Cantora friburguense de 24 anos faz sucesso na Europa

The Kraken vem da família Vassalo e é hit nas principais paradas de música eletrônica na Itália
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
por Guilherme Alt

Com 24 anos e uma carreira já consolidada na Europa e que ainda é bastante promissora, a cantora e compositora de música eletrônica The Kraken, que atualmente mora em Niterói, subiu a serra para ser entrevistada no programa Bloco de Notas, de A VOZ DA SERRA.

Desde os 14 no meio artístico, The Kraken é hit nas principais listas de música do Spotify, dividindo espaços com artistas já consagrados como Avicii, Hardwell e Jason Darulo. A friburguense faz muito sucesso na Itália, onde já foi reconhecida, deu autógrafo, tirou foto com fãs e acaba de lançar mais uma música que promete fazer sucesso no verão europeu.  

Confira na íntegra a entrevista:

A VOZ DA SERRA: Tem muito tempo que você não vem a Friburgo?

The Kraken: Tem bastante tempo, estou matando a saudade. Minha família é daqui, eu venho da família Vassalo. Sair de Niterói onde eu moro atualmente pra vir para esse fresquinho da serra foi um prazer.

Como foi o caminho até chegar à música eletrônica?

Eu comecei no rock n’roll, escrevendo minhas próprias músicas, mas lidar com banda foi muito difícil e os próprios produtores me falaram que não era o momento. Nesse meio tempo eu comecei a escutar dance music e conheci uma música do Avicii, chamada “Fade Into Darkness”. A música fala de união e eu me identifiquei porque a minha missão com a música sempre foi mudar a energia das pessoas, e a música eletrônica tem muito disso. Foi amor à primeira vista.

E você estudou muito antes de começar na música eletrônica?

Eu queria fazer bonito, então  comecei a ler e a me dedicar bastante a esse estilo. Fiz aula de canto, curso de História da Música, teoria musical, fiz piano também. Muitas pessoas vão só pelo talento, mas, apesar de isso ser a maior porcentagem para o sucesso, quando se tem a técnica você consegue desenvolver mais. Eu comecei a fazer essas aulas antes mesmo de ir para a música eletrônica e foi bom porque eu já tinha noção do que eu teria que estudar.

Tem muita gente que acha que música eletrônica é só a mistura de sons e o DJ, mas não é isso, certo?

Essa dúvida eu vivi há três anos. Antes o pessoal da gravadora também falou que música eletrônica era coisa de DJ. Em alguns lugares as pessoas ainda me perguntam se eu sou DJ.

Mas você é DJ, também?

Não. Eu sei tocar, sei produzir, mas não sou. Para você trabalhar com as pessoas eu acho que você tem que entender da área delas, e foi isso que eu fiz. Por isso que eu fui para o mercado internacional. Existia essa ideia de que música eletrônica era só batida e uma resistência grande com música em inglês, que é o que eu faço.

Mercado internacional que você entrou e fez sucesso...

Eu nunca poderia imaginar que a segunda música que eu lançasse por uma gravadora independente virasse um hit. A música está no mesmo álbum de artistas com Avicii e Jason Darulo, do hip hop. Esse sucesso não veio da noite pro dia.

E qual é a música?

“Pirates of Samba”. Eu já tinha trabalhado quase 30 músicas com uma gravadora italiana, e quando você trabalha essas músicas não necessariamente elas saem, eles decidem quando é a melhor hora de lançar. Essa música ela foi a primeira música em que eu contei um pouco da minha história, de onde eu vim, que é do Rio de Janeiro, da terra do samba, falei algumas curiosidades daqui do Brasil e eu nem em sonho poderia imaginar que eles escolheriam essa música para lançar.

Por que The Kraken?

Quem viu "Piratas do Caribe" ou "Fúria de Titãs" já tem mais ou menos uma ideia (risos). No início, antes de ingressar na música e na área de música eletrônica eu ouvi de muita gente que não daria certo. Cantar em outro idioma não daria certo, que eu não poderia misturar as vertentes musicais que eu gosto de misturar. Eu canto música eletrônica, mas graças ao pop eletrônico eu pude ir para áreas diferentes, como ir pro rap, hip hop, fazer essa mistura e isso não era bem visto, recebi muitas críticas, por isso eu me sentia um “monstro” no meio e escolhi esse nome artístico. O Kraken era uma espécie de lula, que ameaçava os navios no folclore nórdico.

Aqui no Brasil você não é tão conhecida, mas na Itália você já bem famosa, não é?

Eu tenho uma história curiosa por lá. Quando a música sai as pessoas elas conhecem o seu som, o seu trabalho, o seu nome, mas não necessariamente o seu rosto. E na primeira vez que eu fui pra Itália a trabalho, em 2016, teve gente que me pediu autógrafo e eu fiquei muito surpresa com aquilo. Eu não sabia o que fazer. Isso foi no avião. A pessoa abriu um caderno e me pediu para assinar. Eu fui reconhecida na rua. Na alfândega, no aeroporto alemão, eu estava achando que era uma rigidez igual a que a tem nos EUA. Quando o policial segurou o meu braço, eu imaginei que tivesse dado tudo errado e fosse deportada, mas ele me disse “Artista tem que passar por outro portão”, e eu já estava atrasada para pegar outro voo. Nada do que a gente planeja, acontece. E esse retorno, das pessoas te reconhecendo, vem de surpresa. É muito legal.

“Nascer” como artista na Itália é sinal de bom negócio. A Itália é o berço do Renascimento e vários artistas vieram de lá, então você está no caminho certo.

Engraçado você falar isso. Eu fiz faculdade de moda, mas eu foquei muito na parte da arte. Então tudo o que eu podia absorver dessa parte do Renascimento, que é um tem que eu gosto muito. Ainda não tinha parado para pensar nisso, é realmente curioso (risos).

E tem mais sucesso vindo aí que vai nascer na Itália, não é?

Eu acabei de lançar uma música. Foi lançada na última quinta-feira, 22. Trabalhamos intensamente nela e fizemos várias modificações, tendo eu regravado já esse ano, com mudança na letra. Meu processo de composição é muito rápido. Os produtores observaram isso em mim. Tem vezes que eu chego no estúdio, já pego a música, começo a gravar e fazer composições em cima da letra, ao mesmo tempo. “Freak” estava quase pronta, mas eu quis mudar algumas vertentes. Ela é uma letra feminista. É uma música de boate, dançante, mas tem um tom de crítica forte em relação aos homens que acham que podem falar com a mulher de qualquer maneira, achando que se oferecerem alguma coisa eles vão conquistá-la.

Há quanto tempo você não vinha a Friburgo?

Há um ano e meio. Friburgo é uma cidade que, quando você passa por algum bairro, algum lugar específico, você sempre lembra de alguma situação que você tenha passado ali. Gosto muito da Praça do Suspiro, já falei 500 vezes para mim mesma que eu vou ao Teleférico. Eu adoro fazer trilha e isso aqui em Friburgo é ótimo. Já subi o Caledônia, as cachoeiras de lá são ótimas. Eu tenho muitos primos aqui e sempre saio com eles. É uma cidade com um ar diferente, de nostalgia. A minha família é muito unida e isso contribui para que a estada aqui seja ainda melhor.

 

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