Comerciantes plantam mudas às margens do Rio Bengalas

Iniciativa vem chamando atenção e recebendo elogios de quem passa pelo local. Paisagista alerta para risco de pé de abacate danificar calçamento
quarta-feira, 09 de agosto de 2017
por Dayane Emrich

Do balcão de sua loja, situada na Avenida Governador Roberto Silveira, o comerciante José Paulo de Andrade, de 73 anos, observa o passar dos carros, o vai e vem de pessoas, às margens do Rio Bengalas e, agora, as mudas que plantou. No local há 41 anos, ele se diz saudoso da época em que flores e muitas árvores ajudavam a compor a paisagem. Sua iniciativa tem sido motivo de muitos elogios.

As mudas, um total de dez, foram plantadas há cerca de 40 dias. São pés de ameixa, abacateiros e coqueiros, além de duas jardineiras, que foram colocadas em um dos pontos de ônibus da avenida. “Antes das obras do rio -- necessárias e muito bem-vindas, por sinal -- a pista era cheia de árvores e eu sinto falta desse verde espalhado pela cidade. Acho que cada um deve fazer a sua parte e contribuir da forma que pode para deixar a cidade mais bonita”, conta José Paulo, acrescentando: “O povo gostou. Muita gente para aqui pra ver, outros perguntam quem fez e parabenizam”, orgulha-se.

É o caso da aposentada Marly dos Santos, de 73 anos que ficou entusiasmada com as mudas. “Ficou muito bonito. Sou apaixonada por plantas e  flores e acho que se mais pessoas fizessem o mesmo, a avenida ficaria linda. Imagina depois que elas florescerem ou derem fruto. Quem plantou está de parabéns!”, falou.

José Paulo conta que é a segunda vez que planta as mudas. “Da outra vez, alguém, durante a noite, arrancou as plantinhas e jogou no rio. Acho uma pena, porque isso aqui é para todos, não só para mim. Quando estiverem maiores elas servirão como sombra, além de dar frutos”, relata ele, enquanto rega uma das mudas.

Para o comerciante José Carlos Martins, de 54 anos, que também contribuiu com a construção de cercas ao redor das plantas e com a doação de um jardim suspenso, cada um deve fazer o que estiver ao alcance para tornar os espaços coletivos mais agradáveis. “A gente não deve esperar pelo poder público e os políticos. O que for possível, devemos fazer. Aproveitei que estava com a mão na massa e fiz também um banco para pôr aqui no ponto, já que é uma reclamação de quem espera pelo transporte público no local. Fizeram um projeto de obra e esqueceram de incluir bancos nos pontos de ônibus”, disse José Carlos.

Apesar da iniciativa das plantas ser positiva, é importante ressaltar que nem todas as espécies são possíveis de serem plantadas na beira do rio, por exemplo. Segundo o paisagista Felipe Dominguez, é preciso estudar a escolha das mudas. “Para aquela área, especificamente, o coqueiro e o pé de ameixa não são um grande problema, mas o pé de abacate, no entanto, cresce muito e pode danificar o calçamento. O espaçamento entre as plantas é outro quesito que deve ser observado”, adverte.  

Ainda de acordo com Felipe, antes de plantar algo em espaços públicos é necessário fazer um projeto junto a prefeitura. “É preciso fazer um estudo da área, um planejamento ordenado e a escolha certa da muda a ser plantada. O mais indicado para aquela área, por exemplo, são as palmeiras”, explicou.

 

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