Após sete anos, feridas ainda abertas. E à mostra

Resquícios da tragédia de 2011 ainda são visíveis em diversos bairros de Nova Friburgo
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
por Guilherme Alt

“Achei mais alguém aqui”, “Ali debaixo tem mais”, “Cuidado, não vai até aí, não”. Frases que se repetiam durante os dias que sucederam o fatídico 12 de janeiro de 2011. A cada momento uma nova tentativa de resgatar alguém com vida. A cada instante uma cena chocante. Há sete anos a Região Serrana do Estado do Rio viveu a maior tragédia climática da história e Nova Friburgo ficou sob a lama e destroços. Um cenário de lamentos, destruição e de calamidade. A fratura exposta e as cicatrizes das feridas que nunca fecharam ainda são vistas por toda a cidade. Não há quem não se lembre onde estava naquela madrugada  que insiste em não sair da memória. Não há quem não tenha sido atingido. E, passados sete anos, ainda há muito a ser feito, há muito a ser reparado, há muito a ser (re)construído.

No bairro Córrego D’antas, centenas de casas foram interditadas e os moradores tiveram que deixar suas residências às pressas, por razões de segurança. Com a promessa de um novo lar em uma região segura, muitas famílias foram realocadas no Loteamento Terra Nova, em Conselheiro Paulino. De acordo com o governo federal, Nova Friburgo já recebeu mais de 1.700 unidades habitacionais.

Na Prainha, localidade de Conquista, em Campo do Coelho, 17 pessoas morreram após um deslizamento de encosta. Antes área de lazer, hoje o local encontra-se abandonado.. “Aqui vivia lotado. Muita gente se banhava no rio, fazíamos festa e jogos no campo de futebol. A ponte está quebrada (foto acima), não há proteção e é um risco enorme para quem passa a pé ou de carro. A estrada que dá acesso às casas é de terra batida, cheia de buraco e quando chove é impossível passar por ela”, lamentam os moradores.

Diante de tantos problemas, os moradores da Prainha decidiram colocar a mão na massa. Devagar eles vão ajeitando o local que antes atraía turistas. “Fizemos uma limpeza geral, tiramos até madeiras do leito do rio. Se o poder público nos desse uma ajuda a situação iria melhorar rapidamente”, diz um morador. Em Três Irmãos, loteamento do distrito de Conselheiro Paulino, mesmo não sendo atingido com um pesado golpe em 2011, um ano e meio depois, o local sofreu um deslizamento de pedras, que destruiu diversas casas.

Em nota, a prefeitura informou que a Secretaria de Obras está em contato permanente com o governo do estado devido a alguns projetos que foram apresentados pelo órgão para o município no sentido de realizar ações de grande proporção para contenções de encostas. Faz parte dos projetos contemplar bairros como Rui Sanglard, Lazareto, Vila Nova, Parque das Flores, entre outros. Contudo, por se tratar de obras muito caras, a municipalidade não possui recurso suficiente para custeá-las e depende da contrapartida do ente estadual, que, até o momento, não deu previsão de quando isso será feito.

Ainda segundo a prefeitura, “tem sido realizado um importante trabalho pela Defesa Civil para prevenção e atuação ante a desastres. Entre eles, a conclusão do projeto Gides (Fortalecimento da Estratégia Nacional de Gestão integrada em Desastres Naturais), dentro do convênio realizado entre Brasil e Japão. Também foram adquiridas duas sirenes móveis, doadas pelo Inea; criada a sala de monitoramento meteorológico; aquisição, por cessão, de uma estação robotizada para monitoramento de deslizamento de taludes; realização de aproximadamente mil vistorias em imóveis, participação nos simulados de ações em desastres naturais.

 

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