Mais respeito

Giuseppe Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 08 de março de 2018

Para pensar:

“Mulher criação mágica de Deus.
Retrato fiel do encanto e sedução;
Espelho de intuição e sabedoria;
Estampa fina, forte e sutil;
Amostra de delicadeza e fibra;
Exposição da beleza e do amor.”
Nara Núbia Alencar Queiroz

Para refletir:

“Mulher: indescrítível criatura cuja incansável e inestimável força de viver nos torna insignificantes diante dela.”
Barbosa Filho

Respeito

Ainda que muitas mulheres não sejam entusiastas da data, o 8 de março é certamente um dos momentos mais importantes e significativos do calendário atual.

Não uma data para apenas prestar homenagens que deveriam ser rendidas todos os dias, mas um convite a reflexão, a estudos e acompanhamentos sobre situações que precisam mudar, e mudar de dentro para fora, como reflexo de uma nova consciência, mais justa e igualitária.

Gratidão e admiração

O colunista aproveita a ocasião para saudar respeitosa e carinhosamente todas as leitoras, agradecendo pelo apoio, pela participação, pelas colaborações pertinentes e inteligentes.

O sentimento para com as mulheres é um misto profundo, muito profundo, de gratidão e admiração.

Não apenas hoje, mas sempre, este espaço estará aberto a quaisquer iniciativas que possam reduzir as distâncias e desigualdades que ainda nos separam.

Pena

É uma pena, portanto, que tenhamos que falar de assuntos como a sessão de terça-feira, 6, na Câmara Municipal, num dia como esse.

Afinal, que bela oportunidade perdemos todos nós de demonstrar um pouco mais de amadurecimento!

Soberania (1)

Antes de começarmos, é preciso estabelecer um pressuposto: o plenário é soberano, e os parlamentares são eleitos para que sigam as próprias consciências nas deliberações que lhes são apresentadas.

Soberania (2)

Não cabe julgamento, portanto, pelas posições que venham a tomar, desde que tais posicionamentos sejam legítimos, e não fruto de acordos que comprometam a separação dos poderes e coloquem interesses pessoais à frente de prioridades coletivas.

Em outras palavras: o problema está nos argumentos e nas motivações, não no posicionamento em si.

Compreensível

Seria perfeitamente compreensível, por exemplo, que um parlamentar tivesse optado por rejeitar a denúncia apresentada pelo vereador Johnny Maycon por acreditar que os prejuízos da instabilidade política seriam maiores do que os benefícios de levar a investigação às últimas consequências.

Ou, como no caso do presidente Alexandre Cruz, segundo na linha sucessória da prefeitura, que optou por votar mesmo sem ser obrigado, a fim de que pudesse demonstrar que não estava tomando qualquer posicionamento em benefício próprio.
Inegável

Ninguém com o mínimo de consciência política pode negar, no entanto, que configurou-se um problema, e um problema muito sério.

Todo requerimento precisa ser aprovado pela Câmara, de tal modo que um requerimento não respondido configura um ato de desrespeito a todo o Legislativo.

E se considerarmos que o conjunto dos vereadores representa a totalidade da população municipal, então a transposição é inevitável: o desrespeito é a todos nós.

Implicações

E não é "só" isso.

Afinal, uma das funções primordiais do parlamentar é fiscalizar, e sua principal ferramenta para isso é o requerimento.

Negociar esse poder/dever, tão precioso e tão desvalorizado, é trair a confiança popular e atentar contra a democracia e sua independência de poderes.

Uma situação feia para quem a promove, no Executivo, mas ainda muito mais para quem a ela se submete, no Legislativo.

Vergonha alheia

O colunista não pode de forma alguma concordar com os vereadores que justificaram seus votos contrários à formação de uma Comissão Processante dizendo que "requerimento sem resposta é coisa que acontece o tempo todo", como se fosse algo sem relevância.

Da mesma forma, não pode deixar de considerar um revelador ato falho o discurso de quem tentou reduzir o episódio à criação de "um trampolim político", como se não houvesse nada de concreto na denúncia apresentada.

De novo?

Nem pode deixar de lamentar o pedido para que todos os anexos fossem lidos, feito por um vereador que alegou ter tido pouco contato com a peça apreciada, para instantes mais tarde fazer uma justificativa extremamente técnica e embasada de seu voto contrário, deixando pouca margem para interpretações que não identifiquem uma tentativa de cansar os presentes e esvaziar o plenário.

Dois gumes

Mas, se por um lado o sentimento pelos parlamentares que não se dão ao respeito nem tampouco lutam pelo próprio direito de fiscalizar não é outro senão vergonha alheia, por outro a desaprovação por campanhas de internet que simplificam tudo o que aconteceu e transformam em heróis ou vilões aqueles que votaram a favor ou contra não é menor.

Quem mente ou desrespeita a inteligência da população faz parte do problema, erga a bandeira que erguer.

Pode melhorar

Para encerrar o assunto, cabem também algumas palavras sobre a participação popular durante a sessão.

Ainda que durante a maior parte do tempo o comportamento tenha sido exemplar, e que manifestações de opinião sejam compreensíveis e perfeitamente aceitáveis, houve momentos de desrespeito que não devem se repetir.

Dar exemplo

Não se trata de questionar as razões da população, mas justamente de cuidar para não perder essas razões.

O plenário é um local sagrado para a democracia, e é importante que o povo compareça às sessões e dê o exemplo, até mesmo para poder cobrar com ainda mais autoridade.

Até porque ainda virão muitas sessões como esta no futuro...

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