Chama

Wanderson Nogueira

Wanderson Nogueira

Observatório

Jornalista, cronista, comentarista esportivo, já foi vereador e agora é deputado. Ufa! Com um currículo louvável, o vascaíno Wanderson Nogueira atua com garra no time de A VOZ DA SERRA em Observatório, sua coluna diária.

sábado, 18 de novembro de 2017

Uma pequena chama pode iluminar uma sala escura. Uma pequena chama pode abrasar muitas almas e transformar vidas e os dias dessas vidas. Seja chama e chama! Chama para brincar no jardim da vida. Chama a fina flor, a bossa e a pedra. Chama o rio que tudo carrega e que nunca mais será o mesmo ao passar por aquela mesma pedra. Chama o vento, chama a noite e o dia. Chama a chama que incendeia o coração e faz brilhar os olhos. Chama a chama que faz nascer.

A mesma chama que cega é a que faz ver tudo melhor. A chama que clareia. A mesma chama que cala é a que igualmente faz cantarolar. Essa chama que chama para viver assim... Discreto e feliz. Espalhafatoso e sorridente. Chama que gargalha, chama que chora, mas que nunca é nem uma, nem outra coisa. É declaradamente definida!

Seja chama que obedece ao chamado do tempo. Tão preciso e às vezes cruel, mas nunca vacilante.

O tempo de chamar é o mesmo tempo que perdura a chama. O tempo de se entregar é o mesmo que aquece a chama. Não por acaso, mas por um aglomerado de fatos que não se explicam e que não necessitam de extensas explicações. A entrega já é boa razão para atender a chama e chamar. Chamar por essa imensidão que inunda a gente profunda e intensamente. E a chama é sempre intensa, porque chama a chama que não apaga e não esfria. Aliás, ou ela vive ou apaga. Ou ela aquece ou morre. A chama não perde sua essência de arder nunca. É ardência de quem vive e experimenta a vida sem se condenar, sem autoflagelo, sem temor de ser virtude ou pecado.  

A chama tem o poder de mudar o mundo, queimar o que se conhece para clarificar o que nunca se viu. Aquilo que sempre esteve lá, mas que não houve capacidade ou discernimento ou coragem para se ver, vivenciar e saborear. A chama chama o que é desconhecido e por isso é tão intensa porque se alimenta daquilo que não se espera e não se supõe. Voraz, interrompe a fome de quem nunca soube que tinha fome, mas que também nunca suspeitou o que de fato é se saciar.

Chama o vento! Brinca com o vento e chama as suas asas perdidas. Recobra aquilo que sonhou ainda criança e chama essa infância esquecida. Vem fazer roda em volta da chama, esquenta as mãos para relembrar que tem alma e que também precisa de calor, afeto. Faz companhia à chama e traz a chama para seus dias. São tantos momentos e tão poucos para ser feliz que não dá para desperdiçar o tesouro que é acariciar a chama que nos chama para sentir o sabor das horas, a delícia que é o amor que se dá e se recebe ainda que em proporções diferentes, mas se é amor abençoado pela chama, então por que não chamar o que nos chama.

E ao chamado ser chama que clareia o que os outros não vêem. Que aquece aquilo que quer brotar. Que muda a rota do que está pré-determinado. Nada pode ser pré-determinado. Se o vento não pode ser domado, pode se aproveitar o sopro da direção que ele nos dá. É assim que a chama vive e se mantém como chama que quer ser chamada e que chama para ser somada e fortalecida. Chama que incendeia a razão e que também queima o coração, porque não há como ser feliz sem andar e tropeçar, não há como não amar sem apostar...

Um dia a chama acerta aquele que chama e por quem é chamado. Ser chama, emprestar chama é um risco necessário. Sem riscos não há chama. É do risco de ser, de repente, feliz, que a chama continua sendo chama, mesmo sem ter nada para se alimentar. Chama...        

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Jornalista, cronista, comentarista esportivo, já foi vereador e agora é deputado. Ufa! Com um currículo louvável, o vascaíno Wanderson Nogueira atua com garra no time de A VOZ DA SERRA em Observatório, sua coluna diária.

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