Em um abrigo, o que pedem os velhinhos a Papai Noel?

Idosos do Laje sonham se conectar com as famílias: celulares, mesmo usados, estão entre os itens pedidos. Saiba a quem ajudar
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
por Adriana Oliveira
Foto de capa
Paulo Roberto no Lar Abrigo Amor a Jesus (Reprodução da internet)

Paulo Roberto Nunes Viana, de 66 anos, pediu de presente de Natal um celular com acesso à internet, mesmo sendo usado. Seria mais um presente útil, não fosse seu endereço: há quatro anos ele mora no Lar Abrigo Amor a Jesus (Laje), em Nova Friburgo, com outros 75 idosos. E também se não houvesse por trás desse pedido um motivo muito especial: ele quer se manter conectado com a família, especialmente com a filha e a neta que conheceu há apenas quatro anos, através do Facebook, usando a rede compartilhada da sala de recreação.

Paulo Roberto (foto) é um dos nove abrigados no Laje que deixaram seus pedidos numa lista providenciada pela instituição e ainda não encontraram um Papai Noel de verdade, na cidade, para atendê-los. Antônio Carlos Prosper, o Próspero, por exemplo, também pediu um celular, um modelo simples, para falar com a família. Ele é cadeirante desde que sofreu um AVC. Valdir Lourenço e Luiz Vieira da Costa também querem celulares comuns, mas com um detalhe indispensável: acessibilidade para cegos, pois não enxergam.

O espanhol Ramón Andrés Ponce precisa de um notebook para suas pesquisas. Intelectualizado, ele gosta de ler artigos na internet. Outros pedidos são  “relógio grande, de ponteiro” e perfumes de marcas populares. As 34 mulheres já foram todas contempladas. Algumas pediram singelos lenços de cabeça. Aqueles que são portadores de Alzheimer ou com pouca lucidez para pedir devem  ganhar sandálias franciscanas, o que mais precisam. Os números variam de 40 a 43.

Separado da mulher, Paulo Roberto morava com uma tia, que também passou a ter problemas de saúde. Teve um AVC e anda com o apoio de uma bengala. A fala, ainda um pouco enrolada, não o impede de contar resumidamente a sua história. Sambista no auge da juventude, era ritmista e tamborim de ouro na Acadêmicos das Braunes, bairro onde nasceu. Foi viver no Rio, em Cascadura, e teve uma vida frenética, até se separar da família, adoecer e voltar para Friburgo. Teve três filhos, que hoje moram em outras cidades, como Itaperuna,  Rio das Ostras e Caxias. A caçula, descobriu pelo Facebook, já mocinha. “Eu a reconheci pelos olhos, iguais aos da mãe”, explicou.

Para quem se dispuser a doar ou se cotizar para doar, o Laje pede que os presentes sejam entregues até dia 18. O telefone de lá é (22) 2522-5130. A entrega será feita no dia 22, após o almoço de Natal. Quando recebem mais de um presente por idoso, os responsáveis pelo Laje guardam para os aniversariantes do mês, sendo entregues no último domingo de cada mês. Assim, ninguém fica sem sorrir.

 

Os presentes que faltam:

  • Antonio Carlos Prosper da Silva: um celular simples

  • Luiz Vieira da Costa: celular para cego

  • Paulo César Ribeiro: perfume “Uomini” (Boticário)

  • Pedro Daudt: relógio grande

  • Ramón Andrés Ponce: notebook

  • Rogério Claudino: relógio de ponteiro com pulseira de couro

  • Rubens Almeida: perfume “Biografia” (Natura)

  • Sebastião de Souza: relógio de ponteiro com pulseira de aço

  • Valdir Lourenço da Silva: relógio de ponteiro com pulseira de aço

 

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