foram erguidos e serão utilizados em um primeiro momento.Os quartos serão duplos e individuais. Os dois anexos vão abrigar vestiários para os funcionários, lavanderia, necrotério, geradores e central de vácuo.

Os dois prédios devem receber investimentos em torno de R$ 40 milhões, aproximadamente R$ 10 milhões a menos do que previa o projeto original, com possibilidade de expansão no futuro.

Apesar das modificações, o secretário garantiu que toda a demanda de Nova Friburgo e região será atendida. “Adequamos o projeto para uma realidade executável e o governador Pezão me pediu prioridade para este projeto. Vamos tentar chamar a empresa que já estava construindo a unidade para dialogar e continuar o trabalho. Acreditamos que essa obra física esteja pronta até o fim do ano. No entanto, ainda não podemos prever a inauguração devido a necessidade de aquisição dos equipamentos”, disse Luiz Teixeira.

Wanderson Nogueira tem insistido na instalação do hospital, preocupado em não deixar que o estado abandone o projeto. “Estamos nessa luta pela construção dessa unidade desde o início e continuaremos até que esteja em pleno funcionamento. Temos colaborado com alternativas para que essa obra, enfim, ajude milhares de pessoas que hoje sofrem com os deslocamentos para tratar o câncer. Saímos dessa reunião esperançosos e confiantes de que o projeto, apesar de reduzido, conseguirá atender a população”, destacou o deputado.

Segundo ele, a próxima etapa é destravar a burocracia em relação à construtora para evitar uma nova licitação, o que prorrogaria ainda mais o prazo para a entrega do hospital. As alterações devem ser apresentadas ao governador na sexta-feira, 2. (Até a atualização desta notícia não foi informado se o governador havia assinado o novo projeto).

 

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