Delator diz que houve propina nas obras do Terra Nova

Ex-executivo da Odebrecht contou que empreiteira pagou R$ 5 milhões para campanha do governador do Rio
segunda-feira, 17 de abril de 2017
por Alerrandre Barros
Foto de capa
Terra Nova (Foto: Henrique Pinheiro)

O ex-executivo da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, contou, em delação premiada, que a empreiteira pagou R$ 5 milhões em propinas das obras de construção do conjunto habitacional Terra Nova, no distrito de Conselheiro Paulino, em Nova Friburgo, para a campanha do governador Luiz Fernando Pezão. O pedido teria sido feito pelo ex-governador Sérgio Cabral. Pezão, porém, negou a acusação e afirmou que nunca recebeu recursos ilícitos. “As doações de campanha foram feitas de acordo com a Justiça Eleitoral”, informa a nota.

Benedicto detalhou aos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que Cabral convocou uma reunião no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, no início de 2014, quando solicitou doações para campanha do seu candidato, o então vice-governador Luiz Fernando Pezão. O delator disse que Cabral orientou que as doações fossem feitas através de “dívidas de propina” que o governador tinha em obras da Odebrecht em execução no estado.

A empreiteira efetuou pagamentos de R$ 20 milhões e 800 mil euros para campanha, segundo o delator. Os valores foram negociados de acordo com cada obra porque a empreiteira não pagava a proporção de 5% cobrada por Cabral nos contratos superfaturados. As planilhas entregues ao MPF trazem a palavra “Nova Friburgo”, e a quantia de R$ 5 milhões ao lado do codinome “Proximus”, como Sérgio Cabral seria chamado. O valor teria sido pago em setembro daquele ano, junto com outros pagamentos de propinas das obras no metrô do Rio. 

“Sequencialmente fez uma alocação de um projeto chamado ‘Nova Friburgo’ que eram casas que nós estávamos construindo de emergência lá na Serra no valor de R$ 5 milhões também no Rio de Janeiro”, disse Benedicto em depoimento aos procuradores. O áudio foi divulgado pela rádio CBN e confirmado por A VOZ DA SERRA.

Benedicto também contou que um operador da Odebrecht foi o responsável por realizar os pagamentos de R$ 20 milhões, em espécie, nos dois escritórios da agência responsável pelo marketing da campanha de Pezão, e para pessoas que não foram identificadas pelo delator. Os 800 mil euros teriam sido entregues através de uma transferência bancária no exterior para uma conta indicada por um sócio da agência. Benedicto Barbosa ainda afirmou no depoimento que nunca tratou do assunto diretamente com Pezão. A VOZ DA SERRA não obteve contato com a defesa de Sérgio Cabral.

Terra Nova

O conjunto habitacional Terra Nova tem 2.180 imóveis e foi construído pela Odebrecht, às margens da RJ-148 (Nova Friburgo-Carmo), para realocação das famílias que perderam suas casas na tragédia climática em janeiro de 2011, quando centenas de pessoas morreram e outras tantas ficaram desabrigadas ou desalojadas na cidade. Os últimos 220 apartamentos foram entregues às famílias beneficiárias às vésperas do Natal passado. 

No total, foram investidos cerca de R$ 292 milhões na construção do Terra Nova, sendo R$ 163,5 milhões do governo federal para as unidades e R$ 129 milhões do governo do estado para a desapropriação, doação e obras de infraestrutura. As intervenções incluíram a macrodrenagem da região e a canalização do Córrego dos Afonsos, que corta os condomínios até o centro comercial e industrial, em Conselheiro Paulino. 

Os primeiros apartamentos foram entregues em agosto de 2013. Os imóveis têm área construída de 42 metros quadrados e são compostos por sala, dois quartos, banheiro, cozinha e área de serviço, distribuídos em blocos com 20 apartamentos cada. O Terra Nova é dividido em oito condomínios. Os apartamentos foram entregues gratuitamente, mas o beneficiário só recebe a escritura definitiva dez anos após assinatura do termo de posse. O morador não pode alugar ou vender o apartamento antes do recebimento da escritura.

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