Bicentenário traz de volta a série "Ruas de Nova Friburgo"

Conheça Alberto Braune, o farmacêutico, delegado e maçom que dá nome à principal avenida do Centro
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
por Ana Borges
Foto de capa
A Avenida Alberto Braune no passado (Reprodução internet)

Ao longo de 2013, A VOZ DA SERRA publicou, semanalmente, a coluna “Ruas de Nova Friburgo”, para falar de ilustres personagens locais cujos nomes eram dados a logradouros e espaços públicos do município. Cada trajetória evidenciava o caráter forte e a sólida formação humanística de homens e mulheres que marcaram de forma indelével a vida das pessoas e de suas comunidades. E desta forma entraram para a história de Nova Friburgo. Para relembrar e preservar a memória dessas pessoas, e incutir em nosso povo a devida reverência que merecem, neste ano em que celebramos o bicentenário do municípío, a direção do jornal decidiu reeditar o material colhido há cinco anos. Para abrir a série, vamos lembrar quem foi Alberto Braune, que dá nome à nossa principal avenida, no centro da cidade, além de um bairro.

O friburguense Alberto Braune nasceu em 17 de dezembro de 1864, na então denominada Chácara Saint Souci, filho do médico alemão João Henrique Braune e da professora Maria Dulce Braune, fundadora e diretora do Colégio Braune. Após formar-se no Liceu Conde d’Eu, um dos colégios existentes na então Vila de Nova Friburgo, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, de onde saiu com o diploma de farmacêutico, em 1886.

No ano seguinte, casou-se com Olympia Pardal e dessa união nasceram 13 filhos. Com a família radicada em Nova Friburgo, Alberto Braune adquiriu a Farmácia Guimarães que passou a chamar-se “Farmácia Braune”. O estabelecimento tornou-se ponto de referência na cidade, e o farmacêutico ganhou notoriedade graças à dedicação e o atendimento “médico” e/ou de “primeiros socorros” que prestava à população, inclusive aos mais pobres. Não raro, era o primeiro a ser procurado nos casos de acidentes e mesmo de crimes (brigas com feridos à faca ou à bala) ocorridos na área central da cidade. Mesmo não sendo médico, fazia partos, visitava doentes no meio da noite, receitava remédios, muitas vezes sem cobrar, e auxiliava na necropsia de cadáveres.

Por um breve período, exerceu uma função pública, como delegado de polícia. Foi uma das lideranças do Partido Republicano de Nova Friburgo, e, devido ao prestígio que conquistou junto à população, era uma forte influência na política local. Do seu grupo político faziam parte figuras como Ernesto Brasílio, Júlio Zamith, Farinha Filho e Nelson Kemp. Foi membro da maçonaria, onde chegou a Venerável da Loja Maçônica Rio Branco, posição que ocupou entre 1907 e 1908. Nas décadas de 1910 e 1920, Alberto Braune exerceu alguns mandatos de presidente da Caixa Rural de Nova Friburgo.

Faleceu em 5 de maio de 1929, vítima de câncer no pâncreas. Ao seu funeral compareceu uma multidão, estimada em torno de cinco mil pessoas, fato que os jornais de Nova Friburgo da época destacaram, inclusive com fotos. Dois meses depois de sua morte, foi constituída uma comissão para construir um monumento em sua homenagem, através de contribuições voluntárias. A campanha foi presidida pelo Monsenhor Alves de Miranda e pelo padre Paulo Bannwarth, e resultou na estátua do homenageado, em tamanho natural, que se encontra até hoje exposta sobre um pedestal na Praça Getúlio Vargas.”

(Fonte: Fundação D. João VI, Nova Friburgo).

A Avenida Alberto Braune, por Dalva Ventura, em 2013

Sexta-feira, fim da tarde. A Alberto Braune ferve. Gente para todos os lados, carros parados em fila dupla, pontos de ônibus lotados. Centro nervoso da cidade, a antiga e bucólica Rua General Argolo, por onde passava o trem da Leopoldina, sempre foi e continua sendo o local onde os friburguenses se encontram e fazem suas compras.

Hoje, tem de tudo na Alberto Braune. Prédios residenciais, comerciais, supermercados - um deles o maior da cidade - muitas lojas, inclusive duas de departamentos que vivem lotadas. Tem agências bancárias, consultórios, escritórios, cabeleireiros, academias de ginástica, bancas de jornais e o maior estacionamento da cidade, onde em tempos idos ficava a bela casa de Madame Santana, além da sede da prefeitura e da Justiça do Trabalho.

Na Alberto Braune tem também padarias, cafés e restaurantes, além de barraquinhas de doces, pipocas e água de coco. Nas esquinas da Avenida Ariosto Bento de Mello - quase uma continuidade da Alberto Braune - tem até banquinhos para as pessoas descansarem e/ou apreciarem o vai e vem das pessoas.Mas, infelizmente, na Alberto Braune não tem mais só isso. Tem também montes de papelão que comerciantes inescrupulosos largam na calçada, fora do horário de recolhimento do lixo pela empresa responsável. E sacolas de detritos deixadas pelos próprios moradores.

Fios e cabos emaranhados podem ser observados ao longo da via, conferindo um aspecto desleixado à principal rua da cidade que, por sinal, está com o calçamento bem danificado. O desnivelamento das calçadas provocam tombos e em determinados trechos tem até mau cheiro exalando dos bueiros. Alguns deles, aliás, também representam perigo para os pedestres. As marquises de muitas lojas estão em péssimo estado de conservação. E alguns prédios tombados ao longo da avenida são mal conservados ou os seus proprietários não respeitam as leis de tombamento.

Uma pena! A principal rua da cidade – que tem o metro quadrado mais caro de Nova Friburgo - bem merecia passar por um choque de gestão. Que envolvesse, é claro, o poder público – principal responsável por sua manutenção – e também os proprietários e inquilinos dos imóveis ali localizados.”   

 

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TAGS: Ruas | 200 anos