Críticas de filmes do Festival Varilux de Cinema Francês

Confira a opinião do produtor e crítico de cinema do jornal, Leo Arturius
terça-feira, 13 de junho de 2017
por Leo Arturius
Foto de capa

 

Frantz

2016 – 1h 53min – França

Roteiro e Direção: François Ozon

Elenco: Pierre Niney, Paula Beer, Ernst Stötzner  , Marie Gruber e Cyrielle Clair

Classificação indicativa: 12 anos

 

O emblemático diretor francês François Ozon faz seu remake surpreendentemente belo do filme Não Matarás (Broken Lullaby – 1932) de Ernst Lubitsch, usando-o como um trampolim para uma visão mais profunda da alienação e do sofrimento. Impossível negar a incrível sofisticação narrativa que torna esta história tocante e acima da média, estamos diante um filme não convencional com "Frantz".

 

Grande parte do filme se passa na pequena cidade de montanha alemã de Quedlingburg. "Frantz" ocorre em 1919, onde uma jovem chamada Anna (Paula Beer) chora silenciosamente a morte de seu noivo chamado Frantz, que morreu no campo de batalha da primeira guerra mundial. Com seus pais igualmente deprimidos, passa a maior parte do tempo se defendendo das cantadas de outro homem local e visita constantemente o túmulo do amado. É aqui que ela encontra o misterioso Adrien Rivoire (Pierre Niney), que afirma ser amigo de Frantz de longa data de Paris, mesmo que ninguém tenha ouvido falar dele.

 

Ozon cria em cada cena uma arte esplêndida, extremamente bem enquadrada e deslumbrante. Enquanto o cenário lírico preto e branco dá a muitas cenas uma solidão aumentada, a escala de cinza geralmente desaparece para colorir durante momentos mais eufóricos, aqueles em que as personagens conseguem escapar de sua tristeza profunda. Isso ocorre mais significativamente quando Adrien e Anna realizam um dueto musical, um lindo momento para desenvolver a história de maneira que as palavras não conseguem capturar. É um dispositivo delicado o suficiente para avançar o roteiro.

 

O filme segue um enredo tão sinuoso que nem todos os detalhes se mantêm juntos, e certas possibilidades tentadoras sobre o passado de Adrien são subdesenvolvidas. A missão de Anna tende a se ter um fim emocional, e, no entanto, a história persistente nas possibilidades que nunca tomam forma. O cineasta tem trabalhado com muitos gêneros ao longo dos anos e em diferentes escalas, exceto para blockbusters, mas "Frantz" reduz sua habilidade para um olho afiado para interações sutis e os significados mais profundos que não são ditos. Um filme melancólico de beleza estonteante.

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Rodin

2017 – 1h 59min – França

Roteiro e Direção: Jacques Doillon

Elenco: Vincent Lindon, Izïa Higelin, Zina Esepciuc e Séverine Caneele

Classificação Indicativa: 12 anos

O emblemático escultor Auguste Rodin tem sua vida representada no cinema, o suficiente para que possamos entender sua genialidade e de onde surgiram suas inspirações. No filme “Rodin” de Jacques Doillon, o personagem já está com fama e sendo convidado a esculpir para as principais instituições e indivíduos da França. Suas criações estão entrelaçadas no envolvimento sexual com as modelos sem o menor discernimento, e ainda se comportar como “macho alfa” com sua esposa.

O roteiro se inicia em 1880, quando Rodin (Vincent Lindon) completa 40 anos, e recebe sua primeira encomenda pública para criar seu famoso portal inacabado, Porta do Inferno, baseado na literatura Inferno de Dante Alighieri. A história segue o gênio escultor durante aproximadamente três décadas, embora o ator não parece envelhecer. Durante esse período, vemos o artista no trabalho em várias obras de arte de uma só vez, desde Os Burgueses de Calais até O Beijo, além de retratos dos literários Victor Hugo e Honoré de Balzac - a última peça que ocupou quase uma década da vida de Rodin. Hoje exposto em museu a céu aberto no Japão.

As magníficas esculturas de Auguste Rodin evocam sentimentos de paixão, êxtase, sofrimento profundo, pensamento intenso e talvez acima de tudo, movimento perpétuo ao infinito. A partir dessa complexidade, o ator nos entrega desempenho fisicamente intenso, reduzido pela série de diálogo risível e cansativo do filme. Rodin, na melhor das hipóteses, fornece informações sobre os métodos de trabalho do grande artista, com a equipe de Design de Produção recriando convincentemente alguns dos suas peças mais famosas.

Enquanto isso, Rodin manipula sem escrúpulos sua amante e principal pupila, Camille Claudel, que aos poucos perde o encanto e se livra da sombra do escultor. Um Rodin contemplativo na solidão esculpida nas catedrais, aprendendo a observar nuvens e, antes que alguém possa detê-lo, Rodin realmente abraça uma árvore em busca de inspiração. Sem a presença de Claudel, Rodin fica louco, seduzindo as modelos como bem entender. Até um ménage à trois surge sem a menor coerência com o roteiro, em nada acrescenta.

Mas o resto do filme tenta dramatizar a vida de Rodin sem sucesso, com uma série de cenas domésticas bastante ridículas, ainda com cenas rápidas de alguns dos artistas e escritores mais famosos da França (Paul Cézanne, Claude Monet, Émile Zola, Octave Mirbeau). Tudo é bastante cansativo e não bem elaborado, apesar da imensa paixão que Rodin em seu trabalho (bem como na sua vida sexual) e, em última instância, o escultor encontra caminhos para que suas criações falem por si mesmas. Para um filme destinado a defender os poderes da arte tridimensional, Rodin termina sendo unilateral, um simples retrato da vida do artista.

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Um Instante de Amor (Mal de pierres)

2016 – 2h – França

Direção: Nicole Garcia

Roteiro: Nicole Garcia e Jacques Fieschi

Direção de Fotografia: Christophe Beaucarne

Elenco: Marion Cotillard, Louis Garrel e Alex Brendemühl

Classificação Indicativa: 14 anos

Somos seres humanos, não seres exatos. A partir da complexidade das múltiplas inteligências as relações humanas são concebidas com intensidades diferentes. O contato com o filme “Um Instante de Amor” nos leva ao questionamento dos diferentes amores construídos durante a trajetória de nossas vidas. Por vezes programada, outras por conta do enigmático acaso.

O filme Um Instante de Amor é baseado no romance de mesmo nome de Milena Agus e segue uma francesa (Marion Cotillard) no pós-Segunda Guerra Mundial na Europa que está dividido entre o homem que ela teve que casar (Àlex Brendemühl) e um veterano de guerra encantador (Louis Garrel). Gabrielle luta por seu sonho de encontrar o amor verdadeiro - um ato que é considerado escandaloso em sua pequena cidade no sul da França.

Cotillard interpreta uma mulher intensa e capaz de ir atrás do que deseja, mas a decepção ao não ser respondida, como deseja, faz com que seus sentimentos sejam levados à flor da pele. Uma pessoa contraditória como realmente somos, que da mesma maneira que demonstra força para tentar agarrar o que deseja, apresenta fraqueza ao aceitar um casamento imposto pelos pais.

O roteiro de Nicole Garcia e Jacques Fieschi é impecável, o desenvolvimento da personagem principal e coadjuvantes é sublime, ao ponto de se tornar referência para estudos. Reviravoltas de deixar o espectador de boca aberta. A peculiaridade do filme fica por conta das poucas inserções de música, pontuais e muito bem inseridas, a vida sendo representada como ela é sem tentativa de manipulação dos sentimentos. A imagem fala por si. A composição estética do quadro é louvável, por muitas vezes desejei pausar a projeção para contemplar por mais tempo. A direção de Nicole Garcia é primorosa, sua sensibilidade para o desenvolvimento dos arcos narrativos e posicionamento de câmera são impecáveis. A cineasta conseguiu extrair da Marion excelente interpretação e amadurecimento de personagem ao longo do filme, cenas que reposiciona a atriz como merecedora de mais prêmios.

O cinema francês tem por mérito o desprendimento da moral conservadora na filmagem dos corpos humanos, e mais uma vez assistimos um filme capaz de naturalizar aquilo de mais normal na vida, a nudez. Seja Gabrielle desejando o professor em seus pensamentos, ou a concretude do amor na cena de sexo.

Festival Varilux de Cinema Francês nos proporciona o cinema para além da diversão, algo que nos faz permanecer sentado na sala durante os créditos finais e refletir. Este filme participou da Mostra Competitiva de Cannes em 2016, concorreu a cobiçada Palma de Ouro.

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A Viagem de Fanny (Le voyage de Fanny)

2016 – 1h 34min – França/Bélgica

Direção: Lola Doillon

Roteiro: Lola Doillon e Anne Peyrègne

Elenco: Léonie Souchaud, Fantine Harduin, Juliane Lepoureau, Ryan Brodie, Anaïs Meiringer, Lou Lambrecht e Igor van Dessel

Classificação Indicativa: Livre

Em 1943 durante a Segunda Guerra Mundial, Fanny Ben-Ami, de 13 anos, liderou um grupo de crianças judaicas através da França ocupada pelos nazistas. Ela disse as outras crianças que, apesar de não conhecer todos eles, tinham que segui-la se quisessem viver. Sem adultos, seu objetivo era alcançar a Suíça, onde esperavam encontrar um santuário e sobreviver à guerra. As crianças não tinham ideia dos campos de concentração, apenas que aqueles da fé judaica foram enviados para "o lugar sem retorno".

O filme é um pedaço convincente do período, que retrata os eventos através dos olhos de seus jovens protagonistas, abordagem pouca explorada no cinema. No entanto, apesar dos esforços de atuação das crianças, o resultado final fica aquém, o horror da guerra está fora da tela e somos forçados a preencher as lacunas com conhecimentos gerais. Além disso, o excesso de lirismo forçado prejudica a naturalidade do rumo da história.

O impressionante fica por conta de Pierre Cottereau, diretor de fotografia. Sua perspectiva combina com o ponto de vista das crianças e enfatiza a necessidade do enquadramento fechado em espaços claustrofóbicos. O figurino permanece incrivelmente limpo e intacto o filme todo, o que se torna incoerente, pois as crianças passam vários dias com a mesma roupa dormindo nos lugares mais desagradáveis e imundos possíveis.

Um filme ficcional com uma mensagem clara: os judeus sofreram atrocidades no passado, mas não devem ser esquecidas para que outras não se repitam. Elemento extremamente importante devido o período histórico em que vivemos, ao observarmos a atual crise mundial de refugiados.

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Tal Mãe, Tal Filha (Telle mère, telle fille)

2017 – 1h 34min – França

Direção: Noémie Saglio

Roteiro: Agathe Pastorino e Noémie Saglio

Elenco: Juliette Binoche, Camille Cottin, Lambert Wilson e Catherine Jacob

Classificação Indicativa: 12 anos

"Tal mãe, tal filha", de Noémie Saglio, uma comédia supostamente romântica. O cineasta tem a tarefa de conduzir a excelente atriz Juliette Binoche em um filme de gênero, mas o resultado é insatisfatório, um filme morno e sem ritmo. As poucas piadas são sem graça e as situações, que deveriam ser engraçadas, se tornam constrangedoras. Algumas piadas chegam a ser de mau gosto.

Juliette interpreta Mado, uma quarentona mãe de Avril (Camille Cottin) que está desempregada, divorciada do marido, o famoso maestro Marc Daursault (Lambert Wilson) e mora com a sua filha e seu genro. Avril anuncia que está grávida, fato que irrita profundamente a mãe, que não desejava ser avó tão jovem. Para piorar a situação, Mado fica desnorteada e tem uma noite de relação amorosa com seu ex, para a surpresa de todos também fica grávida, mas esconde de sua filha quem é o pai do bebê.

Tecnicamente o filme atende as necessidades do gênero, muitas cores e trilha sonora comum. O elenco procura ir além do humor estranho do filme, que ora vai para o caricato ou para pastelão, difícil entender o que se pretende.

Juliette Binoche é uma atriz incrível, seu talento dispensa apresentações, o que se lamenta é o filme não ter aproveitado sua presença para além de sua beleza. A personagem de sua filha é antipática, incomoda e não parece se encaixar com o restante do elenco. Uma comédia que não consegue fazer a plateia gargalhar.

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Na Cama com Victoria (Victoria)

2016 – 1h 37min – França

Roteiro e Direção: Justine Triet

Elenco: Virginie Efira, Vincent Lacoste e Melvil Poupaud

Classificação indicativa: 14 anos

Esta comédia-romântica funciona como uma sátira de uma mãe solteira a procura de um equilíbrio entre sua vida profissional e sua vida amorosa. A atriz Virginie Efira está surpreendentemente natural em seu papel Victoria Spick, por vezes parece descompromisso, mas não é, com o passar do tempo entendemos seu comportamento como excelente construção de personagem. Victoria revela suas obsessões como mãe de duas meninas e advogada criminal, em busca de superar as dificuldades e encontrar equilíbrio entre sua carreira e sua vida amorosa.

A cineasta Justine Triet explora as questões comuns do dia a dia, o trabalho e a família, e o quanto esses dois aspectos da vida ainda não conseguem ter harmonia na França. E mais, podemos muito bem ver um retrato de um país completamente deprimido que vive do passado glorioso. Mas, além disso, a diretora busca referências nos grandes cineastas Billy Wilder (Crepúsculo dos Deuses) e Howard Hawks (Os Homens Preferem as Louras), que ela não hesita em mencionar e revisitar.

O filme constrói uma estética diferente, em momentos utiliza a câmera na mão, no outro, câmera no tripé completamente estabilizada. A câmera se torna elemento presente nas cenas. O roteiro é cativante a partir dos seus diálogos, mais rítmico como exigido pelo gênero, mistura as farsas da vida - amizade, amor, justiça - num debate em torno das dúvidas contemporâneas. Victoria representa muito mais do que aparenta, ela pode ser a nossa auto-análise sobre a vida saudável e segura, onde todos estão sob pressão e medicamentos, álcool ou várias drogas.

Na Cama com Victoria foi selecionado para a “Semaine de la Critique du Festival de Cannes” em 2016, mostra paralela do festival, e sua recepção foi calorosa.

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Uma Agente Muito Louca (Raid dingue)

2016 – 1h 45min – França

Direção: Dany Boon

Roteiro: Dany Boon e Sarah Kaminsky

Elenco: Alice Pol, Dany Boon, Michel Blanc, Yvan Attal e Sabine Azéma

O Brasil não é o único país a investir em comédias pastelão ausente de conteúdo, a França passa pela mesma crise criativa em relação ao gênero. “Uma Agente Muito Louca” atraiu mais de um milhão de espectadores em apenas uma semana em cartaz, considerado grande sucesso de bilheteria nos cinemas.

A popularidade do filme é, sem dúvida, devido à sua decisão de aderir a uma fórmula já experimentada - um enredo simples e previsível destinado às famílias. O papel principal fica por conta da atriz Alice Pol, como Johanna Pasquali, uma recrutadora de trainee desajeitada da força de polícia da elite (RAID) da França. Dany Boon é o diretor do filme e assume o papel de Eugène Froissard, realiza um oficial melancólico da RAID encarregado de treinar os novos recrutas.

Por muitas vezes o roteiro apresenta machismo ao fazer piada com Johanna, principalmente ao evidenciar as falhas dela em cada tentativa de realização das tarefas por ser mulher. Enquanto Eugène representa o “macho” que consegue tudo e reforça a inadequação das mulheres para a força de elite francesa. A utilização do humor como justificativa não cabe, e pior, quando se percebe na plateia muitos risos. O ridículo não para, em certo momento os homens se vestem de mulher para extrair supostas risadas.

Dada a situação tensa na França depois de vários ataques terroristas, o cineasta consegue fazer algumas escolhas de bom senso, dando ao público uma visão do trabalho perigoso do RAID. Mantendo a comédia, na maior parte do tempo, centrada em torno da nova recruta e seu relacionamento com Eugène. O filme perde força aos poucos e se demonstra incapaz de apresentar alguma coisa nova, sejam as questões de gênero, as políticas sobre o terrorismo ou mesmo agregar valor a história do cinema.

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O Reencontro (Sage femme)

2017 – 1h 57min – França

Roteiro e Direção: Martin Provost

Elenco: Catherine Deneuve, Catherine Frot, Olivier Gourmet e Quentin Dolmaire

Classificação indicativa: 12 anos

Escrito e dirigido por Martin Provost, o filme se concentra em Claire (Catherine Frot), uma parteira talentosa e gentil que recebe um telefonema inesperado de Béatrice (Catherine Deneuve), ex-amante de seu pai.

Claire é parteira numa maternidade local, muito profissional e talentosa, trabalha a noite e dorme de dia. Não bebe, não fuma, não se excede em conversas e foge de conflitos, mas exerce uma profissão bonita e fundamental nas nossas vidas, a partir de suas mãos chegamos ao mundo. Para ficar clara a importância desse trabalho, numa cena, apreciamos o vínculo emocional entre uma mãe que dá à luz e a parteira, bonito de se ver e extremamente tocante.

Béatrice é uma socialite em decadência que não perde a pose, e após triste diagnóstico de doença tenta se conectar com sua família mais próxima, mesmo ausente por três décadas - a filha de um namorado de 30 anos antes, Claire. A presença de Deneuve engrandece demais ao filme, sua atuação impressiona e seus olhos dizem muito de sua personagem. A longevidade de sua carreira não é a toa, sem dúvida seu melhor desempenho dos últimos anos.

O filme carece de melhor montagem, poderia ser menor, mas o visual é mais do que compensatório e a interação humana é extremamente rica, as duas atrizes fazem um par coeso e sustentam o filme. Uma homenagem à vida, mas também a bela história de duas mulheres singulares e fortes.

Infelizmente o título do filme no Brasil é simplório, em francês, o termo “sage femme” pode ter dois significados. Diz respeito à profissão de parteira, exercida há décadas por Claire em hospitais públicos de Paris, ou “mulher sábia”, expressão que também se encaixa muito bem à personagem prudente e reservada. Os dois sentidos seriam melhor do que “O Reencontro”. A estreia mundial do filme foi realizada na 67ª edição do Festival Internacional de Berlim neste ano.

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Perdidos em Paris (Paris pieds nus)

2016 – 1h 23min – França

Direção: Dominique Abel e Fiona Gordon

Roteiro: Dominique Abel e Fiona Gordon

Elenco: Dominique Abel, Fiona Gordon e Emmanuelle Riva

Classificação Indicativa: 12 anos

O filme é centrado em Fiona (Fiona Gordon) e Dom (Dominique Abel), os realizadores e atores do filme, numa história excêntrica de amor. Fiona, uma bibliotecária canadense de uma pequena cidade, recebe uma carta angustiada de sua tia Martha, de 88 anos, moradora de Paris. Fiona pega o primeiro avião rumo à França, e ao chegar, descobre que sua tia desapareceu. Em uma avalanche de desastres engraçados, ela conhece Dom, um sedutor egoísta sem-teto que não a deixa sozinha. A história divertida agita a vida de três pessoas peculiares perdidas em Paris.

Um filme de gags inteligentes, recheado de referências de Charlie Chaplin a Jacques Tati. Aproveita o material original sem reinventá-lo, mas o estilo cinematográfico é respeitado com muita sinceridade. “Perdidos em Paris” torna-se um romance gentil sobre solitários com uma tendência a palhaçadas propensas a desastres, mas o argumento frágil proporciona os cineastas a liberdade na criação visual do humor, que na melhor das hipóteses imita Jacques Tati, sem nenhuma timidez, ao transformar o ambiente em personagem.

A aparição da estonteante atriz francesa Emmanuelle Riva (Amor) em um papel de apoio sugere que os cineastas estão indo além de suas próprias palhaçadas. Riva, enquanto isso, entrega alguns momentos agradáveis ​​em suas entradas e saídas da história, encontrando seu próprio romance recheado de problemas com um sorriso malicioso. Uma interpretação bem diferente da apresentada no filme “Amor”.

Perdidos em Paris será exibido nesta sexta-feira, 9, às 14h30, no Cine Show do Cadima Shopping. Classificação etária 12 anos.  

CONFIRA AQUI A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO FESTIVAL VARILUX DO CINEMA FRANCÊS

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