Esperança no caos

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Em meio a tantas notícias embaraçosas, crise por todos os lados, colapso em várias ordens da economia, da sociedade e da política, desgoverno, índices elevados de criminalidade, corrupção, desigualdades, preconceitos latentes, problemas aparentemente sem fim, é praticamente senso comum que vivemos período tortuoso de verdadeiro caos.

Mesmo diante desse cenário, precisamos manter a esperança por dias melhores. A desesperança pode ser extremamente nociva a esse processo de transição que estamos vivendo. É preciso crer que não há mais como esconder tanto lixo debaixo dos tapetes. Uma vez que todos os habitantes de um lar descobrem que por baixo dos móveis há podridão, sujeira, dejetos, se torna praticamente impossível a convivência harmoniosa dentro desse ambiente contaminado, maculado pela imundície e sordidez.

É preciso limpar, cuidar, melhorar, conservar, valorizar. Apenas assim é possível destinar o lixo para seu lugar ... a lixeira, o descarte, a reciclagem. Estamos passando por um processo desses... de profunda limpeza, de faxina. Uma faxina em todos os poros, brechas, lacunas, paredes, teto, chão e estrutura dessa casa. Isso requer que encaremos o que está efetivamente estragado, o que não comporta mais naquele ambiente, o que foi quebrado, surrupiado, contaminado.

Assim e só assim poderá ocorrer a efetiva e verdadeira limpeza. Requer esforço conjunto, coragem, renovação... investimento de tudo, de tempo, de dinheiro, de energia. Mas é um processo extremamente importante, pois dele surgirá a verdade, a fluidez, a harmonia e a prosperidade para a formação de um ambiente social mais pleno e vigoroso.

É preciso crer. Crer que a luz está entrando, que algo muito bom está por vir. Para a construção da nova casa, precisamos antes limpar a velha estrutura, liberar o terreno. Para a construção de um novo mundo, de um novo país, invariavelmente devemos enfrentar com esperança, união, força e resiliência esse processo de transição.

É preciso também plantar. Plantar por meio da arte, da cooperação, da educação, da prática do bem. Plantar, semear, cuidar para colher frutos melhores no momento certo. Plantar sempre, mesmo agora em que estamos no epicentro do caos, aliás, principalmente agora.

Fácil não é. Pelo contrário. Está difícil à beça. Mas por mais complexo que possa parecer (e de fato é), penso que uma sociedade unida e nutrida de esperança pode ser capaz de enfrentar e superar o caos.

Reflexão da Semana:

“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.” (Martin Luther King)

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Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

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