Dia do Cardiologista: como se cuidar e garantir um futuro saudável

Doenças cardiovasculares são as principais causas de óbito em todo o mundo
sábado, 12 de agosto de 2017
por Ana Borges
Foto de capa
Além do acidente vascular cerebral (AVC), o infarto no miocárdio e a doença vascular periférica são as maiores causas de mortes por problemas cardíacos. Segundo o Ministério da Saúde (MS), no Brasil existem mais de 30 milhões de pessoas hipertensas.

“A medicina não torna a vida mais saudável, mas está prolongando a existência com qualidade”

Gustavo Ventura

O Sistema de Informação de Mortalidade (SIM/MS), alerta que em 2014 o infarto agudo do miocárdio foi a doença que mais matou homens no país, com registro de 50 mil mortes causadas por essa complicação cardíaca. Aproximadamente, 9 milhões de pessoas morrem em todo o mundo, por ano, mais do que os cerca de 7 milhões de óbitos causados pelo câncer. A título de curiosidade: em terceiro lugar estão as mortes por acidentes nas estradas.

Os cuidados com o coração envolvem uma série de medidas que têm como objetivo prevenir o surgimento de doenças, que podem indiretamente comprometer outros órgãos. O  AVC, por exemplo, é uma delas, sendo a hipertensão uma de suas possíveis causas.

Entretanto, a hipertensão não é a única doença que pode atingir o coração. Segundo a Organização Mundial da Saúde/OMS, as doenças cardiovasculares são de fato as principais causas de óbitos em todo o mundo. Saiba mais sobre o tema nesta entrevista com o médico cirurgião-cardíaco Gustavo Ventura.

Conceito de saúde

De 20 a 30 anos para cá está havendo uma prevalência muito grande de mortes por acidentes cardiovasculares. Não exclusivamente do coração, mas cardiovascular. Há mortes ocasionadas pela hipertensão arterial, que pode romper um aneurisma cerebral, provocar acidentes vasculares isquêmicos também no cérebro, além de doenças arteriais de um modo geral”, citou o médico.

Segundo Gustavo, hoje fala-se muito em conceito de saúde, que envolve os fatores físico, mental e, mais recentemente, o social. Antes só havia referências a problemas físicos e mentais. Hoje, os fatores de risco também envolvem a sociedade, como um todo: condições de vida, sérios problemas para conseguir consultas e exames, enfrentamento de filas, e, o mais complicado, a precariedade dos hospitais, em especial no Rio, cujos usuários acabam buscando atendimento em cidades do interior, como em nosso município. Esse contexto tem provocado uma ansiedade exacerbada na população, avaliou o cirurgião.

“Temos percebido um aumento no número de pacientes mais graves. O desemprego, a instabilidade, a desconfiança, a frustração, a falta de perspectiva, enfim, tudo isso tem gerado tensão e revolta, e está afetando a saúde das pessoas, provocando doenças cardíacas. A pressão arterial descontrolada provoca alterações metabólicas, insônia e  estresse, situações que exacerbam as doenças de um modo geral, e as cardíacas, em particular”, avaliou.      

É perturbador saber que os jovens também estejam tendo mais doenças cardiovasculares, “o que não é próprio da idade”. O problema, Gustavo acredita, decorre dessa atual condição socioeconômica que gera ansiedade neles também, no seio familiar, no meio social. “Vivemos tempos de cobranças absurdas. Tem muitos adolescentes e jovens adultos tentando superar limites, competindo de forma agressiva uns com os outros, tentando quebrar, de maneira acima do aceitável, os próprios recordes. Essa auto-imposição, digamos assim, afeta a saúde de modo geral, em vários níveis, e provoca problemas cardíacos nessa faixa etária que vai dos 14 aos 28 anos mais ou menos”.   

Prevenir para melhor envelhecer  

A prevenção ainda é o melhor remédio e as pessoas que têm acesso à medicina preventiva são as que melhor envelhecem. Infelizmente, o que deveria ser garantido a todos, é um privilégio de poucos no Brasil. Doenças graves são detectadas precocemente naqueles que têm atendimento médico periódico, desde os primeiros anos de vida. A partir do diagnóstico e tratamento adequado, e assim ao longo da vida, essas pessoas certamente terão uma boa condição física na velhice. Em contrapartida, os que não têm a assistência devida, que é a grande maioria da população, acumula doenças, de toda natureza. E uma velhice indigna e sofrida.

“No Brasil, sofremos a falta de prevenção. Programas aparentemente eficazes, na teoria, como o Médicos de Família, UPAs e Unidades Básicas de Saúde, não foram efetivados. Algumas UPAs, como a nossa, aqui em Friburgo, atendem bem, funcionam, mas o resto do sistema, quando o paciente precisa de um atendimento mais especializado como o de cardiologia, em um hospital público, o procedimento emperra, a burocracia é um problema na hora de remover para um hospital particular. E tempo, nesses casos, faz toda a diferença”, argumentou.    

A detecção precoce é uma ferramenta poderosa na prevenção das doenças cardiovasculares. Diabetes e hipertensão são os dois maiores vilões. O número de fumantes tem diminuído significativamente, segundo tem observado Gustavo Ventura em seu consultório.

“Embora o cigarro não tenha perdido o status de vilão, ele não é mais o principal responsável pelas doenças cardíacas. Há uns 15 anos, de cada dez pessoas, seis ou sete, fumavam. Hoje, de cada 10, só uma pessoa ainda fuma. As campanhas antitabaco têm alcançado seu objetivo. Quem ainda fuma, está querendo parar, é o que ouço dos meus pacientes que lutam para largar o vício. No contexto geral, o cigarro é um dos fatores de risco, mas não necessariamente o pior, atualmente: hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse cotidiano. Cada um desses, ou tudo junto, pode matar.”

A saúde da mulher     

Por que a mulher se cuida e os homens não? Porque ela começa a frequentar consultórios médicos na adolescência, entre os 12 e 14 anos, quando menstrua pela primeira vez. Depois por causa da TPM, menopausa e as alterações hormonais. Ao longo da vida, a mulher toma vacinas contra as DSTs (os meninos passaram a tomar também contra o HPV), se cuida durante a gravidez, faz pré-natal, amamenta, enfim, enfrenta uma série de situações que exigem cuidados médicos. E quanto às vacinas, a saúde pública garante. Mas, os homens não se cuidam, nem de graça. Desde a puberdade até a maturidade. Quer dizer, a mulher se acostuma a ir ao médico, criou essa cultura. O homem, não.

“Ainda hoje o homem só é pressionado a fazer exames preventivos por volta dos 40 anos, por causa do câncer na próstata. Ele só procura o médico quando fica doente, quando passa mal. No entanto, percebo que as novas gerações estão se cuidando mais cedo e por isso vivendo mais. As doenças cardiovasculares afetavam mais os homens. Agora, afetam as mulheres também. No universo feminino, boa parte sustenta a casa sozinha, são mães solteiras, não querem depender dos companheiros. Estão na luta pela sobrevivência. Como os homens”, lembra Gustavo.

Grandes mudanças vieram com a entrada da mulher no mercado de trabalho, principalmente nas últimas duas décadas. Com tal responsabilidade, houve uma sobrecarga emocional. Elas adquiriram hábitos antes considerados masculinos, como fumar, beber, frequentar bares, ir às baladas. E mesmo com todos os cuidados, se não houver moderação nesse estilo de vida, elas passam a ter problemas cardiovasculares também.

“A medicina não torna a vida mais saudável, mas ela está prolongando a existência das pessoas com qualidade de vida. Podemos operar pessoas com mais de 80 anos, com excelentes resultados. Um paciente que tenha por volta dos 85 anos, se estiver em boas condições físicas, operamos sem maiores sobressaltos. É trocar umas pecinhas que já deram o que tinham que dar. Esse paciente ainda pode viver alguns anos com o coração funcionando direitinho. O nosso ambulatório de marcapassos aqui na clínica recebe toda semana pessoas com idades entre 90 e 100 anos para trocar o aparelhinho”, revelou.   

Previna-se!

A exemplo de boa parte das doenças crônicas, problemas no coração têm suas chances aumentadas quando há predisposição genética. De qualquer forma, cardiologistas são unânimes em recomendar exercícios físicos, alimentação balanceada, menos sal, álcool, e nada de cigarro, para evitar ou pelo menos minimizar as chances de desenvolver doenças cardiovasculares.

As doenças causadas por complicações cardíacas matam mais de 9 milhões de pessoas em todo o mundo. Somadas às mortes causadas por hipertensão, são 18 milhões de óbitos todo ano causados por algum tipo de problema cardíaco.

Segundo o IBGE, os homens vivem sete ou oito anos a menos do que as mulheres. A boa notícia é que essa resistência do homem de se prevenir está diminuindo. Eles estão indo mais ao consultório. Pelo visto, as campanhas, orientações e informações sobre doenças têm sido eficazes.

 

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