Biometria facial já identifica fraudes na gratuidade em Friburgo

Cartões estão sendo cancelados e usuários podem responder criminalmente por ceder bilhetes a terceiros
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
por Alerrandre Barros
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Mais de 80 cartões de passageiros com direito a gratuidade foram bloqueados por fraudes, desde meados do mês passado, quando o sistema de biometria facial começou a ser implantado nos ônibus de Nova Friburgo. Os aparelhos, instalados em cima do validador da Riocard, identificaram que os bilhetes eletrônicos foram usados por pessoas que não têm direito ao benefício.

“Fraudes como essa prejudicam a empresa e a própria população honesta, que acaba tendo que pagar mais caro pela tarifa por conta do prejuízo causado pelos ‘mais espertos’”, disse o diretor da Friburgo Auto Ônibus Ltda (Faol), Paulo Valente.

Para se certificar de que a gratuidade é utilizada por quem tem direito (estudantes da rede pública, idosos a partir dos 60 anos e portadores de necessidades especiais), a Faol testou por um tempo a biometria da impressão digital, mas, de acordo com Valente, os aparelhos apresentavam problemas de leitura do dedo constantemente. Passageiros não conseguiam passar na roleta e vários aparelhos acabaram depredados por causa disso.  

No dia 20 de julho, a biometria facial começou a ser testada em alguns coletivos da companhia. A tecnologia chegou ao país em 2013 e vem sendo implantada em vários sistemas de transporte. Até esta quarta-feira, 16, 32 dos 156 ônibus da Faol em operação na cidade já estavam equipados com o novo sistema. Segundo a empresa, até setembro deste ano, toda a frota estará circulando com o aparelho.

O mecanismo tem uma microcâmera que faz seis fotografias simultâneas da pessoa que usa o cartão-gratuidade. A catraca é liberada e o usuário consegue embarcar no ônibus, mas o cartão pode ser cancelado se, posteriormente, for identificada a fraude. As imagens feitas pela câmera são cruzadas com a base de dados do sistema da Riocard, que indica se o cartão foi realmente usado pelo titular. Se não, o bilhete é cancelado pelos auditores da empresa.

“Quando se verifica que o usuário do cartão não é seu verdadeiro beneficiário, ele é cancelado, sendo necessário o comparecimento do infrator ao posto do Riocard para esclarecimentos, sendo que em caso de reincidência, o fraudador será processado judicialmente, conforme artigo 171 do Código Penal, porque o uso do cartão é pessoal e intransferível”, disse Valente.

As fraudes na gratuidade são antigas. Em setembro de 2015, A VOZ DA SERRA mostrou que quase todos os dias fiscais da Faol flagravam, em vários pontos da cidade, passageiros que não têm direito à gratuidade tentando embarcar nos ônibus com documentos adulterados ou falsos. A maioria das irregularidades eram praticadas por idosos, segundo levantamento da empresa. Até crachás falsos de rodoviários eram usados por passageiros para pagar a passagem.

Em março deste ano, a Faol divulgou que a gratuidade é concedida a 38% de passageiros em Friburgo (4% de gratuidade para pessoas com deficiência; 16% gratuidade para estudantes da rede pública municipal e estadual; e 18% de gratuidade para pessoas acima de 60 anos de idade), ou seja, são mais de cinco milhões de passagens gratuitas por ano. A concessão do benefício entra no cálculo da tarifa, que neste ano chegou a R$ 3,95, uma das mais caras do estado.  

A nova diretoria da Faol firmou, este ano, vários compromissos com prefeitura. Entre eles, a melhoria na prestação dos serviços e a retomada do Fricard, o sistema de bilhetagem eletrônica que operou na cidade entre 2010 e 2013, antes do Riocard. Os dois devem coexistir. A empresa também terá que regularizar o ISS e o IPVA atrasados; instalar GPS em toda a frota e ainda comprar 30 novos ônibus. O governo também quer que a empresa torne público o faturamento com propagandas nos ônibus, o busdoor.

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