Dirigindo com os pés: o acelerador

Márcio Madeira da Cunha

Sobre Rodas

O versátil jornalista Márcio Madeira, especialista em automobilismo, assina a coluna semanal com as melhores dicas e insights do mundo sobre as rodas

sábado, 17 de junho de 2017

Não sei dizer se hoje em dia ainda é assim, mas na minha geração seria possível afirmar que qualquer menino de cinco ou seis anos de idade saberia dar uma explicação razoavelmente verídica a respeito dos efeitos obtidos ao se pisar nos pedais de acelerador ou freio. A embreagem, por outro lado, muitos motoristas passam a vida inteira sem saber exatamente para que serve.

Mesmo entre os mais populares dos pedais, no entanto, será que todo mundo efetivamente entende como atuam e como devem ser utilizados? Pois bem, com a intenção de jogar alguma luz sobre estes tão importantes e invisíveis componentes da direção, inicio hoje uma série de três textos em linguagem simplificada, cada um deles dedicado a um pedal específico. A começar por sua majestade, o acelerador.

Atuação

“O acelerador faz o carro andar”, diria uma criança, acertando parcialmente. Afinal, ele não atua diretamente sobre as rodas, mas sim sobre o motor. Sua função primordial, portanto, é apenas o desdobramento de um processo intermediário, uma consequência obtida sob circunstâncias específicas e controladas, que veremos em texto futuro.

Basicamente, o acelerador é o comando que permite ao condutor dosar a intensidade das explosões ocorridas dentro das câmaras de combustão, através do controle da quantidade de mistura ar/combustível que será admitida. Na prática, isso significa dizer que ele determina qual o percentual da potência e do torque máximo serão utilizados diante das mais variadas circunstâncias.

Uso correto

O uso que se faz do acelerador irá determinar toda a dinâmica da condução, com reflexos diretos sobre a economia (de combustível e de componentes) e a segurança.

É grande a lista de situações nas quais acelerar não representa atitude inteligente. Na estrada, por exemplo, é crucial manter uma distância segura com relação a quem vai à frente, a qual deverá ser medida em tempo. O processo é simples: quando o veículo que vai à frente passar por algum referencial fixo (uma placa ou uma passarela, por exemplo), comece a contar o tempo até que você mesmo passe pelo local. Se esse intervalo for menor do que dois segundos, então você está mais perto do que deveria. E na chuva, essa distância ainda pode aumentar um pouco mais.

A distância segura lhe garante, por exemplo, o espaço necessário para andar no próprio ritmo, sem ficar sujeito a frenagens constantes e emergenciais. Na estrada, o ideal é escolher uma velocidade segura de cruzeiro e permanecer nela, mantendo aceleração constante. Além de representar economia de combustível, essa postura reduz o esforço do conjunto e protege, por exemplo, a correia dentada, em carros que a utilizam.

Da mesma forma, em vias urbanas, se um sinal fecha lá na frente e não vem ninguém atrás, não há necessidade de continuar acelerando. Deixar o carro rolar (sempre engrenado) não apenas economiza grande quantidade de combustível, como também evita o uso desnecessário dos freios. Muitas vezes, inclusive, essa lentidão consciente permite que o sinal abra antes que você o alcance, reduzindo significativamente o esforço da reaceleração.

Diante de uma subida, ao contrário, a postura correta será acelerar antes, escolher a marcha adequada para alcançar a maior faixa de torque, e assim vencer o aclive sem maior esforço ou consumo. E, na hora de descer, não abra mão do freio motor.

Em essência, portanto, o acelerador deve ser comandado pela cabeça, e não pelo coração. Acelerar de forma consciente significa cobrir a mesma distância, no mesmo tempo, em maior segurança e com maior economia. Saber acelerar, enfim, significa não precisar demais dos freios. Mas esse é assunto para nosso próximo encontro.

Até lá!

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