Em crise, Afape faz protesto na Via Expressa

Instituição não recebe recursos do governo do estado há um ano
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
por Alerrandre Barros
Foto de capa
O protesto da Afape aconteceu na Via Expressa (Fotos: Henrique Pinheiro)

Alunos, pais e mães e funcionários da Associação Friburguense de Amigos e Pais do Educando (Afape) realizaram um protesto no fim da manhã desta segunda-feira, 13, em defesa da instituição, que passa por mais uma grave crise devido aos atrasos nos repasses de verbas do governo do estado. O ato do grupo bloqueou um trecho da Via Expressa, que liga os bairros Olaria e Cônego.

“Estamos no vermelho e devendo salários de novembro, dezembro, o 13º e o de janeiro aos funcionários. Desde de fevereiro do ano passado o governo não faz os repasses para a Afape. Temos que dar o reajuste salarial dos funcionários, mas nem os salários atrasados conseguimos pagar”, lamenta o presidente da Afape, Jorge Wilson Vieira.

A dívida do governo do estado com a associação já soma cerca de R$ 210 mil. A Afape só não fechou as portas porque também é mantida com recursos do município, da União (no ano passado, 30% da verba foi cortada) e de voluntários que apoiam a iniciativa, doando dinheiro, alimentos e materiais para manutenção das atividades da associação. O maior mantenedor, porém, continua sendo o estado.

A manifestação pacífica começou por volta das 12h30, no encerramento do primeiro turno Afape, que funciona em frente à Avenida José Pires Barroso, mais conhecida como Via Expressa. Portando cartazes, apitos e instrumentos musicais, os manifestantes pararam sobre a faixa de pedestres e bloquearam uma das pistas da avenida. O protesto causou retenção em ambos os sentidos. A PM foi acionada e controlou o fluxo de veículos.

Em meio aos manifestantes, a psicóloga Regiane de Carvalho Martins usava um nariz de palhaço. “Eu não saí da Afape porque as crianças precisam continuar o tratamento. Quem vai cuidar delas? O governo precisa regularizar a situação para que nosso trabalho, que também acolhe as famílias, continue”, disse a jovem, que trabalha há três anos na Afape, mas há três meses não recebe o seu salário.

Na calçada, a auxiliar de serviços gerais Rozemari Gomes esticava o máximo que podia um cartaz para que os motoristas que passavam ao lado do grupo vissem o que estava escrito: “FIA, cadê você?”. A Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), vinculada à Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, é quem acompanha o trabalho da associação e faz os repasses, impedidos pela pior crise da história do estado do Rio de Janeiro, que nem os salários de servidores consegue pagar em dia.

“Estou passando por sérias dificuldades financeiras. Estou a ponto de ser despejada porque o aluguel está atrasado há quatro meses. O ano letivo começou e não tive condições de comprar o material escolar da minha filha”, contou Rozemari, que trabalha há sete anos na Afape.

Mãe de um adolescente autista de 14 anos, Nazareth Knupp também segurava um cartaz ao lado do grupo de jovens que tocava tambores como numa fanfarra. “Desde o ano passado, meu filho recebe tratamento na Afape. As atividades oferecidas têm ajudado muito no desenvolvimento dele. Por isso, estou aqui, para defender a manutenção dessa instituição tão importante nós, pais de alunos especiais, e para Nova Friburgo também”.

O vereador Zezinho do Caminhão (Psol) acompanhou o ato, mas lamentou não poder fazer muito para resolver a situação da instituição. “É lamentável que o estado tenha chegado nesse ponto de não conseguir manter um trabalho tão essencial como esse para melhoria na qualidade de vida de portadores de necessidades especiais. Vamos acompanhar e pressionar para que o governo cumpra com suas responsabilidades”, disse o parlamentar.

A  VOZ DA SERRA entrou em contato com a Fundação para Infância e Adolescência (FIA), para saber quando a situação será regularizada. Em nota, a Secretaria Estadual Assistência Social e Direitos Humanos informou que todos os pagamentos foram encaminhados para a Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) que vai definir quando os repasses serão efetuados.

A Sefaz, por sua vez, disse que os valores são repassados à secretaria de Assistência Social, para que os recursos cheguem às fundações. “No momento, não temos previsão para o referido repasse, uma vez que a prioridade é o pagamento dos salários do funcionalismo público”, informou a nota.

 

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  • Grupo ocupou faixa de pedestres com cartazes, instrumentos musicais e apitos

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  • O presidente da Afape, Jorge Wilson Vieira, acompanhou o ato

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  • A manifestação pacífica bloqueou os dois sentidos da Via Expressa

    A manifestação pacífica bloqueou os dois sentidos da Via Expressa

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