Allez les Bleus

Max Wolosker

Max Wolosker

Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Esse é o grito dos franceses para incentivar sua seleção, que numa tradução livre quer dizer “vamos azuis”, pois azul é a cor do uniforme número um da seleção francesa. Com esse refrão a torcida da França incentivou sua equipe, do início ao fim do jogo do último domingo 15, durante a grande final da 21ª Copa do Mundo de Futebol, realizada na Rússia.  A equipe gaulesa se tornou bicampeã do mundo, com direito a uma segunda estrela dourada em seu uniforme. Foi uma final de Copa emocionante, disputado sem violência, o que deveria ser a tônica de um jogo de futebol, com duas equipes muito bem preparadas e com propostas de jogo diferentes.

A Croácia, como país, foi fundada em 1991, pois antes pertencia à antiga Iugoslávia. Assim, sua primeira Copa do Mundo foi em 1998, na França, quando foi a terceira colocada, ao derrotar a Holanda na disputa do terceiro lugar. Os croatas jogam com determinação e, como se diz no jargão do futebol, colocam o coração na ponta da chuteira.

Nessa Copa chegaram à final depois de passarem por três prorrogações, nas oitavas, quartas e semifinal, ou seja, mais um jogo inteiro, pois cada uma tem 30 minutos, em dois tempos de 15 minutos. Deixaram para trás, respectivamente, Colômbia, Rússia e Inglaterra e jogaram de igual para igual com a França, tendo maior posse de bola durante todo o jogo. Apesar do placar final de 4 a 2, foram um adversário difícil de ser batido.

Já a campeã tem uma equipe melhor, em valores individuais, e é cerebral, pois estuda o jogo e dá o bote nos momentos precisos. É um time jovem, mas com jogadores de grande qualidade como Dembélé, Kanté, Pogba, Matuidi, Griezmann e Mbappé. Esse, aliás, é depois de Pelé, o jogador mais jovem a marcar um gol numa final de Copa do Mundo. Na Suécia, em 1958, o estreante Pelé tinha 17 anos; a joia francesa, também estreante em uma Copa, tem apenas 19 anos. Sua velocidade, nas arrancadas em direção ao gol, lembra muito Ronaldo Fenômeno e me arrisco a dizer que não demora muito vai ser eleito o melhor do mundo. Futebol para isso ele tem.

Mas, a Croácia merece todas as honras dessa Copa. Sua presidente, além de bonita é uma fanática torcedora, esteve presente em vários jogos de sua seleção e, ao contrário dos dirigentes tupiniquins, pagou do próprio bolso as suas despesas, pois afinal, esse campeonato não é programação oficial. Apesar de terem sofrido dois gols duvidosos, uma cobrança de falta inexistente e um pênalti cuja marcação foi muito rigorosa, seus jogadores não desistiram e lutaram até o fim. E, o mais, importante, o vice-campeonato foi comemorado como um verdadeiro título, pois ele chega na sua quinta participação, já que não se classificou para a de 2010. Para nós, brasileiros, vice ou lanterna de uma competição não faz muita diferença.

Por ser um país pequeno, com pouco mais de quatro milhões de habitantes, sua renovação é mais difícil e por ser uma seleção mais madura, muitos jogadores não disputarão a próxima Copa, no Qatar. Muitos comentaristas dizem que essa Copa foi muito nivelada, com nível técnico inferior às anteriores. Não concordo, pois acho que, na realidade, muitas seleções consideradas de segundo escalão melhoraram em técnica e preparo físico e deram trabalho às mais tradicionais. Não podemos esquecer que Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, Inglaterra e Uruguai, ficaram pelo caminho.

Parabéns à França e à Croácia que disputaram uma final que poucos acreditavam ser possível, mas brindaram os torcedores com um belo espetáculo, num jogo leal e muito movimentado.

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