Dante Laginestra: a rua que lembra um dos políticos de maior prestígio de Friburgo

Ex-prefeito e líder do PSD na região também foi deputado estadual por quatro mandatos seguidos
segunda-feira, 05 de março de 2018
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Foto de capa

Dante Laginestra foi um dos políticos de maior prestígio de Nova Friburgo. Líder do PSD na região, tinha grande influência junto à Presidência da República, sobretudo durante o governo de Getúlio Vargas. Prefeito nomeado de Nova Friburgo entre 3 de dezembro de 1935 e 25 de dezembro de 1946, posteriormente, Laginestra foi eleito para o período de 1947 a 1951, e depois, deputado estadual por quatro mandatos seguidos, sempre pelo PSD.

Uma de suas importantes contribuições para o desenvolvimento do município foi a construção da represa e adutora do Debossan, que até hoje abastece de água parte do município. Tal obra foi determinante para liquidar as constantes epidemias de tifo que assolavam a cidade. Seu empenho em prol da melhoria da qualidade de vida da população friburguense, favoreceu também a já expressiva e articulada colônia italiana aqui radicada, formada por seus imigrantes.

Com a carreira política em ascenção, o então prefeito Dante Laginestra e um grupo de amigos e correligionários do PSD, fundou, em 7 de abril de 1945, o jornal A VOZ DA SERRA, para dar sustentação política à sua candidatura e ao seu partido; no nível estadual, o jornal defendia os interesses do então interventor Amaral Peixoto. Inicialmente, o jornal tinha caráter partidário e sua circulação seria suspensa após o período eleitoral, todavia, a aceitação do novo jornal foi tão grande que passada a eleição, seus responsáveis decidiram manter o semanário.

Dante Laginestra foi casado com dona Maria Duque Estrada Laginestra, seu braço direito por toda a vida, com quem teve 5 filhos. Em sua homenagem foi dado seu nome a uma das principais ruas transversais à Praça Getúlio Vargas, no centro de Nova Friburgo.

Pano de fundo

A ditadura do Estado Novo ia chegando ao fim e a nação, depois de anos mergulhada na censura, exigia eleições livres. Neste cenário surgiram os três grandes partidos políticos do Brasil: o PSD (Partido Social Democrático), a UDN (União Democrática Nacional) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).

O PSD fluminense, tendo como chefe supremo Ernani do Amaral Peixoto, delibera, então, fundar um diretório em Nova Friburgo, sob a liderança do prefeito Dante Laginestra. Para divulgar os ideais do partido junto ao eleitorado, era preciso dispor de um meio de comunicação, que seria seu órgão oficial. Assim, foi organizada uma sociedade por cotas – que não chegou a ser legalizada – com a participação de membros do partido.

O professor José Côrtes Coutinho listou os nomes dos fundadores: Dante Laginestra, José Pedro Ferreira, Carlos Côrtes, Messias de Moraes Teixeira, Carlos Magno de Mello, Jerônimo Mário de Azevedo, Amâncio Azevedo, Joaquim Pereira Bispo, Antônio Folly, Carlos Alberto Braune, Silvio Henrique Braune, Juvenal Marques, Odílio Quintaes e Américo Ventura Filho.

Naquele tempo, Nova Friburgo era uma pequena e bucólica cidadezinha de interior, com uma população em torno de 25 mil habitantes. Em sua primeira edição, o jornal ostentava o slogan: “Semanário independente”. O editorial estampado na primeira página reafirmava que o jornal seria "o intérprete com precisão da alma de nossa gente, o eco de suas aspirações, o veículo de seus anseios".

O novo semanário, com quatro páginas e 18 anúncios, trazia uma análise profunda dos acontecimentos políticos da cidade e do país. Como diretores, constavam os nomes de José Côrtes Coutinho e Juvenal Marques. Nas primeiras edições, o jornal publicou quase que exclusivamente notícias nacionais e esportivas, com muito texto, pouquíssimas fotos e alguns raros desenhos. Assim seguiu pelos próximos anos.

Até que, em 1953, A VOZ DA SERRA estava prestes a encerrar suas atividades. Foi então que Américo Ventura Filho decidiu adquirir as cotas da pequena editora e passou a responder oficialmente por ela. O jornal, então instalado na Rua General Pedra, 21 (atual Rua Dante Laginestra), deixou de ser um órgão do partido, embora continuasse seguindo a linha pessedista, de acordo com a ideologia de seu diretor. Combativo por índole, honesto por formação, foi ele o cérebro e a alma do jornal durante 20 anos, até 1973, quando faleceu. Assumiu, então, seu filho mais velho, Laercio Rangel Ventura.

 

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