Autoclaves em manutenção atrasam cirurgias no Raul Sertã

Central de Esterilização foi reaberta no mês passado, mas sem esses equipamentos, confirma a prefeitura
sexta-feira, 05 de janeiro de 2018
por Alerrandre Barros
Foto de capa
Funcionária higieniza as mãos no Centro Cirúrgico (Divulgação PMNF)

A falta de autoclaves, aparelho utilizado para esterilização de materiais médico-hospitalares, está atrasando a retomada de cirurgias eletivas no Hospital Municipal Raul Sertã. A denúncia foi feita nesta sexta-feira, 5, pela neta de uma paciente que está internada na unidade. A informação foi confirmada pela Secretaria municipal de Saúde.

“Minha avó está aguardando desde o fim do ano passado uma cirurgia no fêmur direito, mas ela ainda não passou pelo procedimento porque os aparelhos de autoclave estão quebrados”, disse a jovem, que pediu para não ser identificada.

Ela afirmou ainda que há várias pessoas esperando cirurgias no Raul Sertã e que médicos e enfermeiros dizem que não há previsão para as cirurgias eletivas voltarem a ser realizadas devido ao problema na Central de Materiais e Esterilização (CME).

A Secretaria municipal de Saúde confirmou a falta de autoclaves. Em nota, disse que “a recente liberação da Central de Esterilização, ocorrida no final do ano passado, não previu a compra de autoclaves, e sim a estrutura física da Central, ficando pendentes a regularização desses equipamentos”.

As duas autoclaves são antigas, têm mais de 15 anos, e passaram por manutenção feita por uma empresa especializada. A secretaria disse ainda que está buscando formas de solucionar o problema e reiterou que as cirurgias eletivas estão suspensas. “Estamos mantendo as cirurgias de urgência, esterilizando os materiais em outras unidades de saúde da cidade”.

No ano passado, a Central de Esterilização ficou seis meses fechada para obras de reforma. O setor foi interditado em junho por determinação da Vigilância Sanitária Estadual. A vistoria realizada pelo órgão foi um pedido do Ministério Público, que recebeu denúncia de médicos-cirurgiões que se recusaram a operar sob circunstâncias que, segundo eles, poderiam elevar a incidência de complicações operatórias infecciosas nos pacientes.

Para manter a esterilização de materiais, em agosto, o governo municipal firmou um contrato de R$ 780 mil, por seis meses, com a Bioxxi Serviços de Esterilização. Em dezembro, as obras da Central de Esterilização foram concluídas e o setor foi reaberto no dia 15. As obras custaram R$ 20 mil. Cinco dias depois, porém, o Ministério Público Federal (MPF), com apoio da Polícia Federal, deflagrou na cidade a Operação Esterilização.

O MPF e a PF investigam fraude no contrato da prefeitura com a Bioxxi. Alvos da operação, a então secretária de Saúde, Suzane Oliveira de Menezes, juntamente com sua subsecretária-executiva, Michelle Silvares Duarte de Oliveira, são suspeitas de dispensa fraudulenta de licitação, peculato e corrupção passiva. Elas foram afastadas dos cargos por orientação da Justiça Federal e prestaram depoimento à PF. O caso corre em segredo justiça.

Logo após a operação, o secretário de Assistência Social, Christiano Huguenin, assumiu também, interinamente, o comando da Secretaria de Saúde. Ele transferiu o gabinete para o hospital e já nos primeiros dias de gestão fez reparos nos acessos da unidade e começou a troca o comando no Raul Sertã, no posto de saúde Sylvio Henrique Braune, no Suspiro, e também na secretaria. Ao todo, 23 pessoas foram exoneradas na última semana. Também informou que prepara licitações para compra de medicamentos, insumos e equipamentos.

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