A casa de bamba onde é só chegar, tocar e cantar

Nos encontros dos Amigos da Música, a cada 15 dias no Bar Abdalla, tem músico de 80 anos e bebê de 8 meses
segunda-feira, 04 de dezembro de 2017
por Alerrandre Barros
Foto de capa
A roda de sama dos Amigos da Música no Bar Abdalla (Arquivo pessoal)
Às sexta-feiras, de 15 em 15 dias, o som que vem de uma roda de samba embala não só quem está ao redor, mas também o vaivém de veículos na RJ-130 (Friburgo-Teresópolis). Os encontros dos bambas dos Amigos da Música lotam o Bar Abdalla, em Duas Pedras. O último encontro aconteceu nesta sexta-feira, 1º, e não foi diferente.

"Eles são muito animados. E chamam todo mundo para cantar e tocar com eles"

Nathan Abdalla

Na verdade, foi diferente. O grupo está em constante formação. Qualquer pessoa que chegar e quiser tocar, pode. Se quiser pegar o microfone para cantar, também pode. Talvez, por isso, o encontro de amigos de longa data, amizades que também se formaram no bar, vai completar sete anos em 2018. Vai ter festa, claro.

Tudo começou no Bar do Carlinhos, Rua Prudente de Moraes, na Vila Nova, conta Vilson Marques, um dos organizadores da roda. “Em maio de 2011, logo depois da tragédia, começamos a nos encontrar nas quinta-feiras lá. Tinha quem tocava cavaquinho, pandeiro, até sax. Foi expandindo, os músicos foram chegando. Passamos por outros bares em Duas Pedras e Bairro Ypu, na SEF (Sociedade Esportiva Friburguense), até o Abdalla, onde estamos hoje”.

Eles tocam de tudo, dos sambas clássicos aos mais atuais. Canções de músicos como Benito di Paula, Raça Negra, Zeca Pagodinho, Alcione, Almir Guineto. Mas também composições próprias de Ratinho e do Mestre Telinho, que fazem parte do grupo. Telinho tem 80 anos.

“A maioria é mais velho, mas temos também músicos novos, como o cantor Abner, que chegou à maioridade há pouco tempo. Antes, o pai dele teve que assinar uma autorização para liberar o menino para tocar conosco”, disse José Luís de Oliveira, o Ratinho.

Os Amigos da Música não recebem um tostão para fazer as rodas de samba. Já foram chamados para shows, mas sempre negam. Afirmam que não é essa a proposta do grupo. “Tudo começou como uma brincadeira. Uma diversão entre amigos e queremos que continue assim. Os encontros com os amigos são uma uma beleza. Ganhamos só comida e bebida por conta do Abdalla”, comentou Gilberto Klein, que toca percussão.

Nathan Abdalla, dono do bar, não tem do que se queixar. Toda vez que eles tocam, o espaço lota. “Eles são muito animados. E chamam todo mundo para cantar e tocar com eles. O pessoal gosta muito”, disse, acrescentando que as rodas de samba, às vezes, varam as madrugadas e atraem todos os públicos. Tem família que leva até bebê de 8 meses para os encontros.

 

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