Educação social, noticiários e propagandas na TV

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

O rádio, a TV, jornais, revistas, internet, exercem um poder de influência social muito grande, para o bem ou para o mal. Em 18 de setembro de 1950 foi levado ao ar o primeiro programa de TV no Brasil e a audiência era seleta. Havia apenas 200 aparelhos no país, importados pelo empresário Assis Chateaubriand, dono da TV Tupi. Nos anos 50 e 60 a televisão era um luxo. Se popularizaria nas décadas seguintes. Em 2002 (dados do IBGE) havia em torno de 43 milhões de lares no Brasil com pelo menos um aparelho de TV. Em 2007 na área urbana 96,3% dos domicílios e 77,8% na zona rural possuíam TV a cores. http://www.teleco.com.br/nrtv.asp .

Em 67.373 milhões de domicílios com TV no país, existiam, em 2016, 102.633 milhões de televisões, segundo dados coletados em http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-02/uso-de-celular-e-acesso-internet-sao-tendencias-crescentes-no-brasil. Um dos programas de TV mais assistidos no país até hoje é o noticiário. Milhões de brasileiros assistem diariamente notícias do país e do mundo nos telejornais. Tempos atrás fiz uma pesquisa assistindo telejornais da Rede TV, Record, Bandeirantes, Globo e SBT. Fiz uma lista de temas das notícias, classificando-as como positivas, negativas e neutras e com os temas: economia, política, religião, metereologia, esportes, saúde, acidentes, violência, turismo, vida social, indústria, comércio e educação.

Veja a estatística onde está listado o número total de notícias dos dois dias do telejornal de cada rede de TV e especificado em porcentagem somente as categorias sobre violência junto com acidentes (só notícias negativas) e saúde junto com educação (só notícias positivas):

- Bandeirantes – 62 notícias gerais. Violência e acidentes 33,87%, saúde e educação 6,45% das notícias.

- Globo – 40 notícias gerais. Violência e acidentes 37,5%, saúde e educação 2,5% das notícias.

- Record – 57 notícias gerais. Violência e acidentes 49,12%, saúde e educação 5,26% das notícias.

- Rede TV – 105 notícias gerais (várias foram muito rápidas). Violência e acidentes 52,38%, saúde e educação 2,85% das notícias.

- SBT – 33 notícias gerais. Violência e acidentes 27,27%, saúde e educação 6,06% das notícias.

Se juntarmos todos estes telejornais destas cinco redes de TV nas datas assistidas e compararmos as notícias negativas sobre violência e acidentes (positivas poderiam ser resgates de pessoas, sobrevivência de alguém num acidente de carro, prisão de bandidos etc.), as positivas sobre educação e saúde, e o total geral de todos os temas das notícias positivas e negativas, o resultado foi: notícias negativas sobre violência e acidentes: 43,09%; notícias positivas sobre saúde e educação: 4,37%; notícias positivas sobre todos os temas: 19,19%; notícias negativas sobre todos os temas: 61,27%. Não foram computadas as notícias neutras.

A Associação Mundial de Psiquiatria prevê que em 2020 a depressão será a segunda doença no planeta. Uma pessoa se suicida no mundo à cada 40 segundos, quase duas por minuto. O que a mídia pode contribuir para ajudar a população quanto à saúde, educação e diminuição da violência e acidentes? Oferecendo programas de prevenção em saúde e educação com base em fontes científicas confiáveis e sem conflitos de interesses.

A sociedade está não só assustada, mas perdendo gravemente a esperança. Perda de esperança tem que ver com depressão, violência, deseducação, acidentes. Quem se interessa em anunciar notícias que ajudem a população a ter esperança? www.who.int/mental_health/management/depression/definition/en/. Um conhecido jogador de futebol faz propaganda de uma rede de farmácias. Em algum momento ele diz que quando se trata de sua saúde particular, ele conta com … daí diz o nome da farmácia. Então, a mensagem passada é: saúde é comprar remédio na farmácia. É isso mesmo?

Segundo a ciência médica, especialmente a medicina preventiva, saúde depende do estilo de vida da pessoa. Remédio não é para saúde, é para doença. Quem pode e quer oferecer boa educação em saúde para o povo? 

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O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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