Todo cuidado é pouco ao se escrever uma matéria

Max Wolosker

Max Wolosker

Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

terça-feira, 09 de janeiro de 2018

Tanto o MSN quanto o jornal A Folha de São Paulo soltaram uma matéria que dizia ter a família Bolsonaro aumentado seu patrimônio à custa da política. Se o objetivo foi o de denegrir pai e filhos, o genitor deputado federal, Carlos (vereador, no Rio de Janeiro), Flávio (deputado estadual, no Rio de Janeiro) e Eduardo (deputado federal por São Paulo), o tiro pode sair pela culatra.

Um deputado federal, hoje, recebe salário de R$ 33.763; auxílio-moradia de R$ 4.253 ou apartamento de graça para morar; verba de R$ 92 mil para contratar até 25 funcionários; de R$ 30.416,80 a R$ 45.240,67 por mês para gastar com alimentação, aluguel de veículo e escritório, divulgação do mandato, entre outras despesas. Dois salários no primeiro e no último mês da legislatura como ajuda de custo e ressarcimento de gastos com médicos. Essa bagatela atinge a cifra de R$ 168,6 mil por mês. É um absurdo, mas esta é a triste realidade de um país que tem uma das mais caras máquinas administrativas, em que o povo ganha salários pífios, a saúde pública é uma piada de mau gosto, a segurança pública uma calamidade e a educação pública um caso de polícia.

Os gastos com deputados estaduais não ficam muito atrás, na ordem de R$ 153,3 mil mensais e o de vereadores, pela cidade do Rio de Janeiro, chega a R$ 103 mil entre salários e vantagens. Mas, as cifras serão muito maiores se forem incluídos os ganhos advindos das vielas tortuosas da vida política brasileira.

Portanto, crescer o patrimônio dos homens públicos brasileiros à custa da política não é de se espantar, apesar de ser um disparate. Se pegarmos a cifra de R$168,6 mil mensais (deputado federal) e multiplicarmos por 48 (um mandato é de quatro anos, ou seja, 48 meses) teremos a astronômica cifra de R$ 8.095,68 milhões. Isso quer dizer que o ungido pode comprar usando 50% dos seus ganhos para investimentos, no barato, quatro imóveis no valor de R$ 1 milhão.

Ora, Jair Bolsonaro está no sétimo mandato de deputado federal, portanto não seria surpresa se ele tivesse 28 apartamentos, mas, como é muito perdulário só tem 13, mesmo assim distribuídos pela família, segundo a Folha de São Paulo.

Ninguém é santo nesse país, mas a imprensa pelo seu papel de bem informar e de formadora de opinião, tem a obrigação de ser ética, equilibrada e apartidária. Daí ser lamentável um jornal, sabedor da posição atual de Bolsonaro na pré-disputa presidencial, difundir notícias com o intuito de obscurecer sua imagem e confundir o eleitor. Se, em contrapartida, apresentar a lista de bens de todos os 513 deputados federais aí sim poderemos acreditar na isenção do jornal.

 Além do mais, Bolsonaro foi oficial do Exército durante 11 anos, de 1977 até 1988, quando foi para a reserva no posto de capitão, ao optar pela carreira política. Nesse ano exerceu seu primeiro mandato como vereador do Rio de Janeiro. Pelo menos um imóvel mais modesto ele teria tido condições de comprar.

Há algo de podre no reino da Dinamarca; de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a partir de pesquisa do Cempre (Cadastro Central de Empresas), o salário médio do trabalhador brasileiro é de R$ 1.792,61. Com esse salário, a compra de um imóvel só será possível através do programa “Minha casa minha vida”, e mesmo assim com grande sacrifício. Sem falar que esses assalariados trabalham muito mais e não têm as mordomias dos nossos parasitas de Brasília.

Assim, é preciso que o eleitor do Brasil pense duas ou mais vezes na hora de votar, em outubro desse ano, pois essas eleições serão um divisor no futuro do país. Teremos a obrigação de escolher representantes dignos do cargo para o qual se propõem, com uma visão moderna do real papel do legislador, pensando no bem coletivo e não nos próprios interesses. Caso contrário o melhor será fechar para balanço, pois o futuro será mais negro do que carvão.

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