Antônio: um santo famoso pelos milagres

Padre Alex de Paiva Ribeiro fala da vida de Santo Antônio e de sua fama de casamenteiro
sábado, 09 de junho de 2018
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Foto de capa

Quarta-feira, 13, é Dia de Santo Antônio e a Igreja Católica festeja a data desde o início de junho, com missas, quermesses e shows. O frade franciscano, contemporâneo de São Francisco de Assis, é conhecido também como o Santo Casamenteiro, tema muito caro às devotas, principalmente. Nesta entrevista, o Padre Alex de Paiva Ribeiro, pároco da Paróquia de Santo Antônio e São Francisco de Assis, fala da vida de Santo Antônio e de sua fama de casamenteiro.  

AVS:  A tradição de fazer promessa para o santo em relação a casamento é costume também em outros países?

Padre Alex: Santo Antônio nasceu em Lisboa, em 1195, foi recebido entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, mas pouco tempo depois de sua ordenação sacerdotal transferiu-se para a Ordem dos Frades Menores com a intenção de dedicar-se à propagação da fé entre os povos da África. Entretanto, foi na França e Itália que ele exerceu com excelentes frutos o ministério da pregação, convertendo muitos hereges. Morreu em Pádua no ano de 1231 e ficou conhecido como “casamenteiro” por conta da ajuda que dava às moças humildes para conseguirem um dote e um enxoval para o casamento. O primeiro milagre relacionado a um casamento aconteceu em Nápoles, na Itália, entendendo-se, assim, que a devoção ao Santo Casamenteiro não é costume somente no Brasil.

Como essa tradição surgiu no Brasil? Homens também recorrem a ele para casar?

Não existem relatos específicos sobre como foi iniciada a devoção no Brasil, mas acredito que grande parte dela foi transmitida por meio dos imigrantes, sobretudo os portugueses e italianos, grandes devotos de Santo Antônio. Quanto àqueles que recorrem a intercessão do santo tendo em seu coração o desejo de se casar, acredito que a maior motivação seja a fé de cada um dentro da vocação que Deus lhes chama, sendo homens ou mulheres, jovens ou idosos.

Como é em Friburgo? São muitas as promessas para "arranjar marido"?

Durante a trezena de Santo Antônio e nos dias de festa ao Padroeiro, são muitos os devotos que se dirigem à Capela dedicada a Santo Antônio, no Suspiro, trazendo em seus corações o desejo de se casar, confiando na intercessão do santo.

Sabe dizer se a prática de colocar a imagem do santo de cabeça para baixo ainda é utilizada? De onde veio essa ideia?

Se existe eu não sei, mas essa não é uma prática católica e sim uma superstição. Não existem relatos claros sobre o assunto.   

O senhor já uniu um casal que tenha feito promessa para o santo?

Com certeza, dentro do meu ministério sacerdotal testemunhei muitos casamentos de alguns casais que são devotos de Santo Antônio e a graça do matrimônio aconteceu exatamente pela intercessão dele.

Tem alguma história interessante, bonita, ou curiosa, para contar em relação à capela de Santo Antônio, casamento, ou algum acontecimento que demonstre a devoção ao santo?

Existe um caso interessante e verídico. Um devoto veio na festa de Santo Antônio pedir a Deus uma esposa pela intercessão dele. Ao sair da Igreja, quando conversava com um amigo em uma barraca, ele parou para comprar um pastel e falava da promessa que fez. Uma devota que estava trabalhando na barraca disse que ele não precisava mais procurar a esposa, pois era ela. São felizes até hoje! Com certeza existem outros testemunhos aqui na Capela, mas achei esse muito interessante. A devoção do santo é vista claramente com a presença dos fiéis, especialmente durante a trezena e as Missas do Dia de Santo Antônio, que totalizam a participação de mais de dois mil fiéis.

Moças casamenteiras, lendas e superstições

Apesar de não ter em seus sermões nada específico sobre casamentos, Santo Antônio ficou conhecido como o santo que ajuda mulheres a encontrarem um marido por conta da ajuda que dava a moças humildes para conseguirem um dote e um enxoval para o casamento.

Reza a lenda que, certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia pagar seu dote. Desesperada, a jovem, ajoelhada aos pés da imagem de Santo Antônio, pediu com fé a ajuda do santo que, milagrosamente, lhe entregou um bilhete e lhe disse para procurar um determinado comerciante. O bilhete dizia para o comerciante dar à moça moedas de prata equivalentes ao peso do papel. Obviamente, o homem não se importou, achando que o peso daquele bilhete era insignificante.

Mas, para sua surpresa, foram necessários 400 escudos da prata para que a balança atingisse o equilíbrio. Nesse momento, o comerciante se lembrou que outrora havia prometido esse mesmo valor ao santo, e nunca havia cumprido a promessa. Mas, Santo Antônio cobrou ao seu jeito, para ajudar quem precisava. A jovem pôde, assim, casar-se de acordo com o costume da época e, a partir daí, Santo Antônio recebeu – entre outras atribuições – a de “Santo Casamenteiro”.

Outra história que envolve sua fama é a de uma moça muito bonita que, sem esperanças de arranjar um marido, apegou-se a Santo Antônio. Dizem que ela comprou uma imagem do santo e a colocou em um pequeno oratório. Todos os dias, ela colhia flores e as oferecia a Santo Antônio, pedindo que ele lhe trouxesse um marido. Passaram-se semanas, meses, anos, e nada de pretendente.

Então, tomada pelo desgosto e ingratidão do santo, ela atirou a imagem pela janela. Neste exato momento, passava um jovem que foi atingido pela imagem. Ele pegou a imagem e foi devolvê-la à jovem, que se apaixonou por ele e atribuiu o fato à sua fé por Santo Antônio. A partir daí, as moças solteiras começaram a fazer orações pedindo ajuda ao santo e cultuando sua imagem. Entre as simpatias mais populares, acredita-se que as jovens devem comprar uma pequena imagem do Santo e tirar o Menino Jesus do colo, dizendo que só o devolverá quando conseguir encontrar o amor, ou ainda, virar o Santo Antônio de cabeça para baixo até que consigam seu intento.

Breve biografia  

Santo Antônio ou Fernando Antônio de Bulhões, seu nome de batismo, nasceu em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto de 1195. De família nobre e rica, filho único de Martinho de Bulhões, oficial do exército de Dom Afonso e de Tereza Taveira, o futuro frade franciscano acompanhava, desde pequeno, os pais nas celebrações na catedral de Lisboa. Estudioso e de natureza reservada, ainda adolescente ingressou como noviço no Mosteiro de São Vicente de Fora, onde iniciou sua formação religiosa. Em seguida foi estudar no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde recebeu sólida formação filosófica e religiosa.

Em 1220 foi ordenado sacerdote e nesse mesmo ano, fica sensibilizado ao ver os despojos dos frades franciscanos, venerados no Mosteiro de Santa Cruz após serem martirizados numa missão no Marrocos, na tentativa de evangelizar os mouros. Resolve, então, se juntar à Ordem e recebe o hábito de São Francisco no Convento de Olivas, em Coimbra, com o nome de Frei Antônio. Inicia uma missão para o Marrocos, mas adoece e é convencido a voltar. No retorno para Portugal, sua embarcação é arrastada por uma tempestade e chega às costas da Sicília, na Itália, e se instala no Convento de Messina.

Em 1221, viaja para Assis a fim de participar do “Capítulo da Ordem dos Franciscanos” e em 1222 é convidado para a ordenação sacerdotal em Forli, quando faz um sermão revelando grande dom da oratória. Em seguida, é designado para difundir e evangelizar a doutrina na região da Lombardia. Em 1224 foi transferido para Bolonha, onde lecionou Teologia. Em seguida, foi enviado para a França, para dar aulas nas universidades de Toulouse, Montpellier e Limoges.

No final de 1227 retornou à Itália e até 1230 atuou como ministro provincial em Milão e em Pádua. Em Assis assistiu os traslados dos restos mortais de São Francisco, da Igreja de São Jorge para a nova Basílica. Nesse mesmo ano, solicitou ao Papa a dispensa de suas funções no cargo provincial, para dedicar-se à pregação e contemplação, permanecendo no mosteiro que havia fundado em Pádua.

Conta-se que desde criança Santo Antônio realizava milagres, sendo venerado por aqueles que procuram um parceiro para casar: é o "santo casamenteiro". Entre fevereiro e março de 1231, pregou os Sermões da Quaresma, e serviu de mediador junto à prefeitura de Pádua (Itália) que resultou em um decreto que tornou menos cruel a condição dos que deviam e não conseguiam pagar suas dívidas. Em maio abençoou a cidade de Pádua, e nessa época, sentiu-se mal e retirou-se para o eremitério de Campo Sampiero, nos arredores de Pádua.

Santo Antônio faleceu em Pádua, em 13 de junho de 1231. No dia 31 de maio de 1232 foi canonizado na Catedral de Spoleto, pelo papa Gregório IX. Desde 1263, seus restos mortais estão sepultados na Basílica de Santo Antônio de Pádua, construída em sua memória.  

Relação das bandas para trezena de Santo Antônio

 

Dia 08 – 6ªfeira

21h: Charles do Teclado

 

Dia 09 – sábado

12h30: Marcelo e seus Alunos

15h30: Noel

21h: Cantora católica Aline Brasil

 

Dia 10 - domingo

11h: Almoço comunitário

13h: Banda Vegus

15h: Wlad Forró Pé de Serra

21h: Banda Israel

 

Dia 11 – 2ªfeira, 21h: Banda Euterpe Friburguense

 

Dia 12 – 3ªfeira, 21h: Israel Lacerda – Sertanejo Universitário

 

Dia 13 – 4ª feira: (Dia do Padroeiro), 21h: Banda Pastoral da Paróquia Santa Teresinha

 

Relação dos padres para as santas missas da trezena de Santo Antônio (de 09 a 13 de junho)

 

Dia 09 – sábado, 19h: Pe. José Ruy Corrêa Júnior – Reitor do Seminário Diocesano de Nova Friburgo

Dia 10 - domingo, 19h: Pe. Salomão Soares de Oliveira – Paróquia Santa Teresinha

Dia 11– 2ª feira, 19h: Pe. Diego Lengruber Fernandes – Paróquia de Santa Beatriz, Portela - Itaocara

Dia 12– 3ª feira, 19h:  Pe. Marcus Vinicius Macedo - Vigário Geral da Diocese de Nova Friburgo

 

Dia 13 – 4ª feira: Dia do Padroeiro

08h - Pe. Fernando Pacheco - Paróquia Santa Teresinha

10h - Pe. Gelcimar Petinatti - Vigário Episcopal Litoral da Diocese de Nova Friburgo

12h- Pe. Luiz Carlos Pedrini - Paróquia Imaculado Coração de Maria, São Pedro e São Paulo

15h - Pe. Lourenço Isidoro Ferronatto - E.P Arautos do Evangelho

19h - Dom Ednei Gouvêa Mattoso - Bispo Diocesano de Nova Friburgo

 

 

LEIA MAIS

Apesar da queda no número de casamentos civis, casais friburguenses se inspiram e revelam o desejo de oficializar união

Acadêmico descreve a experiência do amor maduro

Movimento do comércio teve a 4ª retração seguida, embora queda tenha sido menor em relação a 2016

Publicidade