Black Friday: não caia na fraude do "tudo pela metade do dobro"

Gerente do Procon-NF dá dicas, também em vídeo, para quem quer comprar por preços realmente baixos
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
por Karine Knust
 “Tudo pela metade do dobro”. A frase pode parecer brincadeira à primeira vista, mas, quando o assunto é oferecer descontos, ela às vezes é mais comum do que se imagina. Nesta sexta-feira, 24, acontece mais uma edição da campanha mais aguardada pelos brasileiros apaixonados por promoções. Mas, desde que começou no Brasil, há pelo menos cinco anos, a Black Friday coleciona histórias de fraudes e, por consequência, consumidores insatisfeitos.

"A questão virtual vai ser sim uma grande tônica da reclamação nesta Black Friday"

André Abicalil

As reclamações de quem resolveu aproveitar a oportunidade nas edições anteriores vão desde propaganda enganosa, como a maquiagem de preços, até a indisponibilidade dos produtos anunciados. Para o advogado e coordenador do Procon de Nova Friburgo, André Abicalil, o consumidor brasileiro ainda começa a lidar com outro potencial vilão das compras de Black Friday: os sites que funcionam como plataforma de venda para outras empresas.

“Esses sites que hospedam vendedores costumam não se responsabilizar pelos eventuais problemas que o consumidor pode ter durante ou após a compra do produto ou serviço. Eles funcionam apenas como plataforma de transação comercial sem dar respaldo ao cliente”, alerta André.

E engana-se quem pensa que comprar em lojas grandes e conhecidas é sinônimo de segurança. Pelo menos é o que também alerta o gerente do Procon. “Lojas de departamento que, a princípio passam uma segurança em termos de negócio, são os grandes campeões em reclamação e as que nos criam maior dificuldade em termos de resolução dos problemas denunciados”, afirma ele, acrescentando que “em contrapartida, o prestador de serviços da região, até para manter o próprio nome e fidelizar os clientes, raramente tem problemas ou facilitam bastante o pós venda de determinados produtos”.  

Apesar de, por vezes, serem divulgadas condições diferentes para períodos de promoção, como a Black Friday, de acordo com o coordenador do Procon, regras como devolução e troca não podem ser alteradas. “No Código de Defesa do Consumidor está estabelecido que, em caso de compras pela internet, que o consumidor tem até sete dias para desistir da transação, já que ele não teve contato físico com o produto para avaliá-lo. Existem ainda os prazos que variam de 30 a 90 dias dependendo do produto. Aqueles de rápido consumo, perecíveis ou que tenham a sua utilização de forma muito rápida, o consumidor tem até 30 dias para fazer uma reclamação. Já os produtos de uso contínuo, como geladeira, fogão ou microondas, passam a ter um prazo de 90 dias da constatação do defeito identificado. Independente das promoções, essas regras não podem mudar”, explica Abicalil.

Nas últimas semanas, os Procons de todo o país têm se antecipado para fornecer informações aos consumidores sobre as principais empresas reclamadas nos anos anteriores. São diversas listas disponibilizadas na internet. As lojas, por sua vez, também tem procurado mecanismos para melhorar o atendimento, até porque, as redes sociais tem contribuído e muito para a disseminação de informações.

“De qualquer forma, o consumidor não deve deixar de prestar atenção. A questão virtual vai ser sim uma grande tônica da reclamação nesta Black Friday. Conter a ânsia de consumir sem necessidade e buscar a maior quantidade de informação possível sobre o que e onde quer comprar para não ter uma dor de cabeça ou decepção posterior estão entre as ações mais importantes. E, claro, não esquecer de solicitar a nota fiscal para qualquer transação. Ela é a principal prova da compra e a mais importante caso seja necessário exigir os seus direitos”, orienta o gerente do Procon.

Além de realizar atendimento presencial de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, na Avenida Alberto Braune, 223 (na antiga Rodoviária Leopoldina - ao lado da prefeitura), desde setembro deste ano o Procon de Nova Friburgo tem abastecido uma página no Facebook. Por lá, o internauta encontra dicas para o consumo consciente, listagem de empresas com maior número de queixas, entre outros. Pela página “Procon-Nova Friburgo” também é possível entrar em contato com o setor para esclarecer dúvidas e fazer denúncias.
 

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