De costas para as ruas

terça-feira, 29 de maio de 2018
por Jornal A Voz da Serra

MOVIMENTO sem precedente na história recente do país, a paralisação dos caminhoneiros expôs de uma só vez – e de maneira dramática para a população – os inúmeros erros do governo de Michel Temer. O maior deles, talvez, seja justamente o distanciamento das ruas e, por conseguinte, a incapacidade de ouvir as vozes ecoadas a partir delas. 

HÁ UMA enorme insatisfação no ar e, assim como ocorreu em 2013, ela contamina diferentes setores da sociedade, ignorando as ideologias. Se o protesto era dos caminhoneiros quando foi desencadeado, agora não é mais. Fatores objetivos, como a piora real da qualidade de vida do brasileiro, levaram a maior parte da população do país a abraçar a causa.

INDEPENDENTE da origem das manifestações – logicamente as reivindicações por combustível mais barato e menos impostos atendem a empresários, mas também aos caminhoneiros autônomos e ao cidadão comum, há em curso uma crise imensurável de abastecimento, imobilizando o país e acumulando prejuízos financeiros a todos de forma nunca vista antes.

O GOVERNO Temer demorou a reconhecer seus erros, insistindo enquadrar uma gigantesca manifestação como uma “minoria de baderneiros”. Esse equívoco põe o país em risco. Ao dissimular dados, ameaçar retaliações com as Forças Armadas nas estradas, “mandar prender”, aplicar multas e criar versões na tentativa de esvaziar a paralisação, o Planalto provoca um efeito contrário: mais revolta e mais disposição para a continuidade e o apoio ao protesto dos caminhoneiros. 

AS OPÇÕES do governo em priorizar o mercado a todo e qualquer custo chegaram ao limite. Não dá mais para sufocar a economia popular e ignorar a base da pirâmide. A cadeia produtiva do país depende do grande, do médio e do pequeno empresário, mas, principalmente, do trabalhador.

ESTRADAS paradas são como veias entupidas. Diagnósticos incorretos e medicamentos paliativos não salvarão o país. 

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