Atletas friburguenses recebem honraria esportiva da Câmara

Jhennifer Alves, Edson Barboza e Marlon Moraes vão receber na segunda a Medalha de Mérito Esportivo Swian Zanoni, a maior honraria relacionada ao esporte concedida pelo Legislativo municipal
quinta-feira, 29 de junho de 2017
por Vinicius Gastin
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Após mais uma vitória marcante, Barboza aguarda oportunidade para lutar pelo cinturão do UFC
Três dos principais expoentes do esporte de Nova Friburgo serão homenageados pela Câmara de Vereadores do município. Jhennifer Alves, Edson Barboza e Marlon Moraes foram escolhidos para receberam a Medalha de Mérito Esportivo Swian Zanoni, a maior honraria relacionada ao esporte concedida pelo legislativo friburguense. A cerimônia de homenagem acontece no dia 3 de julho, a partir das 19h, no Plenário Dr. João Bazet. Os três atletas foram indicados pelo vereador Johnny Maicon (PRB), presidente da Comissão de Esportes e Lazer da Câmara de Nova Friburgo. Por conta dos compromissos de competições e treinos, é provável que apenas a nadadora esteja presente à cerimônia. Já os lutadores devem ser representados por familiares. Barboza e Moraes aguardam novos desafios pelo UFC, enquanto Jhenny mantém a rotina de treinos pelo Pinheiros, em preparação para os próximos desafios na natação. A medalha Swian Zanoni foi criada pelo então vereador – e atualmente Deputado Estadual – Wanderson Nogueira, e é entregue ao destaque anual do esporte friburguense desde 2013. Swian, que dá nome à honraria, morreu aos 23 anos de idade, enquanto participava de um evento de Motoross. Nascido em Minas Gerais, adotou Nova Friburgo como cidade, e sempre levava o nome do município às competições pelo Brasil e pelo mundo. Durante a tragédia de 2011, tirou sua moto da garagem no Jardim Califórnia, onde morava, para ajudar as vítimas do desastre climático e, apesar do feito, recusou o rótulo de herói afirmando que apenas fez o que qualquer ser humano deveria fazer. Jhennifer Alves A friburguense Jhennifer Alves começou a nadar por indicação médica. Os problemas respiratórios aos poucos foram superados, e deram lugar ao talento cada vez mais evidente a cada competição disputada. A partir de uma delas, a nadadora percebeu que o esporte poderia ser muito mais do que apenas o caminho para curar uma doença. “Participei de um campeonato pela Acquafitness, e consegui me sobressair. A partir dali eu quis encarar a natação como algo pra minha vida, e tive o apoio dos meus treinadores”, recorda. Pouco tempo depois, Jhenny participou de uma seletiva no Flamengo e logo conquistou espaço nas piscinas da Gávea. A jovem deixou Nova Friburgo para morar no Rio de Janeiro há pouco mais de cinco anos, e desta forma abriu mão de todo o conforto em busca do sonho de competir profissionalmente. As dificuldades iniciais de adaptação e a saudade de familiares e amigos foram obstáculos a mais, que precisaram ser superados com determinação e força de vontade. Após a conquista de uma prata e um ouro no Open de 2014, nas provas de 100 metros peito e 50 metros peito, respectivamente, a atleta repetiu o feito no Troféu Maria Lenk deste ano, garantindo vaga no Pan-Americano de Toronto. De quebra, confirmou a participação no Mundial de Kazan, na Rússia. Pelo Flamengo, a nadadora alcançou as medalhas de ouro no Brasileiro Junior, ouro e prata no Troféu Maria Lenk e o título da Taça Sulamericana Juvenil — isto tudo em apenas um ano. No Sul-Americano, realizado este ano no Peru, a atleta de Nova Friburgo conquistou mais três medalhas importantes com a Seleção Brasileira Juvenil. A principal foi o ouro nos 100m peito, com o tempo 1m10s78, um novo recorde para a prova. Além de representar Nova Friburgo nos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, Jhennifer foi a representante feminina do Rio de Janeiro. Este ano, foi um dos destaques do Troféu Maria Lenk, realizado na última semana, no Rio de Janeiro, especialmente na prova dos 50 metros peito, especialidade de Jhenny.Com o tempo de 30s63, a friburguense quebrou o recorde sul-americano dos 50 metros peito, que perdurava desde 2009. Em março, a atleta de Nova Friburgo competiu no Torneio Open do Paraguai, acumulando bons resultados e conquistando três medalhas para a galeria pessoal e para a sua equipe, o Pinheiros. Ainda no mês de março, Jhennifer integrou a equipe Pinheiros que participou do Torneio Regional Juvenil a Sênior, na própria sede do clube paulista. A atleta de Nova Friburgo, assim como aconteceu no Paraguai, brilhou nos 50 metros peito feminino. Edson Barboza A história de Edson Barboza começou com o sacrifício de sua mãe, que cedia os vales-transportes que ganhava no emprego para o filho ir à academia. Hoje, a maior luta também não é dentro do octógono: o peso-leve revela que o processo de adaptação aos EUA teve como maior obstáculo a saudade da família. "Durante o primeiro ano, eu acordava diariamente e dizia para mim mesmo que aquele seria o meu último dia nos EUA. Eu queria voltar ao Brasil, pois a saudade da família e dos amigos era muito grande. E ainda é, mas a ida da Bruna (esposa) para morar comigo amenizou um pouco a situação e me deu forças para prosseguir.” Barboza percebeu a necessidade de buscar novos rumos na carreira a partir do momento em que não encontrou mais adversários para os combates de muay thai no país. Campeão de todos os torneios possíveis, o friburguense ainda resistiu durante à ideia de migrar para o MMA por algum tempo, mas acabou aceitando. "O Anderson França (treinador) e vários amigos sempre me incentivaram, mas eu não aceitava. Em certo momento, eu percebi que teria de buscar algo diferente para poder crescer na carreira.” Nos EUA, Barboza participou de algumas lutas antes de assinar contrato com o UFC, a maior organização de MMA do planeta. O potencial ficou evidente logo nas primeiras lutas, e chamou a atenção de Dana White e sua equipe. Desde a estreia, o lutador impôs o próprio estilo e conseguiu vencer quatro duelos por knockdown. Dono de um dos mais impressionantes nocautes da história do UFC, contra Terry Etim, Edson persegue o maior sonho da carreira, que acredita estar cada vez mais próximo: brigar pelo cinturão da organização. Em março deste ano, o friburguense voltou ao octógono e deu novo show: com uma joelhada marcante, venceu o iraniano Beneil Dariush, nono colocado do ranking, aos três minutos e 45 segundos do segundo round em Fortaleza. Marlon Moraes Marlon Moraes deixou recentemente o World Series Of Fighting (WSOF) - também considerado como um dos maiores eventos de MMA (artes marciais mistas) do mundo - como indiscutível campeão da categoria peso-galo para assumir o maior desafio da carreira: lutar pelo UFC. A estreia na organização foi emocionante, de alto nível técnico, estudo e qualidade. No entanto, por decisão dividida dos árbitros, Matlinho perdeu para Raphael Assunção por 29-28, 28-29 e 30-27. Vale ressaltar que o adversário de Marlon vive grande fase, é o número três do ranking e venceu a segunda seguida. O atleta de Nova Friburgo, por sua vez, teve a sequência de 13 resultados positivos consecutivos interrompida, e voltou a perder depois de seis anos. Contudo, a postura do lutador friburguense impressionou, e o retorno ao octógono deve ser breve. O lutador nasceu em 18 de março de 1989 e foi criado no bairro Cordoeira. Iniciou no muay thai aos sete anos de idade e ganhou diversos prêmios na modalidade, entre títulos estaduais, nacionais e até internacionais. Em abril de 2007 ele fez sua estreia no MMA e passou por eventos como Shooto, Dojo Combat, RMMA, Ring of Combat e XFC, até assinar com o WSOF em setembro de 2012. Desde então ele acumula 11 lutas e 11 vitórias, sendo 5 por nocaute, 2 por finalização e 4 por decisão dos juízes. “Magic Marlon”, como foi apelidado pela imprensa americana especializada em MMA, foi aluno do mestre de muay thai Anderson França, que também foi professor de Edson Barboza.

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