Desfile do bicentenário inova, surpreende e emociona

Multidão acompanha em pé e aplaude festa de mais de 5 horas que misturou suíços, friburguenses e outros colonizadores
quinta-feira, 17 de maio de 2018
por Jornal A Voz da Serra

O bicentenário da fundação de Nova Friburgo foi comemorado em grande estilo. Teve tradição, mas também inovação. Teve surpresas. E teve muita emoção. Na manhã desta quarta-feira, 16, a Avenida Alberto Braune recebeu uma multidão desfilando e outra acompanhando, em pé, a apresentação, que durou mais de cinco horas e misturou  friburguenses, suíços e outros povos colonizadores da cidade.

A tradicional festa de aniversário foi ainda mais bonita este ano. Desfilaram cerca de 120 instituições, entre instituições de ensino, militares, associações, clubes, entidades e academias, totalizando cerca de dez mil componentes. O tempo ajudou, e o sol e calor deram um colorido extra à festa.

Com roteiro concebido pelo jornalista e colunista social de A VOZ DA SERRA David Massena, o desfile foi dividido em duas partes - militar e temática, e esta última dividida em cinco atos, que contaram a história da colonização de Nova Friburgo até os dias atuais.

Ao som do ronco de motores, motociclistas de diversas associações do município abriram o desfile temático,  representando a longa viagem dos suíços fugindo da Europa após a erupção do vulcão de Tambora e, consequentemente, da fome e da crise econômica instaurada no país europeu. Com bandeiras ao vento e vestidos a caráter, um grupo fez alusão aos portugueses e afro-descendentes, e o Colégio Anchieta mostrou a chegada da corte portuguesa ao Brasil.

Também na primeira parte do desfile, o público pôde conferir a travessia dos primeiros imigrantes suíços pelo Atlântico, com o Colégio Pontinha de Sol, e viu de perto a passagem da comitiva suíça, com autoridades do Legislativo, do Executivo e do corpo diplomático. A famosa banda Fanfare du College St. Michel, de Fribourg, vinda da Suíça especialmente para os 200 anos, também desfilou. Vários suíços também apresentaram tradições de seu país. A empatia com o público foi total.

No segundo ato, escolas, associações e outras entidades representaram o período histórico entre os anos de 1850 a 1900, época marcada por lutas, conquistas e efervescência cultural. Foi neste ato que algumas das principais forças econômicas do município foram ressaltadas: a agricultura e floricultura. Um pequeno trem Maria Fumaça também marcou esta fase do desfile, representando a memória ferroviária da cidade.

A industrialização e a modernidade foram os destaques do terceiro ato. A Casa da Espanha e o Colégio Nossa Senhora das Mercês passaram pela avenida retratando diversos pontos importantes das décadas de 1900 a 1950, como a instalação de indústrias no município. A presença libanesa também foi evidenciada, assim como o trabalho artesanal, a diversidade gastronômica e o carnaval.

A Associação dos ex-alunos, professores e servidores do Colégio Nova Friburgo da Fundação Getúlio Vargas abriu o quarto ato, cujo pilar foi a educação e seu poder transformador. A banda só de mulheres do Colégio Nossa Senhora das Dores arrancou aplausos do público. A escola fez um desfile com referências às vítimas da ditadura militar e rememorou os hippies de Lumiar. Outro destaque foi a representação da história dos desfiles de lingerie realizado pelo Sindvest e que encantou a todos. A apresentação da atlética do Cefet, com seus atletas dando saltos e sendo lançados ao ar, tirou o fôlego de quem assistia ao espetáculo. A animação dos alunos de jiu-jitsu do Projeto Solução e dos veteranos da Banda de Tambores do extinto Colégio Nossa Senhora das Graças também comoveu.

O quinto e último ato começou com a Associação das Colônias. Adolescentes que compõem o Câmara Jovem, projeto do Legislativo municipal, abriram caminho para o desfile de ex-presidentes da Casa. A Pestalozzi e a Afape emocionaram o público com seus alunos mais do que especiais. Em seguida, estudantes de várias escolas municipais trouxeram para a avenida a importância da sustentabilidade, inovação e o acesso à informação. O jornal A VOZ DA SERRA foi homenageado por uma delas. A festa terminou com o desfile de carros antigos, seguidos pelos ciclistas que pediram a construção de ciclovias na cidade.

Militares abriram o desfile 

O evento teve início por volta das 8h40, com o hasteamento das bandeiras da cidade pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Alexandre Cruz; do Rio de Janeiro pelo diretor do Sanatório Naval, o capitão-de-fragata José Roberto Gomes Corrêa Macedo; do Brasil pelo prefeito Renato Bravo; e da Suíça pelo presidente do Conselho Nacional da Suíça, Dominique de Buman.  Foram executados os hinos nacional, municipal e da Suíça com a banda sinfônica Campesina Friburguense, em frente à sede da prefeitura.

Após a solenidade de abertura com a passagem em revista das tropas, as autoridades seguiram para o palanque oficial, montado este ano em frente à antiga Rodoviária Leopoldina, onde assistiram ao desfile. Na primeira parte da festividade, passaram pela Avenida Alberto Braune as tropas da Marinha, com a Banda Marcial de Fuzileiros Navais, a Sociedade Amigos da Marinha Nova Friburgo (Soamar/NF), Tiro de Guerra, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e a Guarda Municipal. Todos muito aplaudidos pelo público.

Participaram da cerimônia autoridades militares, civis, eclesiásticas, deputados, secretários, vereadores e dos países amigos. O destaque foi o comitê suíço, com diversos representantes do Legislativo e do Executivo. Entre eles, o secretário-geral do Parlamento Federal Suíço, Philippe Schwab; o Conselheiro de Estado e vice-presidente do governo do Cantão de Fribourg, Jean-Pierre Siggen; o conselheiro de Estado do Cantão de Fribourg, Maurice Ropraz; o ministro e presidente do Governo da  República e do Cantão de Jura, David Eray; o deputado, presidente do Grande Conselho do Cantão de Fribourg, Markus Ith; o deputado, vice-presidente do Grande Conselho do Cantão de Fribourg, Roland Mesot; o deputado no Parlamento da Republica do Cantão de Jura, Jean-Daniel Tschan; o deputado e prefeito da cidade de Fribourg,Thierry Steiert; o prefeito de Châtel-St-Denis, Damien Colliard; o prefeito de Estavayer-Le-lac, André Losey; a conselheira comunal de Estavayer-le-lac, Marlis Schwarzentrub; e o prefeito de Pont-la Ville, Michel  Bapst.

Também prestigiaram o desfile o conselheiro-geral da cidade de Fribourg, Raphaël Fessler, e o corpo diplomático da Suíça no Brasil, formado pelo embaixador Andrea Semadeni, o cônsul-geral Rudolf Wyss e o cônsul-geral-adjunto Christophe Vauthey.

Protestos pelas calçadas

Durante o desfile, um grupo de aproximadamente 50 pessoas se reuniu para protestar nas calçadas da Avenida Alberto Braune contra o governo municipal. Com palavras de ordem como  “O desfile é aqui” e “200 anos pra quem?”, profissionais da educação e servidores públicos convocavam a população para aderir ao manifesto. Não tiveram muita adesão: o público preferiu continuar atento ao desfile. Além de reivindicar reajustes salariais, o grupo questionou o valor gasto com a contratação de shows de artistas para a festa dos 200 anos.

“A gente percebe que a cidade não se preparou para as comemorações quando o poder público não garantiu ao povo seus direitos básicos, como educação de qualidade, com materiais necessários, assim como outros setores que não estão atendendo a contento a população”, afirmou uma das integrantes do movimento.

“A nossa manifestação tem a preocupação de chamar atenção para os problemas mais graves. No Hospital Municipal Raul Sertã, por exemplo, não tem medicamentos e insumos básicos como álcool gel e papel higiênico. O profissional tem que gastar do próprio bolso para comprar essas coisas e o município é que deveria fornecer”, disse um manifestante.

Outro ponto que gerou muita reclamação foi a distância entre o palanque das autoridades e o público. “O prefeito está se escondendo do povo. Todo o acesso até o palanque está fechado. O desfile não é para o trabalhador, não é para o povo”, protestou um dos manifestantes. A Prefeitura explicou que o isolamento foi adotado por razões de segurança, devido à presença de chefes de Estado, seguindo protocolo internacional. 

 

 

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  • Atletas do Friburguense, o Frizão

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  • Alunas de escola

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  • Tropa sendo passada em revista

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  • No intervalo, calçadas lotadas

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  • Crianças fantasiadas de flor

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  • Jovens instrumentistas

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  • Uma das muitas crianças que desfilaram

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  • O público não arredou pé

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  • A mascotinha do Mercês

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  • Fantasias de todas as cores

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  • A tropa da PM marchando

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