Chefe de enfermagem agora comandará o Raul Sertã

Além de subsecretária executiva, Huguenin já escolheu diretora administrativa e deve anunciar novos nomes
quinta-feira, 04 de janeiro de 2018
por Alerrandre Barros
Foto de capa

O novo secretário municipal de Saúde, Christiano Huguenin, confirmou nesta quinta-feira, 4, o nome de Ana Luzia Alves Monteiro, de 54 anos, para a direção-geral do Hospital Municipal Raul Sertã. Ela é enfermeira e, antes de assumir o novo posto, foi diretora de enfermagem da unidade, onde trabalha há cerca de 27 anos.

Outro nome anunciado pelo secretário foi o da advogada Iamara de Moura Silva, que volta ao cargo de diretora administrativa do Raul Sertã. Ela já havia ocupado o cargo até outubro, quando foi exonerada. As nomeações ainda precisam ser publicadas no Diário Oficial do município.

Nesta quinta-feira Huguenin disse que deve divulgar outros nomes até o fim da semana, já que na quarta-feira, 3, exonerou toda a direção do hospital. No total, foram afastadas 23 pessoas de cargos de confiança, nomeados pela cúpula anterior na pasta, que foi substituída por ordem judicial. Duas ex-secretárias são acusadas de fraudar um contrato de serviços de esterilização.

Huguenin justificou a mudança no comando do hospital dizendo que a nova gestão precisa se cercar de profissionais de sua própria confiança, que tenham autonomia para tomar medidas duras à frente da unidade. Sua intenção, afirmou, é preencher a maior parte dessas vagas com funcionários concursados, que fizeram carreira no hospital.

O novo secretário lembrou que ele mesmo já foi funcionário do HRS: ali ele teve o primeiro emprego de carteira assinada, em 1997, trabalhando na cozinha, com estoques, e depois na portaria, enquanto cursava faculdade na Candido Mendes. "Era só atravessar a rua", lembrou. Ele disse que quer manter seu gabinete aberto para ouvir as queixas da população: "Não vou gerir a saúde com base na caneta", afirmou.

Huguenin disse ainda que não vai tolerar médicos que faltem a plantões sem aviso prévio, mesmo os que recebem por RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo). Segundo ele, eventuais atrasos no pagamento não justificam ausência nos plantões, e todos os casos serão denunciados ao Conselho Regional de Medicina.

Na terça-feira, 2, o novo secretário já tinha anunciado uma nomeação técnica: a da advogada Tânia Trilha, especialista em controle e gestão de recursos e processos licitatórios, como nova subsecretária executiva de Saúde. Coordenadora do curso de Direito da Universidade Candido Mendes em Nova Friburgo, Tânia já foi secretária municipal de pastas como Fazenda, Educação, Infraestrutura e Logística, em gestões passadas.

Fraude em licitação

Huguenin assumiu a Saúde logo após o Natal, no lugar de Suzane Oliveira de Menezes, afastada do cargo de secretária, juntamente com sua subsecretária-executiva Michelle Silvares Duarte de Oliveira, por ordem da Justiça Federal. Sua primeira medida foi transferir o gabinete para dentro do Raul Sertã e melhorar os acessos ao hospital, recapeando buracos no estacionamento.

O afastamento se deu durante a “Operação Esterilização” da Polícia Federal deflagrada em 20 de dezembro. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam fraude no contrato da prefeitura com a empresa Bioxxi Serviços de Esterilização, no valor de R$ 780 mil, para esterilização, por ciclos de vapor, de materiais médico-hospitalares para o hospital e a maternidade, pelo prazo de 180 dias, de 10 de agosto de 2017 com término em 5 de fevereiro de 2018.

Alvos da operação, a secretária e a subsecretária são investigadas pelos crimes de dispensa fraudulenta de licitação, peculato e corrupção passiva. A contratação da Bioxxi foi realizada depois que a Vigilância Sanitária Estadual interditou, em junho de 2016, a Central de Materiais e Esterilização (CME) do Hospital Raul Sertã, atendendo a uma solicitação do Ministério Público Estadual. O MP recebeu denúncia de médicos-cirurgiões que se recusaram a operar sob circunstâncias que, segundo eles, poderiam elevar a incidência de complicações operatórias infecciosas nos pacientes. Os atendimentos na unidade caíram pela metade. Após obras da prefeitura, que custaram cerca de R$ 20 mil, a CME voltou a funcionar há duas semanas.

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