Do Face para a vida real, com muitas histórias para contar

Grupo que nasceu na rede social lidera campanha que não mede distâncias para levar presentes até as crianças
sábado, 25 de novembro de 2017
por Ana Borges
Foto de capa
A distribuição de brinquedos num Natal passado (Arquivo pessoal Alexandre Cunha)
Se tem um período do ano capaz de arrefecer os ânimos e dar uma trégua nos embates que a vida nos apresenta, esse período se chama Natal. É tempo de paz, solidariedade, gentileza, afeto, união. No Natal, cada um de nós pode e deve se permitir baixar a guarda, ser feliz e transmitir felicidade aos que nos cercam. Hoje, individualmente, ou em grupos, cada vez mais pessoas desenvolvem ações sociais que beneficiam entidades de crianças carentes, orfanatos, asilos, comunidades. Crianças, principalmente. Promover, pelo menos um momento de alegria para pessoas menos favorecidas, sejam elas quem forem, mas nunca esquecer as crianças.

"Nosso projeto é alcançar crianças que talvez nunca tenham recebido um presente"

Alexandre Cunha

Boa vontade, criatividade e disposição para localizar e escolher áreas onde há pessoas com necessidades são os primeiros passos. Depois, é pôr mãos à obra. É se organizar, atrair parceiros, e, juntos, participar de uma ação que visa a distribuir amor, alegria, alimento, brinquedos. Itens que fazem toda a diferença para quem vive na pobreza. Qualquer um de nós, pode tornar melhor o Natal dessas pessoas. É tão pouco para nós, é tão valioso para elas.

Há muito que se pode fazer. Basta olhar para o lado. Sim, aí pertinho de você!

Quem tem uma história bonita de Natal para nos contar em Nova Friburgo é Alexandre Cunha. Há seis anos, um pequeno grupo de jipeiros, de diversas cidades, se comunicava apenas pelo Facebook, até que, um dia, decidiram se conhecer pessoalmente, promover um encontro “real”. O convite partiu do friburguense Alexandre, técnico gasista de 41 anos. Cerca de 40 pessoas, vindas do Rio, de São Paulo, do Paraná e de Minas, além dos amigos de Friburgo e região, se reuniram aqui na cidade.

Ao combinarem o encontro seguinte, tiveram a ideia de torná-lo mais do que uma simples reunião. Que tal se cada um trouxesse um brinquedo para distribuir às crianças carentes no Natal?

“Durante anos, eu tive a oportunidade de viver experiências bonitas e comoventes na (ONG) Aldeia da Criança Alegre. Eu fazia teatro e, nessa função, frequentava a Aldeia. Com o tempo, resolvi passar o dia de Natal lá: levava presentes (com o nome de cada criança), comida, teatro, música, dança. Era um dia de festa. Esse contato direto, tão próximo, me comovia. Comecei a me envolver socialmente também, tentando ajudar no que pudesse. E essa experiência foi fundamental para a minha conscientização sobre a situação daquelas crianças e suas famílias. E, mais do que isso, eu recebi lições inesquecíveis”, conta, emocionado, lembrando que tinha criança na Aldeia que o chamava de tio, pai e irmão. Tudo junto, como se ele sozinho formasse uma família.

Desde então, a cada ano, o grupo distribui presentes, brinca, diverte e alimenta, batendo de porta em porta nas comunidades mais carentes. O projeto não tem um nome definido, mas é comum se referirem a ele como o "Face real", numa referência brincalhona à sua origem, numa rede virtual.

“Quando combinamos o primeiro encontro, instintivamente falamos disso, de transformar o virtual num encontro real, portanto, um ‘Face real’. Quando falamos dele, usamos esse termo. Então, acho que o projeto pode ser reconhecido dessa forma”, comenta.

No segundo encontro, também realizado em Friburgo, compareceram cerca de 300 pessoas; no terceiro, umas 400. Hoje, eles são uma rede de 500 pessoas, que no ano passado arrecadou três mil presentes.

O encontro deste ano será no dia 9 de dezembro, às 18h, na Praça do Suspiro, com a presença de pessoas de vários estados. Já no dia seguinte, domingo, 10, vão distribuir brinquedos em São Geraldo. “Vamos começar por aquele bairro porque um dos amigos do grupo, que todo ano faz festa lá, desta vez, por problemas financeiros, está com dificuldades de promover o evento sozinho. Então, vamos colaborar para a criançada continuar vivendo esse sonho”.

Enquanto isso, outro grupo estará fazendo o mesmo em Riograndina. Assim como em orfanatos: um em Conselheiro Paulino, e o outro, em Centenário. Depois, partirão todos juntos para encontrar o grupo Trilheiros Noel e seguir até Mariana.

“No dia 17, vamos fazer uma trilha até Mariana. O nosso projeto é chegar onde ninguém vai, aos lugares de mais difícil acesso, alcançar crianças que talvez nunca tenham recebido um presente, nem saibam como o significado do Natal, como é comemorado. No primeiro ano, juntávamos brinquedos, mas, depois, ampliamos para arrecadar também livros e cestas básicas. Esse é o nosso ideal de projeto. Além de levar um momento de entretenimento, de diversão para essas crianças. Em muitos locais esquecidos neste país imenso, muitas delas jamais ganharam um presente. E é até elas que queremos chegar”, explica, contando que uma vez presenteou uma criança com algo que ela nunca tinha comido antes: um panetone. Essa criança abriu mão do brinquedo, espontaneamente, em favor de outra criança.

Para Alexandre, crianças assim precisam ser vistas não como futuro, mas como presente. “Se não olharmos dessa forma, que tipo de adulto teremos no futuro? Então, vamos cuidar disso primeiro, agora, com muito cuidado, atenção, delicadeza. Com tudo o que cada criança merece”.

 

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