Campeã moral e a campeã oficial

Wanderson Nogueira

Wanderson Nogueira

Observatório

Jornalista, cronista, comentarista esportivo, já foi vereador e agora é deputado. Ufa! Com um currículo louvável, o vascaíno Wanderson Nogueira atua com garra no time de A VOZ DA SERRA em Observatório, sua coluna diária.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Hoje é dia

  • do repórter

O dia

Em 16 de fevereiro de 1984, manifestações para as eleições diretas para a presidência da República reuniram 60 mil pessoas no Rio de Janeiro e outras milhares em Belém, Belo Horizonte, Recife e Aracaju.

Observando...

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Palavreando

Olhamos nos olhos e podemos não ver nada atrás daquele mundo, mas ao penetrar naquele olhar e emergir o segredo de que por trás daqueles olhos há mistérios, então se descortina um universo.

Campeã moral e a campeã oficial

O resultado dos desfiles das escolas de samba do carnaval carioca tem um recado importante: é preciso mergulhar no tempo em que estamos. O carnaval deve expressar o sentimento da sociedade. Os jurados, assim como as arquibancadas da Sapucaí, apontaram isso e deram a vitória a quem decidiu seguir esse caminho.

O título moral foi para a inesperada vice-campeã, Paraíso do Tuiuti. O título oficial foi para a Beija-Flor que trouxe um carnaval muito diferente de suas tradições.

Muitos apostavam no rebaixamento da Tuiuti. Alguns, entre os quais eu mesmo, avaliava que o excelente samba poderia salvar a pequena agremiação do descenso. O samba de Moacyr Luz & Cia. não só tirou a escola de São Cristóvão do provável rebaixamento, como encantou o país e elevou a agremiação a uma posição jamais sonhada: a de campeã do povo, a de preferida até das adversárias, a de um vice-campeonato com gosto de título de campeã. 

A Beija-Flor de Nilópolis, por sua vez, abandonou a sua comum suntuosidade e luxo para inovar. Com um samba tão panfletário quanto a do Tuiuti, de extrema crítica social, pode ter revolucionado o carnaval como fez Paulo Barros nos anos 2000 quando surgiram as alas coreografadas e as alegorias vivas, repletas de gente. A Beija-Flor ousou ao teatralizar ao máximo o desfile e trazer representação, às vezes dura, de nossa própria realidade. E o que é senão a arte do que a reprodução exagerada ou não de nós mesmos? Assusta o que a Beija-Flor mostrou? Talvez porque evitamos olhar para o espelho para não nos assustarmos com as nossas próprias imagens como coletivo. 

Não entro no mérito da legitimidade de quem suscitou todo esse debate. Se a Beija-Flor foi ligada à ditadura, se a Tuiuti não deu assistência devida às famílias do acidente do ano passado. Isso importa? Claro! Mas não tira a ousadia de algo que alguém precisava ter feito. Foram Beija-Flor e Tuiuti que fizeram. Parabéns a elas.

Aliás, o Salgueiro em terceiro lugar com as mulheres negras, a Portela em quarto com os refugiados e a Mangueira em quinto com a defesa do samba em tempos de Crivella, dão a clara demonstração da divisão de vencedores e derrotados nesse carnaval. As que vem adiante trouxeram mais do mesmo, numa desconexão com a atualidade e com o povo.

Dessa maneira, deixo meu coração portelense de lado para celebrar o carnaval como crítica social, a arte como protesto, o samba como reflexo das vozes das ruas. Venceram, pela ordem, os desfiles mais panfletários, as escolas que entenderam o grave momento que o Brasil vive! “Não sou escravo de nenhum senhor”, porque “seu livro eu não sei ler Brasil”! Por onde andas pátria amada? Tuiuti e Beija-Flor responderam!

Salários do estado

O governo do estado do Rio, finalmente, conseguirá pagar todos os seus servidores no mesmo dia. Isso não acontecia há mais de um ano. Nesta sexta-feira, 16, décimo dia útil do mês, os salários integrais de janeiro serão pagos para todos os 461.816 servidores ativos, inativos e pensionistas do funcionalismo público. O valor total transferido será de R$ 1,682 bilhão. Todo esse recurso é proveniente da arrecadação tributária.

Aumento salarial

Os servidores da área da segurança receberão o pagamento de janeiro com até 9,28% de aumento, referente à quarta parcela do reajuste concedido em 2014. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros terão reajuste de 7,11%. A Polícia Civil, de 9,28%. Já os delegados da Polícia Civil terão acréscimo de 3,3%. Inspetores de segurança e da administração penitenciária receberão aumento de 3,24%. A última parcela desses aumentos só será paga em 2019.

B.O. online

A Polícia Militar vai implementar, na segunda quinzena de março, o projeto-piloto “Pmerj Mobile”, que permitirá que os boletins de ocorrência sejam preenchidos em tempo real por meio de equipamentos como tablets e celulares. O sistema – programa de computador concebido para processar dados eletronicamente – será utilizado inicialmente na capital fluminense.

Pmerj Mobile

Outras áreas do estado serão contempladas a partir do mês de julho. O “Pmerj Mobile” será implementado até 2021. A ideia é que o sistema de preenchimento dos boletins de ocorrência atenda a todos os batalhões do estado. Pelo menos, 15% do efetivo da Polícia Militar usará a ferramenta em 2018. A tecnologia visa agilizar a prestação do serviço, facilitando o preenchimento do boletim de ocorrência, antes realizado em papel e depois digitado no computador. 

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