Somos todos pipocas?

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pensando sobre adversidades que a vida nos impõe a todo instante, lembrei-me de um texto do escritor Rubem Alves chamado “A pipoca” de que eu particularmente gosto muito. A metáfora principal compara nossa vida com um milho de pipoca antes de estourar e a nossa evolução com a transformação dele propriamente em pipoca.

Em um trecho ele explica: “(...) é que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. Pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa: voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.”

Adoro esse período final transcrito que diz que a transformação só acontece pelo poder do fogo. E sempre reflito sobre o que é o fogo em minha existência e qual poder dou a ele. Como é importante esse processo de reflexão e autoconhecimento - e aí nos diferencio dos milhos.

Diferentemente do fogo como sinônimo de “fenômeno que consiste no desprendimento de calor e luz produzidos pela combustão de um corpo” definido pelo dicionário, que faz grão de milho duro estourar e virar pipoca, o fogo na vida de um ser humano tem múltiplos significados. Infinitos, talvez. Tentarei resumir (talvez ou muito provavelmente em vão) em uma palavra: adversidade.

Se tivéssemos consciência de que toda adversidade é presságio de, no mínimo, aprendizado, deixaria de ser algo doloroso para tanta gente. Se tivéssemos como acolher e abraçar com gratidão cada adversidade como um presente da vida, tudo seria mais simples e fácil.

Partindo-se do pressuposto de que a adversidade/o fogo prenuncia crescimento e transformação em nossas vidas, penso que deveríamos honrar cada oportunidade que a vida nos impõe para evoluirmos, seja pelo amor, seja pela dor.

 O ápice desse texto que me transmite aquela sensação de triunfo, de entendimento, de encaixe, vem assim transcrito: “Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.”

“Heureca”! Ora, dependendo da minha escolha sobre a forma de olhar, se determinada adversidade acontece para o meu bem e minha evolução, então ela deixa de ser adversidade. E mais, não nasci com vocação para ser milho duro sem finalidade. Que venha o fogo. Quero mais é ser pipoca, da boa! Quem mais?

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Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

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