Afape volta a funcionar e comissão pode assumir presidência

Funcionários ainda aguardam decisão do Ministério Público sobre pedido de intervenção
quarta-feira, 19 de abril de 2017
por Dayane Emrich
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A Associação Friburguense de Amigos e Pais do Educando (Afape) está funcionando normalmente desde a última terça-feira, 18. A instituição não havia aberto as portas para atendimento ao público no dia anterior, devido a um tumulto ocorrido na última quinta-feira, 13, que terminou por suspender as eleições para a nova presidência, marcadas para aquele dia. 

De acordo com funcionários da associação, o tumulto aconteceu após um desentendimento entre representantes das duas chapas concorrentes. “Estávamos todos — professores, pais e demais profissionais da instituição — aguardando o início da eleição, que aconteceria às 18h, quando o presidente em exercício impugnou a chapa 2. Ele alegou que, conforme o estatuto, os candidatos da chapa não preenchiam os requisitos necessários para assumir o cargo. Mas, por outro lado, a chapa 1, presidida por ele, não se apresentou formalmente, o que também infringe as normas do estatuto”, explicou uma das coordenadoras da instituição, Flávia Polo, acrescentando que o presidente havia cancelado o pleito. 

“Houve confusão e protesto, pois acreditamos que se havia problemas com a chapa 2, eles deveriam ter sido comunicados antes do dia da eleição, quando toda a comunidade e funcionários já haviam se mobilizado para participar da escolha”, exclama Flávia. Na ocasião, foi necessária ainda a intervenção da Polícia Militar, que encaminhou alguns profissionais e pais de alunos para a 151ª DP. “Houve gritos, xingamentos e o presidente fez diversas ameaças”, disse ela.

No último sábado, 15, os funcionários da Afape e um grupo de pais de alunos se reuniram com os vereadores Zezinho do Caminhão e Pierre, para discutir o caso. Durante o encontro, eles decidiram levar a situação ao  Ministério Público, solicitando ao órgão permissão para que uma comissão, formada por funcionários e familiares dos estudantes, possa assumir, temporariamente, a administração da instituição. 

Além dos diversos problemas financeiros que a associação enfrenta para continuar oferecendo seus serviços à população, Flávia destaca que os funcionários da Afape estão há cerca de cinco meses com os salários atrasados. “Até temos uma verba em caixa que daria para pôr os pagamentos em dia mas, com este impasse, não tem quem assine a documentação de autorização”, disse ela. A equipe de reportagem de A VOZ DA SERRA tentou contato com a Defensoria Pública de Nova Friburgo e com o ex-presidente da Afape, Jorge Wilson, afim de saber mais detalhes sobre o caso, mas não obteve retorno.

Repercussão 

Nas redes sociais, diversos vídeos sobre a confusão na Afape foram publicados. Em um deles, o vereador Jonny Maycon destaca que: “Segundo o estatuto, o antigo presidente Jorge Wilson Soares Vieira não tem mais poder sobre a instituição. Nesse momento, existe um processo judicial no MP. Através deste parecer será autorizada uma comissão provisória para administrar a entidade. Essa comissão terá a responsabilidade de criar um cronograma, um calendário para prever as datas das próximas eleições para esta importante instituição”, disse.

Ainda de acordo com ele, Jorge Wilson esteve na Afape no último fim de semana e trancou salas, trocou fechaduras e senhas dos computadores, o que dificultou o trabalho dos funcionários, sob a escolta da Polícia Militar, na última terça-feira

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