Ajuda mas não resolve

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
por Jornal A Voz da Serra
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(Foto: Arquivo AVS)

AS AGÊNCIAS da Caixa Econômica Federal atenderam cerca de 350 mil pessoas no primeiro sábado de funcionamento para tirar dúvidas sobre o saque de contas inativas do Fundo de Garantida do Tempo de Serviço (FGTS).

DESDE A divulgação do calendário de pagamento, 1,4 milhão de trabalhadores interessados em obter informações sobre o saque de contas inativas do FGTS foram atendidos nas agências, de acordo com a CEF. As agências abrirão durante cinco sábados, sendo um por mês. As próximas datas são: 11 de março, 13 de maio, 17 de junho e 15 de julho.

O DINHEIRO só vai entrar na economia em março. Mas o anúncio da liberação de créditos que os trabalhadores brasileiros têm em contas inativas do FGTS foi feito com estardalhaço, como se isso pudesse resgatar o crescimento da economia. Apesar de beneficiar cerca de 30 milhões de trabalhadores, os efeitos dessa injeção de dinheiro serão limitados. Isso porque a maior parte dos depositantes tem saldo menor do que R$ 500. Outros 25% têm saldo de R$ 500 a R$ 1.500. Esses somam 80% do total.

O GOVERNO espera que os saques movimentem a economia com R$ 34 bilhões. Mas esse montante é menos de um quinto do valor que entrou na economia no ano passado com o pagamento do 13º salário pelas empresas – cerca de R$ 196 bilhões. Seja como for, para o trabalhador pode ser que faça diferença. Ele terá de sacar tudo de sua conta inativa do FGTS – aquela de quem pediu demissão ou teve seu contrato finalizado por justa causa até 31-12-2015 –, cujos recursos estão parados, rendendo pouco, perdendo para a inflação.

O DINHEIRO poderá ter pelo menos três destinos: ir para o consumo, ser aplicado num investimento ou ser usado para pagar dívidas. Em qualquer dessas alternativas, o efeito será positivo, especialmente para a pessoa física que poderá tirar um peso de cima de si. Provavelmente, o uso maior será para o pagamento de dívidas. Com três anos de recessão, desemprego crescente e inflação fora do centro até agora, as pessoas estão endividadas, e a resolução desse problema vai ajudar a reduzir o alto nível de inadimplência.

ESSA DECISÃO vai repercutir no consumo. Hoje, o endividamento das famílias é fator que impede o crescimento da economia. Sem dívidas, o trabalhador poderá voltar a comprar, aquecendo o comércio, que fechou 2016 com a maior queda em 15 anos.

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