Consumidor já sentiu no bolso o aumento do combustível

Em Nova Friburgo, taxista que costumava encher o tanque com aditivada colocou nesta segunda menos de um quarto
segunda-feira, 24 de julho de 2017
por Guilherme Alt
Foto de capa
O BR da Avenida Euterpe, um dos que vendem a gasolina mais cara (Foto: Henrique Pinheiro)

"Eu abasteço todos os dias e costumo colocar a gasolina aditivada. Hoje (ontem, 24) quando abasteci senti a diferença. A intenção era encher o tanque, mas, com o aumento do preço, eu coloquei menos de um quarto”, diz Denilson Amaral, que é taxista.

Nesta segunda-feira, 24, a equipe de reportagem de A VOZ DA SERRA voltou a conferir, aleatoriamente, oito postos, entre o Centro e os bairros Olaria, Duas Pedras e Ypu. Os preços, que desde sexta-feira, já haviam sofrido reajuste, e acima do esperado, depois que o governo federal autorizou o repasse do aumento da incidência de impostos sobre combustíveis, continuavam com variações de quase 10%. Alguns postos nem esperaram a chegada dos novos caminhões e alteraram o valor do combustível adquirido antes do reajuste.

“Achei um absurdo. Já é um abuso esse aumento. O combustível já é bastante caro, o preço muda e antes de comprarem o combustível novo já repassaram esse reajuste. O consumidor sempre é o mais prejudicado”, revolta-se o contador Jair Mattos.

Considerando apenas a gasolina, combustível mais vendido, e apenas nos postos com bandeira, de procedência teoricamente mais confiável, a diferença de preço chegava a 0,8% nesta segunda-feira, 24,, o que, refletido num tanque cheio de 55 litros, podia gerar uma economia (ou prejuízo) de R$ 59,82.

A gasolina mais barata entre os postos com bandeira foi encontrada no Shell de Bela Vista, R$ 3,99 o litro. Mas o preço não durou muito. Ainda na tarde de sábado, 22, o preço da gasolina ali aumentou para R$ 4,29. Já a mais cara, a R$ 4,34, o litro, foi encontrada em dois postos de diferentes bandeiras: o BR da Avenida Euterpe Friburguense e o Shell do Bairro Ypu. A discrepância entre os preços pode resultar numa diferença de cerca de R$ 60 em um tanque cheio de 55 litros.

“Eu dei sorte. Abasteci na quinta-feira, 20, à noite, mas, como eu rodo muito com o carro, já tive que abastecer de novo. Agora que estou vendo o real impacto do novo preço”, conta Bruna Alves.

Com o reajuste autorizado pelo governo federal, a expectativa era que a gasolina vendida em Nova Friburgo chegasse a no máximo R$ 4,21, com base na média apurada pelo site da Associação Nacional de Petróleo (ANP). Ou seja, R$ 0,13 mais barata do que a que está sendo vendida atualmente pelos postos que cobram mais caro.

Com a decisão do governo federal, o PIS/Cofins incidente sobre a gasolina mais que duplicou, passando de R$ 0,38 para R$ 0,79 por litro. A Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) incidente sobre as operações realizadas com combustíveis também deve aumentar, mas a equipe econômica de Temer ainda avalia a medida a ser tomada. Isso porque a nova alíquota levaria três meses para entrar em vigor e a receita proveniente desse aumento teria que ser repartida entre os estados.

 

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