O problema das pessoas

Wanderson Nogueira

Wanderson Nogueira

Observatório

Jornalista, cronista, comentarista esportivo, já foi vereador e agora é deputado. Ufa! Com um currículo louvável, o vascaíno Wanderson Nogueira atua com garra no time de A VOZ DA SERRA em Observatório, sua coluna diária.

sábado, 14 de julho de 2018

Pelos próximos meses, a jornalista Laiane Tavares assina a coluna no lugar do titular Wanderson Nogueira. A Justiça Eleitoral determina que candidatos nas Eleições 2018 não podem apresentar, participar ou dar nome a programas de rádio e TV. A regra não se aplica aos órgãos impressos. Mesmo assim, o colunista e A VOZ DA SERRA, em comum acordo, optaram pela alteração neste período. Wanderson Nogueira volta a assinar o Observatório em outubro, após o período eleitoral.

 

Pra começar, não é o nosso problema. É o problema delas. E o que não é nosso não nos pertence. De fato, é um pouco irritante ter que conviver com questões que nos fogem à responsabilidade. Mas, é paz ou guerra. Lembrando que nem toda paz é sagrada, nem toda guerra é evitável. 

Eu acredito que mudar o mundo seja um sonho que compartilhamos juntos. O problema é que não tem como mudar o mundo sem transformar as pessoas, então como lidar sem se importar? Talvez eu tenha me antecipado e para seguirmos nessa reflexão vamos precisar entender se já somos quem gostaríamos de ser. E se o que sonhamos para a gente, cabe no que sonhamos para o mundo. O que sonhamos para o mundo afinal?

É o fim da miséria, da corrupção e da maldade? É a paz, o amor e a felicidade? É a justiça, a dignidade e o bem-estar social? Então, prepare-se para enfrentar muitas batalhas, sabendo desde já que perderá algumas, porque o problema das pessoas é seu também, nem todos, claro. Só os que importam. 

A falsidade das pessoas ainda é um problema delas. O oportunismo de alguém, não lhe pertence. A fraqueza e a mediocridade de algumas existências seguem não merecendo nossa atenção. Que esses problemas das pessoas fiquem por conta da vida delas, cada um sabe a “dor e a delícia de ser o que é”. Que a gente se interesse apenas pelos problemas que ultrapassam o limite do “cada um que cuide da sua vida”. Algumas pessoas precisam de nós para vencer problemas que foram criados pelos outros. 

A fome das pessoas é um problema nosso. Não porque comemos bem, mas porque há comida suficiente no mundo. E se o problema é que ela não chega à mesa de todos, devemos questionar quem mantém o alimento refém do poder aquisitivo. O desemprego das pessoas e a falta de oportunidade é um problema nosso.  Quantos jovens sem perspectiva encontram em atividades ilícitas a única oportunidade? Depois, quando morrem, dizem “já vai tarde”. Mas quando foi que lhe disseram “seja bem-vindo”? Não cabe individualmente a mim ou a você criar essa oportunidade, mas é função coletiva pressionar um país para que ele se desenvolva por bases mais justas, igualitárias e humanas. 

Nós precisamos entender que algumas pessoas estão em desvantagem. Merecem e precisam que tomemos como nossos os seus problemas, sozinhas elas não podem. Sem elas não podemos. Uns contra os outros, perderemos todos. As violências estruturais que identificam na diferença um alvo, precisam ser paradas. O problema das pessoas que não tem um problema, mas que existem num mundo problemático que às desqualifica por raça, gênero, orientação sexual, e até CEP, é um problema nosso. 

São nossos problemas, porque não queremos mais esses problemas. Queremos uma vida em harmonia para viver mais feliz, queremos segurança para viver mais. Queremos ceia farta e boas conversas à mesa. Nada disso será meu se não for nosso. Nada disso será seu, se não for de todos.

O escritor e jornalista George Orwell tem uma frase famosa à qual reivindico para tocar mentes e corações daqueles que numa jornada pessoal caminham com ódio lutando contra inimigos que só existem na sua intolerância: “A maneira mais fácil de acabar com uma guerra é perdê-la”. Não insistam no ódio, perca essa guerra. A bandeira branca traz com ela o amor e o fim dos problemas dos outros. Nós não precisamos ser a razão do problema de alguém. Muito ajuda quem não atrapalha.

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