Blindagem: quais os custos envolvidos?

Márcio Madeira da Cunha

Sobre Rodas

O versátil jornalista Márcio Madeira, especialista em automobilismo, assina a coluna semanal com as melhores dicas e insights do mundo sobre as rodas

sábado, 14 de julho de 2018

Há alguns anos o Brasil se tornou o país com maior frota de veículos blindados em todo o mundo. De fato, entre os modelos de maior luxo, chega a ser difícil encontrar por aqui um exemplar à venda que não ofereça esse tipo de proteção. Mas, será que o reforço estrutural é mesmo assim tão necessário, a ponto de compensar os altos custos e o enorme aumento de peso? Essa é uma pergunta que cada consumidor certamente precisa fazer antes de tomar a decisão.

Em 2016, o então presidente da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), Christian Conde, afirmou que uma blindagem com o nível de proteção III-A, o mais usado pelo mercado, dificilmente terá um custo inferior a R$ 40 mil. “Um valor menor abaixo dessa cifra para esse nível de proteção pode indicar que a blindadora está tomando um prejuízo para fazer um preço menor ou que ela está repassando algum tipo de prejuízo ao consumidor”, afirma.

Durante o processo de blindagem o veículo é completamente desmontado, excetuando-se apenas a lataria, o motor e o painel. Para que os materiais com resistência balística possam ser instalados é preciso retirar a capa interna do teto e o forro das portas, os bancos, os vidros e até as rodas. E essa é apenas a metade mais simples da tarefa, pois em seguida ainda é preciso remontar o carro com o cuidado necessário para suas características sejam preservadas. Obviamente a complexidade da operação demanda um alto custo, e, por isso mesmo, valores muito baixos podem ser suspeitos.

Ainda segundo a Abrablin, em 2016 o preço médio da blindagem no Brasil era de R$ 47 mil, com variações sensíveis conforme o nível de blindagem e o modelo do carro. Naturalmente, carros maiores e mais sofisticados demandam maior quantidade de material, ao mesmo tempo em que a mão de obra também requer maior especialização. Assim, tomando por base o nível de proteção III-A, que como vimos domina amplamente o mercado nacional, é possível blindar picapes de pequeno porte por valores pouco superiores a R$ 41 mil, ao passo que para sedãs médios este valor sobe para a faixa dos R$ 45 mil. Por fim, em carros de luxo ou porte avantajado, como os grandes utilitários esportivos (SUVs), o valor pode superar a faixa dos R$ 75 mil.

No entanto, para níveis menores de proteção, aplicáveis a carros menores e menos potentes, é possível encontrar opções de serviço pouco acima dos R$ 20 mil.

Custos de manutenção

O valores são altos, e não terminam com a instalação. Antes de optar por um blindado é importante considerar também que a proteção extra irá implicar em maiores custos de manutenção. Em caso de acidente ou reparo, por exemplo, o custo do conserto fica pelo menos 20% maior, e requer mão de obra especializada. De modo geral as empresas de blindagem costumam oferecer garantias superiores a dois anos, mas estas são restritas a defeitos da blindagem. Qualquer problema de outra natureza não será coberto pela blindadora.

Por fim, cabe lembrar que o bolso também sente a diferença na hora de encher o tanque, uma vez que a blindagem acrescenta muito peso ao automóvel, e isso naturalmente se reflete em piores índices de consumo. É evidente que nenhum destes custos tem relevância diante do valor de uma vida. Mas, para quem tem o privilégio de não sentir com maior proximidade os sintomas da violência que assola nosso país, estas são certamente ponderações que merecem ser feitas antes de optar por um blindado.

 

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