Qual é o preço da confiança?

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

sexta-feira, 02 de fevereiro de 2018

A resposta ao título já antecipo: não tem preço. Pelo menos, não para mim (e para muitos). Pela definição do dicionário, confiança significa crédito, fé, boa fama, segurança e bom conceito que inspiram as pessoas de probidade, talento, discrição.  Depositar confiança em alguém é crer na honradez, ter em bom conceito, em alta estima. A credibilidade é definida por atributo, qualidade, característica de quem ou do que é crível e confiável.

A credibilidade pessoal não é criada do nada. Ela é fruto do acúmulo de esforço  e mérito protraídos no tempo. Tem a ver com moral, ética, honra, com valores tão abstratos quanto importantes, valores esses que tantas vezes vemos ao relento das relações sociais. A confiança é um tesouro e ser confiável é realmente uma verdadeira e rara virtude. Não se pode brincar com isso. É coisa séria. Credibilidade não se compra, não se vende, não é transferível. Confiança é patrimônio personalíssimo, é crédito pessoal, sem valor material estimável.

Por isso, um dos grandes trunfos que alguém pode ter é a construção de uma vida pautada na credibilidade, seja na esfera pessoal, seja no âmbito profissional. Hoje em dia, com a informatização da vida e as redes sociais fazendo parte de nosso cotidiano em grandes proporções, nos deparamos todo o tempo com uma falta de coerência absurda, com pessoas que se esforçam para parecer serem o que não são, que dizem coisas que não praticam, que levantam bandeiras em que não acreditam, que são matéria e muitas vezes esquecem que têm alma.

Ultimamente, com as máscaras tecnológicas que nos escondem por trás dos computadores, tablets e celulares, as impressões que temos sobre os outros (e por vezes sobre nós) não necessariamente condizem com a realidade. Não que haja problema nisso. Contudo, naturalmente vamos aguçando nosso senso crítico sobre o que é real e o que é propaganda enganosa.

Como construir sinceros sentimentos de confiança com seres que são a personificação do marketing de suas vidas? Como aferir a credibilidade de alguém por meio tão somente de uma bela apresentação pessoal? Tudo isso regado pela falta de tempo de conhecermos direito quem é quem, a coerência da vida e da postura das pessoas. Isso tem acontecido e é perigoso sob algum aspecto. Estranha essa realidade moderna.... mas precisamos saber lidar com os novos paradigmas, sem deixar que valores elementares sejam rebaixados nas novas escalas.

Aprender com os mais antigos pode ser uma boa escola sobre construção credibilidade: o bom nome, a palavra, as dívidas morais quitadas, o “olho no olho”, o comprometimento, a sinceridade, a coerência, a assiduidade, o altruísmo, a cortesia e o trabalho honesto são valiosas pistas que não caem em desuso.

Ainda tem valor ser o que parece ser, agir conforme o que pensa e fala. Acho que esse é um valor eterno e intransponível aos olhos daqueles que conseguem ver por trás dos muros da matéria, da estética, da forma, que tantas pessoas insistem em erguer sobre si mesmas.

Estamos diante da edificação de algumas pontes de isopor, sem base alguma que sustente uma sólida construção. Mais do que nunca é preciso valorizarmos a confiabilidade inspirada por alguém como um dos critérios que coloque essa pessoa no topo da pirâmide de valores.  

Frase da Semana:

“Quero morar numa cidade onde se sonha com chuva. Num mundo onde chover é a maior felicidade. E onde todos chovemos.” (Mia Couto)

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Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

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