11/04/2013



Preço do tomate deve cair, mas somente ano que vem


Sonho de consumo: com o preço lá em cima, o tomate deixou de constar das compras de muita gente

Sonho de consumo: com o preço lá em cima, o tomate deixou de constar das compras de muita gente

Márcio Madeira da Cunha
Com um aumento que variou entre 150 e 220% na maior parte do território nacional, o tomate acabou inspirando um sem número de piadas nas redes sociais, numa bem-humorada forma de protesto. As causas da variação, no entanto, são muito sérias e devem ser compreendidas para que seja possível avaliar a tendência do mercado para os próximos meses e, tão importante quanto, direcionar esforços no sentido de facilitar e baratear a produção.
“É importante lembrar que o tomate é uma fruta muito sensível a doenças e variações do clima”, explica o produtor Ney Araújo, da Fazenda Rio Grande. “E este ano os principais estados produtores, que são Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, sofreram muito, ora com chuva demais, ora com chuva de menos. A produção acabou sendo comprometida, e o preço subiu.” 
O comerciante Manoel Nunes de Jesus—mais conhecido na feira da Vila Amélia como “Manoel do Alface”—explica que a variação em Nova Friburgo teve ainda outros componentes que remontam à tragédia climática de 2011. “Com os incentivos recebidos por parte do governo após a tragédia, muita gente plantou tomate na região e em 2012 tivemos uma safra exagerada. O preço caiu demais, e muita gente teve prejuízo. Esses agricultores então abandonaram o cultivo e este ano a oferta foi muito menor.”
Cláudio Barros, também comerciante na feira, acrescenta que “parte deste aumento se deve à tentativa por alguns produtores de tentar recuperar uma parcela dos prejuízos do ano passado”. Ney Araújo concorda e complementa: “Este valor entre R$ 80 e R$ 120 a caixa é irreal. Com as atuais dificuldades de produção, ele deve se estabilizar entre R$ 50 e R$ 60 a caixa”.
E é justamente por conta destas dificuldades, mais especificamente das doenças que têm se espalhado nas proximidades, que o agricultor não acredita num retorno do preço aos patamares de 2012. “Friburgo ainda não sofre com o geminivírus, mas ele já está perto, já chegou a Bom Jardim. Nós estamos combatendo a mosca branca, que é o vetor da doença, mas é provável que tenhamos problemas dessa ordem nos próximos anos. Além disso, plantações próximas já sofrem com a murcha de verticílio, que é uma doença que paralisa a plantação por pelo menos cinco anos. O preço e a qualidade dos produtos passam também por esses cuidados e custos de produção”, explica Ney Araújo.
As previsões para o consumidor, contudo, são otimistas. Todas as fontes ouvidas entendem que os valores atuais são irreais e devem cair tão logo seja feita a colheita da nova safra. “Na verdade já estão caindo se considerarmos o pico de R$ 150 a caixa atingido durante a Semana Santa”, relembra Cláudio Barros. Ney Araújo concorda, embora não veja com tanto otimismo a perspectiva para os produtores. “Com os altos preços deste ano já podemos esperar uma grande safra para 2014, com preços muito mais acessíveis. Para os produtores, no entanto, o cenário não é tão promissor com a tendência de aumento nos custos e baixa nos preços”, encerrou.


Manoel Nunes de Jesus e Cláudio Barros



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